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El Niño de 2026-2027 bate recorde e se tornar o mais intenso da era moderna, aponta NOAA
O fenômeno de 2026 estabelece um novo recorde de intensidade, mas ainda pode se fortalecer nas próximas semanas. A previsão é de que o pico ocorra entre outubro e novembro.
O El Niño de 2026-2027 já é considerado o mais intenso já registrado, segundo dados divulgados pela Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA) , órgão dos Estados Unidos responsável pelo monitoramento do fenômeno. Em relatório publicado nesta segunda-feira (28/09), a agência informou que a anomalia de temperatura na região central do Pacífico, medida pelo índice Índice Oceânico Niño (ONI) no setor Niño 3.4, chegou a 3,1°C acima da média.
O valor supera o registrado durante o El Niño de 2015-2016, que havia alcançado aproximadamente 3°C acima do normal. Com isso, o fenômeno de 2026 estabelece um novo recorde de intensidade, mas ainda pode se fortalecer nas próximas semanas. A previsão é de que o pico ocorra entre outubro e novembro. Caso a tendência continue, a diferença em relação aos registros anteriores poderá aumentar ainda mais.
Apesar do recorde de intensidade, especialistas ressaltam que isso não significa, necessariamente, que os impactos serão os maiores da história. As consequências do El Niño dependem também de outros fatores atmosféricos e oceânicos, que podem ampliar ou reduzir os efeitos do fenômeno em diferentes regiões.
O cenário mantém a necessidade de acompanhamento constante das condições meteorológicas, especialmente diante da possibilidade de mudanças no padrão de chuva e de outros eventos extremos associados à atuação do fenômeno.
Os dados apontam que o El Niño de 2026-2027 se tornou o mais intenso da história moderna com força jamais vista nos últimos 150 anos e as anomalias de temperatura da superfície do mar não têm precedentes desde o começo dos registros regulares.
A marca histórica não surpreende, uma vez que por meses se alertava que este evento acabaria sendo extremo e com potencial de se transformais no mais intenso em séculos. O recorde ocorre dois meses antes do que o pico anterior registrado em novembro de 2015, e do El Niño de 1877, que contribuiu para uma fome que dizimou entre 3% e 4% da população mundial.
Pelo indicador ONI, este El Niño também já superou eventos historicamente significativos registrados em 1982-1983 e 1997-1998. Levantamento da MetSul com base em dados semanais da NOAA e calculados pelo método ONI mostra que o maior valor de anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 entre os episódios de Super El Niño antes do recorde de 2026 tinha sido registrado no evento de Super El Niño 2015-2016, quando a anomalia semanal alcançou 3,0°C na semana de 18 de novembro de 2015, seguido por 2,6°C no Super El Niño de 1982-1983, na semana de 29 de dezembro de 1982.
O recorde de agora era prenunciado pelo Pacífico ter atingido o status de El Niño muito fortes bem antes de qualquer evento do fenômeno na história recente. Com dados do ONI, nunca nos tempos modernos o Pacífico atingiu o patamar de Super El Niño tão precocemente como em 2026.
O Super El Niño de 2026 segue em rápida intensificação no Pacífico Equatorial e caminha para se tornar extremo. Dados oceânicos e atmosféricos indicam que o aquecimento das águas na faixa equatorial avançou de forma acelerada nas últimas semanas enquanto projeções de longo prazo apontam para um pico entre novembro e dezembro.
As projeções de longo prazo são particularmente impressionantes. Dados do modelo de clima europeu (ECMWF) indicam que o evento de 2026-2027 poderá alcançar o maior pico em décadas de registros comparáveis com anomalia pelo índice ONI no fim do ano ao redor de +4ºC.
O fato deste El Niño ser o mais intenso da história não necessariamente significa que o Sul do Brasil terá as maiores enchentes da história ou o Norte e Nordeste a maior seca já observada. Uma série de fatores atmosféricos em paralelo ao El Niño, e que variam muito, determinam que as consequências sejam mais ou menos graves nos diferentes estados brasileiros a cada episódio.
Historicamente, no Norte do Brasil, o El Niño costuma provocar diminuição das chuvas, especialmente no Norte e no Leste da Amazônia. O resultado é um período mais seco e quente, que favorece a propagação de queimadas e agrava incêndios florestais.
No Sul do Brasil, o fenômeno costuma ter efeitos mais marcantes, com aumento significativo das chuvas e maior frequência de eventos extremos. As duas maiores enchentes da história gaúcha, 1941 e 2024, não se deram no primeiro ano do El Niño e sim no outono do ano seguinte, o que neste episódio corresponderia a 2027.
No Nordeste, os efeitos são ainda mais críticos: a redução acentuada das precipitações pode levar a episódios de seca, comprometendo o abastecimento de água e causando prejuízos significativos à agricultura.
No Centro-Oeste, historicamente, os impactos tendem a ser mais moderados, com uma tendência de chuvas acima da média em algumas áreas, sobretudo mais ao Sul da região, mas acompanhadas por temperaturas mais elevadas.
No Sudeste, há anos em que chove mais, como é o caso deste El Niño, e outros em que o clima fica mais seco e quente, como foi no evento de 2023. Não há um padrão claro e consistente de mudança no regime de chuva e temperatura.
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