Amazonas
Após paralisação total com greve de rodoviários por pagamento de salários, ônibus voltam a circular parcialmente em Manaus nesta terça-feira (21/07)
As empresas ainda não deram informações sobre o pagamento dos salários que os rodoviários dizem estar atrasados.
Foto: Divulgação
O sistema de transporte em Manaus voltou a funcionar parcialmente nesta terça-feira (21/07), após uma paralisação de 100%, ontem, quando o Sindicato dos Rodoviários protestou conta o atraso no pagamento dos salários da categoria. De acordo com o presidente da entidade, Givancir Oliveira, as empresas de ônibus descumpriram os prazos de pagamento previstos pela Justiça.
Frota volta a circular de forma parcial
Os ônibus começaram a voltar às ruas de Manaus na madrugada. Segundo o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), cerca de 80% da frota voltou à operação. Desde o início da paralisação, cerca de 350 mil passageiros foram prejudicados.
O Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11) determinou que 80% da frota voltasse às ruas nos horários de pico e 50% nos demais períodos, sob pena de multa de R$ 120 mil por hora em caso de descumprimento.
Sindicato cobra cumprimento da decisão judicial
No início deste mês, o TRT-11 concedeu uma liminar determinando que as empresas paguem 40% dos salários até o dia 20 de cada mês — ou no dia útil anterior, quando a data cair em fim de semana ou feriado — e os 60% restantes até o quinto dia útil do mês seguinte. Segundo o sindicato, esse prazo não foi cumprido na segunda-feira (20).
Ainda na noite de segunda-feira o Sindicato dos Rodoviários informou que decidiu liberar 40% dos ônibus para circular para amenizar o transtorno enfrentado por quem terminava o expediente e dependia do transporte coletivo para voltar para casa. O sindicato afirma que 60% da categoria continua mobilizada, sustentando a paralisação como forma de pressão pelas reivindicações trabalhistas ainda não atendidas.
Justiça considera greve inicialmente abusiva
O Sinetram informou que o TR11 deferiu, na noite desta segunda-feira (20), medida liminar no Dissídio Coletivo de Greve nº 0000593-90.2026.5.11.0000, reconhecendo, em caráter inicial, a abusividade do movimento paredista deflagrado no sistema de transporte coletivo de Manaus.
“Em razão disso, a Justiça determinou a imediata retomada integral da operação do sistema, fixando multa de R$ 120.000,00 por hora de descumprimento, além de determinar que o sindicato profissional se abstenha de promover atos que impeçam ou dificultem o acesso às garagens e a circulação dos veículos das empresas operadoras”, informou o Sinetram.
Governo responde sobre subsídio estudantil
As empresas ainda não deram informações sobre o pagamento dos salários que os rodoviários dizem estar atrasados.
Em nota, o Governo do Amazonas afirma que pagou R$ 31,1 milhões às empresas de ônibus do transporte público de passageiros em 2025 referente ao passe estudantil. O dinheiro foi repassado ao Sinetram (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas).
Estado aponta entrave para liberar recursos
Sobre valores pendentes, o governo informa que adotou providências para viabilizar o pagamento, incluindo depósito judicial. “No entanto, os recursos não foram liberados em razão da recusa do Sinetram em assinar petição conjunta com o Estado do Amazonas necessária para solução do procedimento judicial e consequente liberação dos valores”, afirma na nota.
O esclarecimento é em resposta à alegação do Sindicato dos Rodoviários de que o governo do Estado deixou para a Prefeitura de Manaus arcar com o subsídio da passagem estudantil gratuita.
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