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Amazonas teve o segundo maior número de homicídios de indígenas em 2025, aponta relatório do Cimi

Os estados que registraram maior número de casos foram, novamente, Roraima (82), Amazonas (47) e Mato Grosso do Sul (37).

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O Amazonas registrou o segundo maior número de homicídios de indígenas do Brasil em 2025, de acordo com o relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – Dados de 2025, divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Veja a íntegra do relatório.

Os casos de “Violência contra a Pessoa” são sistematizados no segundo capítulo do relatório. Em 2025, foram registrados 258 assassinatos de indígenas, número consideravelmente maior do que os 211 casos registrados no ano anterior. Os estados que registraram maior número de casos foram, novamente, Roraima (82), Amazonas (47) e Mato Grosso do Sul (37).

As informações compiladas pelo Cimi a partir de dados obtidos junto ao SIM, às secretarias estaduais de saúde e à Sesai totalizaram 215 suicídios indígenas em 2025, superando os 208 registrados no ano anterior. Amazonas (77), Mato Grosso do Sul (42) e Roraima (37) foram os estados com maior número de casos. Os suicídios mantiveram-se concentrados entre os jovens, com maior incidência entre indígenas de 20 a 29 anos (41%) e até 19 anos (34%).

Dados coletados das mesmas fontes totalizaram 1.024 óbitos de bebês e crianças indígenas até 4 anos de idade, aumento significativo em relação aos 922 casos contabilizados no ano anterior. Os maiores números foram registrados nos estados do Amazonas (306), Roraima (158) e Mato Grosso (123).

A análise dos casos tipificados como racismos registrados evidencia contextos de violência sistemática e multifacetada contra os povos indígenas no Brasil, a qual pode ser pensada a partir de dimensões interligadas, abrangendo agressões físicas, assassinatos, expropriações territoriais, invasões e cerceamento do direito às culturas, línguas, crenças, práticas culturais e formas de organização da vida dos povos indígenas.

Para a discussão, consideram-se algumas destas dimensões. Observa-se que a violência é sistêmica, com casos de racismo e discriminação distribuídos por 17 unidades federativas, abrangendo todas as regiões do país. Mato Grosso do Sul é, mais uma vez, o estado com o maior número de registros, totalizando 8 casos, seguido pelos estados do Amazonas, Mato Grosso e Rio Grande do Sul, cada um com 5 casos e pelo Maranhão e São Paulo, estados nos quais foram registraram 4 casos cada.

No conjunto de casos de racismo e discriminação étnico-racial documentados, 12% ocorreu em ambientes educacionais, sendo 8 deles localizados no interior de instituições universitárias, nos estados do Amazonas, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Maranhão, Pará e Roraima.

Foram registrados 210 casos de invasão possessória, exploração ilegal de recursos naturais e danos diversos ao patrimônio em 2025, que atingiram ao menos 151 Terras Indígenas (TIs) em 20 estados do país. Do conjunto de TIs afetadas por casos registrados nesta categoria, a maioria – 88, o equivalente a 58,3% – são áreas já regularizadas, uma diferença em relação à categoria de conflitos relativos a direitos territoriais.

No caso das invasões e danos ao patrimônio indígena, os estados que registraram maior número de casos e de TIs afetadas foram Amazonas (39 casos em 32 TIs), Pará (32 casos em 20 TIs), Mato Grosso (25 casos em 18 TIs), Mato Grosso do Sul (18 casos, que afetaram 13 TIs), Maranhão (15 casos, 10 TIs) e Rondônia (15 casos, 9 TIs).

Entre os tipos mais comuns de invasões e danos registrados, destacam-se a retirada, retenção ou danificação de cursos d’água, rios e nascentes, que afetou 46 territórios indígenas – em muitos casos, relacionada à drenagem de rios para a irrigação de monocultivos e à contaminação por agrotóxicos de lavouras vizinhas aos territórios ou por atividades de mineração e garimpo.


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