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Wagner Moura é capa da revista Time como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo
‘Há algo nele que remete à velha Hollywood, a ponto de parecer uma exceção entre a maioria dos atores contemporâneos’, diz a publicação.

Mais um gol de Wagner Moura. O ator, que concorreu ao Oscar de melhor atuação por “O agente secreto”, foi escolhido pela revista Time como uma das pessoas mais influentes do mundo. A eleição é uma das marcas da publicação, que, neste ano, selecionou também a atriz Zoe Saldaña, a comediante Nikki Glaser e o cantor Luke Combs no segmento de cultura.
O tributo a Wagner foi escrito pelo colega Jeremy Strong, da série “Succession”.
“Tive a honra de integrar o júri do Festival de Cannes no ano passado”, escreveu Strong. “Numa noite, sentei-me no fundo do enorme teatro do Palais e assisti, com admiração e deslumbramento, a Wagner Moura nos conduzir pela Recife dos anos 1970 e, depois, nos levar a um lugar reservado a atuações transcendentes: ao coração da vida. O júri lhe concedeu o prêmio de Melhor Ator. Há muito uma lenda no Brasil, ele já está no palco mundial há algum tempo. Mas, neste último ano, Moura rompeu o teto do mundo.”
Strong continuou:
“Também em Cannes no ano passado, Robert De Niro fez um discurso em que disse: ‘Fascistas deveriam temer a arte.’ Moura, que viveu sob o governo de direita de Jair Bolsonaro de 2019 a 2023, é alguém que entende que democracia e liberdade são coisas pelas quais é preciso lutar todos os dias (uma ideia para a qual nosso país, tantas vezes sonolento, está despertando rapidamente). Moura não tem medo de usar o poder humanizador e mobilizador da arte como arma. De ‘O agente secreto’ à sua estreia na direção de longas, ‘Marighella’ (uma denúncia da ditadura militar brasileira), passando por seu trabalho nos palcos no ano passado, em uma adaptação de ‘Um inimigo do povo’, de Ibsen (até onde você está disposto a ir para lutar pela verdade?) — ele é uma força do político e do humano, uma dupla da qual precisamos desesperadamente de mais. Quando De Niro disse que fascistas deveriam temer a arte, ele estava falando de artistas como Moura. Do tipo de artista de que precisamos mais do que nunca agora.”
No post publicado no Instagram, o perfil da revista exaltou Wagner como um “antídoto analógico” com um trecho da reportagem, assinada pela crítica de filmes Stephanie Zacharek.
“Há algo nele que remete à velha Hollywood, a ponto de parecer uma exceção entre a maioria dos atores contemporâneos. Seu charme discreto e senso de humor travesso equilibram qualquer tendência ao excesso de seriedade, e é fácil imaginá-lo com um robe ao estilo dos anos 1930, fumando sem fumar, se é que você me entende. Ele não usa redes sociais, ouve música em vinil e dirige um Volkswagen Fusca de 1959. Em um mundo cada vez mais digital, ele é o antídoto analógico de que não sabíamos que precisávamos. Curiosamente, Moura quase não se tornou ator: ele se formou em jornalismo. Aqueles anos de faculdade, e os autores que leu, foram reveladores para ajudá-lo a entender como arte e política se entrelaçam.”
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