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Chavismo ganha em 20 dos 23 governos estaduais em eleições marcadas por alta abstenção na Venezuela

Pleito regional foi o primeiro com participação da oposição desde 2018; seis em cada dez eleitores não foram às urnas.

Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro(Foto: Yuri Cortez/ AFP)

O chavismo conquistou no domingo a prefeitura de Caracas e 20 dos 23 governos estaduais da Venezuela após as eleições regionais e locais de domingo, as primeiras com a participação da oposição desde 2018. O pleito, o primeiro acompanhado por observadores da União Europeia (UE) em 16 anos, foi marcado pela alta abstenção: seis de cada dez venezuelanos não saíram de casa, o menor comparecimento em 20 anos.

O mapa eleitoral não mudou muito em comparação com o último pleito, em 2017, com o chavismo ganhando em um estado a menos. Há quatro anos, a maior parte da oposição se absteve de participar e as poucas legendas que apresentaram candidatos não tinham uma plataforma unificada, mas ainda assim conseguiram eleger quatro governadores. Um deles, contudo, foi destituído pouco após ser eleito depois de recusar a ser reconhecido pela Assembleia Nacional Constituinte, uma condição imposta pelo regime.

Quatro anos depois, os aliados de Maduro arrebataram três importantes regiões que eram controladas pela oposição: Anzoátegui, no Leste do país, e Mérida e Táchira, nos Andes. Pouco após os primeiros resultados serem divulgados, o presidente Nicolás Maduro, disse em um discurso que o triunfo foi “impressionante” e que “boas vitórias sempre devem ser celebradas”:

— Chamo a todos, ganhadores ou não, a respeitar os resultados, para o diálogo político e a reunificação nacional — afirmou o presidente.

O resultado em Táchira foi o mais chamativo, com a vitória de Freddy Bernal, um dos militantes mais antigos do chavismo. Ele foi prefeito de Caracas por dois mandatos, deputado e funcionário dos serviços de inteligência. Desde 2016 é coordenador dos CLAPs, estruturas que organizam a distribuição de alimentos em bairros pobres, sistema transformado em uma máquina política pelo regime de Maduro.

‘Protetores’

Sob o comando de Bernal, no ano passado, esteve o controle da fronteira com a Colômbia e a gestão do fluxo de retorno de imigrantes em meio à pandemia. O resultado é um triunfo dos “protetores” do regime, figuras de contrapoder impostas pelo oficialismo em territórios conquistados pela oposição para bloquear suas gestões, tendo altos recursos e poucos controles legislativos.

A prática é uma herança da época de Hugo Chávez, como um prêmio de consolação para os perdedores regionais. Bernal foi um protetor em Táchira, assim como Jehyson Guzmán e Luis Marcano, eleitos em Mérida e Anzoátegui, respectivamente.

Tal qual nos últimos 20 anos, o governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) terá o controle de Caracas, que será governado pela almirante Carmen Meléndez, ex-ministra do Interior. O triunfo nos outros estados também era esperado.

A principal derrota para o chavismo veio em Zulia, o estado mais populoso do paós. Assim com Táchira, a região na fronteira com a Colômbia tem um histórico de rechaço ao chavismo e agora retorna à oposição.

O alto nível de abstenção, uma campanha opaca e a falta de recursos se somaram à grande fragmentação dos grupos contrários a Maduro para culminar no resultado ruim. O líder opositor Juan Guaidó — que em 2019, como então presidente da Assembleia Nacional, proclamou-se “presidente interino” da Venezuela e foi reconhecido como tal por mais de 50 países — não votou e se mantém em silêncio. Ao longo da semana, ele havia sugerido que a oposição unificasse a luta contra Maduro depois das eleições.

Oposição fragmentada

Dos dirigentes oposicionistas, o que mais defendeu a retomada da via eleitoral contra o chavismo foi Henrique Capriles, ex-governador do estado de Miranda e ex-candidato à Presidência. Ele, até agora, também não se pronunciou sobre o resultado da votação.

Além de Zulia, que será governada por Manuel Rosales, líder do partido de centro-esquerda Nuevo Tiempo, a oposição também teve uma vitória surpreendente na planície de Cojedes, com Alberto Galíndez, da Ação Democrática. O terceiro triunfo veio na ilha de Margarita, um de seus tradicionais redutos, onde prevaleceu Morel Rodríguez, da Aliança Democrática, liderada pelo ex-chavista e ex-candidato presidencial Henry Falcón.

Pesquisas recentes mostram que 42% dos venezuelanos se consideram eleitores da oposição, mas, destes, apenas 9% continuam respaldando Juan Guaidó. Outros 36% não estão do lado da oposição nem do governo.

Segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), a taxa de participação de 41,8%, com o comparecimento de 8,1 milhões dos 21 milhões de votantes que estavam registrados para comparecer às urnas. Estima-se que muitos não votaram por estarem fora do país, de onde a crise econômica e o endurecimento do regime político expulsaram 5 milhões de pessoas nos últimos anos.

A Venezuela, que tem as maiores reservas de petróleo do mundo, enfrenta um colapso econômico provocado pela má gestão e pela queda na década passada do preço do produto. O colapso foi agravado pelas sanções contra a estatal petrolífera PDVSA baixadas no governo de Donald Trump. Desde 2013, ano da morte de Hugo Chávez, o PIB teve queda de 75%.

A informação é do jornal O Globo.

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