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Mudança climática pode eliminar até 34% das plantas usadas por povos da Amazônia, aponta estudo publicado na revista Nature

As projeções indicam perdas médias locais de espécies vegetais de 28%, 30% e 34%, respectivamente, em cada um dos cenários analisados.

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

As sociedades amazônidas usam quase 5,8 mil espécies de plantas, mas as mudanças climáticas podem reduzir as espécies vegetais nativas em um terço, representando um perigo para sua cultura e conhecimento. É o que mostra um estudo publicado na revista Nature e realizado por Rodrigo Camara-Leret e Jordi Bascompte, da Universidade de Zurique, e Patrick Roehrdanz, do Centro Moore para a Ciência da Conservation International.

Segundo a pesquisa, a redução das plantas de importância cultural, somada à extinção projetada de línguas indígenas, pode resultar na perda de cerca de um quarto do conhecimento documentado sobre os usos de espécies vegetais amazônicas até o fim do século, destacam CNN Brasil, Telesur e phys.org.

Os pesquisadores reuniram mais de 90 mil registros do uso de plantas amazônicas por Povos Indígenas feitos entre 1504 e 2023. A partir da análise desses relatos bibliográficos, também avaliaram a situação das línguas em que os registros foram escritos. Mais da metade dos relatos sobre plantas nativas foi registrada em 156 línguas indígenas, das quais 56% estão ameaçadas de extinção.

Os cientistas ainda modelaram os impactos das mudanças climáticas sobre a distribuição das espécies entre 2060 e 2080 em três cenários: cumprimento das metas climáticas até meados do século; adoção de ações mínimas de mitigação; e sem políticas de intervenção.

As projeções indicam perdas médias locais de espécies vegetais de 28%, 30% e 34%, respectivamente, em cada um dos cenários analisados. Segundo os autores, essas reduções podem ter consequências críticas para as sociedades amazônicas, ao comprometer a biodiversidade.

A Floresta Amazônica é um centro global de patrimônio biológico e cultural, abrigando mais de 10% da biodiversidade terrestre do planeta e mais de 400 grupos indígenas. No entanto, quase 300 milhões de hectares da Bacia Amazônica já foram degradados ou fragmentados, e muitas culturas indígenas e suas línguas estão ameaçadas de extinção, reforça Victoria Reyes-García, pesquisadora da Universidade Autônoma de Barcelona, em um comentário que acompanha o estudo.

Resumo

As mudanças climáticas ameaçam um terço das plantas culturais da Amazônia: estudo publicado na Nature mostra que as quase 5,8 mil espécies vegetais usadas por Povos Amazônicos podem ser reduzidas em até 34% até o fim do século. Mesmo no cenário de cumprimento das metas climáticas, a perda chega a 28%.

Dupla ameaça: mais da metade do conhecimento sobre plantas nativas foi registrado em 156 línguas indígenas, das quais 56% estão ameaçadas de extinção. A combinação de perda de espécies e morte de línguas pode apagar um quarto do conhecimento documentado sobre o uso de plantas amazônicas.

Patrimônio biocultural insubstituível: a Amazônia abriga mais de 10% da biodiversidade terrestre e mais de 400 grupos indígenas, mas quase 300 milhões de hectares da bacia já foram degradados. Perder as plantas é perder também a medicina, a alimentação e a cosmovisão de povos que as conhecem há séculos.


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