Economia
Guerra no Oriente Médio estimula maior inflação do 1º semestre desde 2022, dizem economistas
Segundo economistas, o conflito no Irã estimulou o aumento dos preços neste ano.
O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), considerado índice oficial de inflação no Brasil, subiu 0,16% em junho, atingindo 3,36% no primeiro semestre, a maior variação desde 2022 para o período (5,49%), puxado por reajustes de combustíveis e alimentos em meio aos desdobramentos da guerra no Irã. No acumulado em 12 meses, o índice chegou a 4,64%, superando o teto da meta perseguida pelo Banco Central.
Inflação oficial sobe 0,16% em junho. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), considerado índice oficial de inflação no Brasil, subiu 0,16% em junho, ante 0,24% em junho de 2025 e ante 0,58% em maio último.
IPCA acumulado nos últimos 12 meses estoura o teto da meta. Com a alta expressiva nos primeiros seis meses deste ano, a inflação nacional avançou 4,64% desde julho do ano passado, variação que mantém o índice acima da margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para a meta definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), em 3%, entre 1,5% e 4,5%. Em maio, a variação em 12 meses estava em 4,72%.
Habitação desacelerou em junho, mas mantém inflação pressionada. O grupo variou 0,63% em junho, abaixo do 1,22% de maio, com o recuo no subitem energia elétrica residencial, que saiu de 3,67% para 1,53%, ainda figurando como o principal impacto individual no resultado do mês (0,06 p.p.).
Alimentação e bebidas recuou 0,24% no mês. A retração, após a alta de 1,33% em maio, contou com queda de preços na alimentação no domicílio, que variou -0,39%, ante a alta de 1,65% no mês anterior, com influência das quedas do café moído (-3,72%), das frutas (-1,58%) e das carnes (-0,64%). No lado das altas destacam-se o feijão-carioca (8,31%) e a batata-inglesa (3,57%).
Transportes puxam inflação em junho com passagens aéreas mais caras. A variação do grupo de 0,17% refletiu alta de 7,12% das passagens aéreas, que foi atenuada pelo recuo de 0,48% nos combustíveis, todos em queda: etanol (-3,09%), óleo diesel (-1,19%), gás veicular (-0,19%) e gasolina (-0,12%).
Semestre
Apesar de desaceleração em junho, inflação fechou semestre em patamar elevado. Segundo economistas, o conflito no Irã estimulou o aumento dos preços neste ano. A guerra iniciada no final de fevereiro resultou no fechamento do Estreito de Hormuz, rota de 20% do petróleo mundial. A decisão fez o preço do petróleo disparar mais de 62%, o que impactou a cadeia de preços dos combustíveis e criou um efeito cascata para a distribuição mundial de produtos.
Inflação do primeiro semestre é a mais alta em quatro anos. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acumulado dos seis primeiros meses deste ano atingiu 3,36%. O índice não superava os 3% desde 2022, mostram dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
“O principal canal de transmissão [da inflação neste ano] foi o petróleo, já que a escalada das tensões e as restrições ao tráfego no Estreito de Hormuz elevaram rapidamente as cotações internacionais do petróleo Brent, pressionando diesel, gasolina, fretes e diversos custos logísticos”, diz Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.
Além da guerra, clima e nível de desemprego também contribuíram. Os pontos foram levantados por Humberto Aillon, professor da Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras). “Do lado do clima, tivemos a quebra na oferta de alimentos. No mercado de trabalho, temos o percentual de desemprego que está nas mínimas, o que pressiona a nossa economia e deixa o Banco Central com poucas opções de manobra.”
Alimentos e combustíveis
Preço dos alimentos e bebidas tem a maior alta semestral em quatro anos. A variação de 4,56% do grupo de despesas no primeiro semestre é a maior desde 2022 (8,42%). O desempenho foi puxado pela alta expressiva, de 5,27%, da alimentação no domicílio, que também registrou a maior alta desde 2022 (10,22%).
Clima prejudicou a produção e alcançou o bolso das famílias. Os eventos são apontados como determinantes para a redução da disponibilidade dos alimentos e o inevitável aumento dos preços. “Eventos climáticos adversos reduziram a produtividade, comprometeram a oferta e elevaram significativamente os preços”, diz Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.
Valor as verduras disparou no primeiro semestre deste ano. A alta de 13,91% foi resultado de efeitos climáticos que afetaram a produção dos alimentos. No período, os preços do tomate (82,4%), da batata-inglesa (82,11%) e da cenoura (103,1%) dobraram. As frutas, por sua vez, tiveram deflação de 2,42% desde o início deste ano.
Carnes têm a maior inflação em cinco anos para o primeiro semestre. O IPCA mostra as proteínas 5,6% mais caras do que em dezembro, a maior variação desde 2021 (7,25%). Entre os cortes, o preço da picanha saltou 7,15%, maior alta desde que entrou no cálculo do índice, em 2020.
Combustíveis de veículos saltaram 5,49%, maior alta desde 2022 (7,53%). Guiada pelos efeitos da guerra, a variação foi impulsionada pelo aumento de 15,68% do preço do óleo diesel, maior inflação para o produto também desde 2022 (33,39%). O preço da gasolina, por sua vez, subiu 6,37% entre janeiro e junho.
O que é o IPCA
Inflação oficial é calculada a partir de 377 produtos e serviços. A escolha dos itens tem como base o consumo das famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos. O cálculo final considera um peso específico para cada um dos itens analisados pelo indicador.
IPCA abrange a evolução dos preços em nove grandes grupos. As análises consideram as variações apresentadas por itens das áreas de alimentação e bebidas, artigos residenciais, comunicação, despesas pessoais, educação, habitação, saúde e cuidados pessoais, transportes e vestuário.
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