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Brasil

Redução do preço da gasolina reforça expectativa de deflação em julho e agosto, apontam economistas

Economistas calculam que esse alívio no preço pago pelas distribuidoras vai chegar a 2% para os motoristas nos postos de combustíveis.

Foto: Agência Petrobras

A Petrobras anunciou, nesta terça-feira (dia 19) redução de 4,9% no preço da gasolina nas refinarias, a primeira no valor do produto desde dezembro do ano passado. A partir de hoje, o valor médio de venda nas refinarias da estatal passará de R$ 4,06 para R$ 3,86 por litro, um corte de R$ 0,20.

Economistas calculam que esse alívio no preço pago pelas distribuidoras vai chegar a 2% para os motoristas nos postos de combustíveis, que já vêm reduzindo o preço nas bombas na maior parte dos estados nas últimas semanas com o teto para o ICMS sobre combustíveis.

Essa redução, viabilizada por um alívio na cotação internacional do petróleo, reforça a expectativa de deflação entre julho e agosto, quando a campanha eleitoral se intensifica, puxada pelos preços de combustíveis e energia elétrica. André Braz, economista da FGV, prevê uma redução de 0,13 ponto percentual no IPCA, o índice oficial de inflação do país, em trinta dias.

Analistas de inflação já começaram a revisar para baixo suas projeções para o IPCA do ano, o que eles já vinham fazendo desde a aprovação no Congresso Nacional de um limite de 17% para o ICMS, imposto estadual, cobrado sobre combustíveis, energia e transporte já havia levado economistas a reverem suas estimativas.

Segundo André Braz, economista e pesquisador do Ibre/FGV, a redução no preço da gasolina, tem efeito imediato e um peso grande no IPCA, o índice oficial de inflação. Ele estima que o corte na bomba chegue a 2%. O combustível compromete, em média, quase 7% do orçamento familiar:

“Com isso, haverá uma redução de 0,13 ponto percentual no IPCA daqui a trinta dias. O efeito máximo será percebido em agosto. Quando se olha a inflação anual, o índice deve cair da previsão atual de 7,5% para 7,4%, se for mantido o preço atual. A redução da Petrobras é mais um componente que ajuda a diminuir as tensões inflacionárias para 2022″, disse.

O J.P.Morgan revisou suas estimativas. “Agora esperamos que a inflação termine o ano em 7,4%, em vez dos 7,6% que estávamos projetando antes”, afirmaram os economistas Cassiana Fernandez e Vinícius Moreira, em relatório. O banco prevê deflação em julho e uma alta de 0,11% no IPCA de agosto.

Analistas de petróleo já vinham afirmando nos últimos dias que uma redução na gasolina era possível, já que o valor cobrado no mercado doméstico estava acima do praticado no mercado internacional. O diesel, porém, que não teve reajuste, é fator de preocupação diante do aumento da demanda no segundo semestre.

Segundo a Abicom, associação dos importadores deív combu, a queda de 4,9% no valor da gasolina zerou a diferença em relação ao mercado internacional. Antes do anúncio, o combustível era vendido com preço 8% maior no país. Ontem, o diesel tinha valor 3% maior no Brasil em relação ao mercado externo.”Havia espaço para uma queda. É coerente a companhia acompanhar essa paridade. Agora, esperamos que o mesmo movimento ocorra se os preços subirem no exterior e que os valores não fiquem artificiais. Não pode a Petrobras ficar quase 100 dias sem reajuste como ocorreu esse ano. Esperamos que a empresa continue acompanhando a paridade e que essa redução não tenha sido uma ação política”, afirmou Sergio Araujo, presidente da Abicom.

O mercado financeiro entendeu que a redução de preço já era esperada. Os papéis ordinários (com voto) da Petrobras subiram 1,12%, a R$ 31,67, e os preferenciais (sem voto) avançaram 2,03%, a R$ 29,18. Segundo analistas, pesou mais para o comportamento das ações a alta do petróleo no mercado internacional — o contrato para setembro do barril do tipo Brent subiu 1%, para US$ 107,35 —, mas o risco de interferência política segue no radar dos investidores.

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