Economia
Preços de aparelhos de ar-condicionado caem até 17%, mesmo com previsão de calor, diz consultoria
A expectativa é de aumento da demanda mais cedo, o que pode mudar o cenário de preços em pouco tempo.
Como consequência do fenômeno climático El Niño, ondas de calor já chegam antes do previsto pelos meteorologistas. E, como as temperaturas mais baixas do inverno predominaram no sul e sudeste do país, os preços de aparelhos de ar-condicionado estão em baixa, abrindo uma oportunidade para quem quer se preparar para o calorão que especialistas estão prevendo para esta segunda metade do ano.
De acordo com o monitoramento de preços da Confi Neotrust, que rastreia os valores apresentados por lojas na internet, os aparelhos de refrigeração de ar registram descontos de 14% a 17% nos preços na comparação com o registrado em 2025.
Os aparelhos de 12 mil BTUs, mais populares e que representam quase a metade da fatia das vendas de ar-condicionado na internet, registram redução de 14,9% no preço médio.

Preços devem subir com os termômetros
Com as altas temperaturas que podem afetar o centro-sul do país antes do previsto por conta do El Niño, a demanda pelos aparelhos pode aumentar, fazendo os preços dispararem. A indústria pode ter dificuldade de acompanhar o crescimento dos pedidos com tanta rapidez, dizem representantes do setor:
— O setor depende muito da intensidade e da persistência do calor nos principais mercados consumidores. Quando o clima é menos favorável para a compra, como está acontecendo neste inverno, com as temperaturas mais amenas, parte do consumidor adia a decisão — avalia Jorge Nascimento, presidente da Eletros, que representa as principais marcas de eletroeletrônicos do Brasil.
Os preços em baixa também são reflexo de estoques ainda cheios, diz Toríbio Rolon, diretor de Economia da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava).
Ainda que a demanda possa aumentar num futuro próximo, o custo financeiro do produto no estoque cria um gargalo para o revendedor. Ele afirma que a taxa de juro no atual patamar — hoje a Selic está em 14% — ainda restringe o distribuidor a aumentar as compras para revenda:
— Se reduz a demanda, os principais clientes compradores dizem “tenho estoque, prefiro aguardar”. Quando o empresário compra hoje, mesmo que ele seja faturado em 150 dias, estamos falando de um estoque que custa quase 2% ao mês— diz ele sobre a conta que o distribuidor também tem feito.
Seca no Nordeste é outro fator
Também um efeito do El Niño, a seca no Norte do país também pode contribuir para a pressão nos preços dos aparelhos quando a temperatura subir. Como quase a totalidade dos aparelhos de refrigeração de ar brasileiros são produzidos na Zona Franca de Manaus, o escoamento dos produtos pelos Rios Negro e Amazonas pode ficar difícil, prejudicando os dois sentidos: a entrada de insumos para a produção dos aparelhos e o envio deles já prontos para outras regiões.
— Uma seca severa pode restringir a navegação, elevar fretes, aumentar o tempo de transporte e exigir operações logísticas adicionais — diz Nascimento, da Eletros, ponderando que a indústria instalada é capaz de atender a uma “demanda surpresa”, ainda que haja restrição na chegada de matéria-prima. — É claro que uma estiagem mais intensa amplia custo e complexidade para toda a cadeia.
Mas, para além do El Niño, os preços dos aparelhos de refrigeração de ar podem custar mais caro por consequências vindas de fora do continente. O conflito entre EUA e Irã, avalia Nascimento, pode contribuir para salgar o preço do ar condicionado. Isso porque o aumento dos custos derivados da alta do petróleo tende a encarecer a matéria-prima da produção dos aparelhos para combater o calorão:
— A alta do petróleo afeta diretamente fretes marítimos e rodoviários e também insumos importantes, como resinas plásticas, espumas, embalagens e derivados utilizados na produção de eletroeletrônicos — disse o presidente da Eletros, afirmando que a cadeia de produção do eletrodoméstico possui “longas rotas” e, consequentemente, tem consequência desse que chamou de “efeito relevante”.
Além do custo do aparelho, a instalação também é um serviço necessário e que pode apresentar vantagem neste momento. Com a baixa demanda durante o inverno, é até possível negociar mais descontos para além dos preços mais baixos com quem instala:
— É algo que precisa também ser levado em conta. No verão, há corrida e o preço sobe — diz Santos, da Abrava.
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