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Ex-diretores do Banco Central mudaram voto e autorizaram Master em 2019, diz site

Paulo Souza (afastado), Maurício Moura, Carolina de Assis Barros e Otávio Damaso deram aval para operação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, durante a gestão de Campos Neto.

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Quatro ex-diretores do Banco Central mudaram seus votos e autorizaram Daniel Vorcaro a comprar o Banco Máxima, em 2019, para fundar o Banco Master. São eles: Maurício Moura (Relação Institucional e Cidadania), Carolina de Assis Barros (Administração), Paulo Sérgio Neves de Souza (Fiscalização) e Otávio Ribeiro Damaso (Regulação). A informação é do site Poder360.

As votações foram unânimes. Em fevereiro, na gestão Ilan Goldfajn, ex-presidente do BC indicado pelo governo Michel Temer (MDB), todos votaram contra a operação. Em outubro, sob o comando de Roberto Campos Neto, o placar foi de 8 X 0 para dar o aval a Vorcaro.

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Eis quem indicou os ex-diretores:

Otávio Ribeiro Damaso – Dilma (foi reconduzido ao cargo nos governos Temer e Jair Bolsonaro);

Carolina de Assis Barros, Maurício Moura e Paulo Sérgio Neves de Souza – Temer (foram reconduzidos aos cargos no governo Bolsonaro).

Paulo Souza foi afastado do Banco Central depois de indícios de que ele recebia mesada de Vorcaro, segundo a Polícia Federal. O ex-diretor ficou de setembro de 2017 a julho de 2023 no cargo, durante os governos Temer e Bolsonaro. O ex-banqueiro está preso após investigação de fraudes.

O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta atribuir culpa ao governo Bolsonaro por negligência. Aliados do presidente defendem que o governo anterior não impediu que o caso Master se tornasse o maior escândalo bancário do país, com um rombo de R$ 52 bilhões no FGC (Fundo Garantidor de Crédito).

Indicado pelo governo, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, frustrou o Planalto ao dizer que as investigações internas da autoridade monetária não atribuem culpa a Roberto Campos Neto, ex-presidente da instituição nomeado por Bolsonaro.

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que Galípolo tentou proteger o ex-presidente, mas disse que o controle interno do BC é insuficiente e pode servir de escudo para proteger as decisões e “omissões” que favoreceram o “ambiente em que o caso Master prosperou”. Na 3ª feira (14.abr), Lula pediu que Galípolo explicasse “quem é quem” no caso.

Em dezembro de 2025, Galípolo disse que a transição de presidência no Banco Central foi “entre amigos”. Ele defendeu que Campos Neto atuou pelo melhor do país na condução da política monetária.

PEDIDO E DIRETORIA

Vorcaro teria pedido, via e-mail, a Paulo Souza que o órgão regulador aprovasse a compra do Banco Máxima, que depois seria chamado de Master. Segundo reportagem do jornal Valor Econômico, a mensagem foi encaminhada em 9 de fevereiro de 2019, mas os diretores do BC votaram por unanimidade pela rejeição do pedido poucos dias depois, em 13 de fevereiro.

Antes disso, Vorcaro demonstrava preocupação com a aprovação do ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro Sidnei Corrêa Marques, que deixou a autoridade monetária em fevereiro de 2019 sem autorizar a operação. “Precisamos resolver isso, precisamos de sua ajuda para que o Sidnei aprove agora, antes da sua saída”, escreveu Vorcaro a Paulo Souza.

Na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado, Galípolo disse que, na decisão de fevereiro de 2019, os diretores da autoridade monetária rejeitaram o pedido porque Vorcaro e seus sócios não conseguiram demonstrar a origem dos recursos utilizados na operação.

Oito meses depois, em 14 de outubro de 2019, com uma nova formação da diretoria colegiada, o Banco Central deu aval à operação por unanimidade. “O entendimento da área técnica é que ele [Vorcaro] apresentou uma outra origem de recurso e que, a partir daí, estava atendido o que antes tinha sido rejeitado”, disse Galípolo em 8 de abril de 2026. Quatro dos 8 integrantes da diretoria se mantiveram de fevereiro a outubro de 2019.

Eis os ex-integrantes da diretoria colegiada indicados por Bolsonaro que aprovaram a operação em outubro de 2019:

Roberto Campos Neto (presidente);
João Manoel Pinho de Mello (Organização do Sistema Financeiro);
Bruno Serra Fernandes (Política Monetária);
Fernanda Nechio (Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos).

A autoridade monetária não tinha um diretor de política econômica nomeado tanto na análise de fevereiro de 2019 quanto na votação de outubro de 2019.

CAMPOS NETO

Campos Neto ficou no comando do Banco Central de fevereiro de 2019 a dezembro de 2024. Galípolo disse que o ex-presidente do BC teria pedido, em 2023, para que houvesse uma análise na carteira do Banco Master à Diretoria de Fiscalização, comandada por Paulo Souza. Em 2024, também solicitou que 3 escritórios de advocacia fizessem uma análise dos ativos.

No fim de 2024, o Master passou por um termo de ajuste de conduta por decisão do Banco Central pela falta de liquidez e atraso no pagamento dos depósitos compulsórios. Foi dado um prazo de 6 meses, em novembro de 2024, para que o banco se ajustasse do ponto de vista de governança, liquidez e capital.

O ex-presidente do Banco Central não compareceu às 3 audiências públicas na CPI do Crime Organizado sobre o caso Master. Ele teve decisão favorável do Supremo Tribunal Federal que o desobrigava a ir.

BANCO MÁXIMA

O Banco Máxima era de Alberto Maurício Caló e Saul Dutra Sabbá. Eles foram alvos de processo administrativo sancionador por irregularidade “grave”, segundo o Banco Central. A infração envolve a simulação de valorização de investimentos em empresa controlada para reduzir prejuízo contábil, o que resulta em demonstração financeira que não reflete a real situação econômica da instituição.

A autoridade monetária decidiu, na época, inabilitar ambos para atuar como administradores de instituição supervisionada pelo Banco Central em julho de 2018.


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