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Economia

El Niño pode mais que dobrar o custo do transporte de contêineres em Manaus, aponta estudo

Estudo da Alvarez & Marsal aponta que o preço do contêineres pode subir em até 147% em situações extremas; cenário, porém, não deve ser igual ao de 2023.

A estiagem na Amazônia, em decorrência dos efeitos do El Niño, pode elevar em até 147% o custo unitário do transporte marítimo de contêineres em Manaus, segundo dados do estudo da A&M Infra, da Alvarez & Marsal, elaborado para a ABAC (Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem). A informação é da CNN Brasil.

O percentual leva em consideração o cenário considerado mais severo do estudo com uma restrição de calado na Hidrovia da Barra Norte que diminuiria a profundidade da hidrovia de 11,5 metros para 8,3 metros. Neste cenário, também haveria uma redução de 55% na capacidade do transporte da carga.

O documento também menciona a possibilidade de restrições de calado no trecho entre Itacoatiara e Manaus e limitações de navegabilidade nesses trechos.

Diante da previsão de um El Niño intenso em 2026 e 2027 e do risco de redução dos níveis dos rios da Região Norte, o governo já elabora planos de contingência para enfrentar eventuais restrições à navegação.

Em 2023, quando precisou haver a paralisação do transporte de cargas nos rios do Norte do país por conta da seca, que também foi provocada pelo fenômeno El Niño, o calado da Hidrovia da Barra Norte chegou a 6,5m.

No ano seguinte, o mesmo cenário se reproduziu. No segundo semestre de 2024, a seca dificultou o transporte de mercadoria na região norte.

O levantamento considera uma operação teórica de cabotagem e não representa custos ou resultados financeiros de empresas específicas. O objetivo do estudo é dimensionar os possíveis impactos provocados pela redução da navegabilidade dos rios durante o El Niño deste ano.

No cenário com restrição de 2 metros no calado, por exemplo, a capacidade de transporte cairia 35%, enquanto o custo unitário de um contêiner cheio aumentaria 63%.
A pressão sobre os custos ocorre porque a redução do calado obriga os navios a transportar menos carga.

O diretor-executivo da ABAC, Luis Resano, afirmou que mesmo com a restrição de navegação, “os principais custos da operação permanecem”. Ele completou destacando a necessidade de “avançar em soluções estruturais que deem maior previsibilidade à navegação”.

O estudo considera custos como afretamento, combustível, praticagem e operação, além de despesas adicionais com armazenagem de contêineres que deixam de ser embarcados por causa das restrições.

Impacto na operação

O problema não se limita ao aumento do custo por contêiner. De acordo com o estudo, restrições de calado podem provocar atrasos, omissões de escalas – quando a embarcação não faz uma parada já programada no porto -, transbordos adicionais e dificuldades para o reposicionamento de contêineres vazios.

De acordo com o estudo, como o serviço de cabotagem opera com escalas regulares, um atraso em Manaus pode se propagar para os demais portos da rota e comprometer a programação por semanas ou até meses. Portanto, a consequência pode se espalhar por toda a cadeia logística.

Com menos espaço disponível nos navios, parte da demanda precisa recorrer a alternativas mais caras e lentas. O estudo cita, por exemplo, a possibilidade de utilização do transporte rodoviário entre Santos e Manaus.

A dependência da navegação é particularmente relevante para Manaus porque a região possui poucas alternativas para o transporte de cargas. A capital amazonense não possui ligação ferroviária.

Além disso, a BR-319, principal conexão rodoviária com as demais regiões, também não tem pavimentação contínua.


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