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Vazamento sem precedentes de produto químico em Manaus é considerado grave e mobiliza autoridades
Um grande vazamento de estireno foi registrado por volta das 17h30 numa unidade da Innova da Amazônia. À noite, por voltas das 21h30, o Corpo de Bomeiros informou que o vazamento havia acabado.
O prefeito de Manaus, Renato Junior, classificou como grave o vazamento de gás estireno, registrado em uma indústria localizada no Distrito Industrial na tarde desta quarta-feira (15/07), e anunciou a instalação imediata de um Gabinete de Crise para coordenar as ações de resposta. Ele fez um apelo para que a população siga rigorosamente as orientações dos órgãos de emergência.
“Manaus está, neste momento, em estado de alerta. Peço que a população evite circular nas proximidades da área afetada e acompanhe apenas os comunicados oficiais”, afirmou Renato Junior.
O gabinete de emergência é formado por uma foça tarefa que reúne as secretarias municipais de Saúde (Semsa), Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), Segurança Pública e Defesa Social (Semseg), Assistência Social e Cidadania (Semasc), Agricultura, Abastecimento, Centro e Comércio Informal (Semacc), Administração, Planejamento e Gestão (Semad), Educação (Semed) e Comunicação (Semcom), além da Defesa Civil de Manaus, do Centro de Cooperação da Cidade (CCC), do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) e do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), que atuam de forma integrada durante toda a ocorrência.
Um grande vazamento de estireno foi registrado por volta das 17h30 numa unidade da Innova da Amazônia, (antiga Videolar-Innova), indústria transformados de plásticos. O odor se espalhou por bairros do entorno e levou à evacuação de um shopping próximo ao local.
Moradores de bairros das zonas Sul, Centro Sul de Manaus, relataram sentir o cheiro forte parecido com tinta. O estireno sintético é uma matéria-prima usada na indústria para fabricação de plásticos e borrachas sintéticas. A substância pode irritar os olhos, a pele e as vias respiratórias. Em altas concentrações, a exposição pode afetar o sistema nervoso central e provocar perda de consciência.
Em nota, a empresa confirmou que um dos tanques de monômero de estireno, instalado na Unidade IV, sofreu reação química. De acordo com a Innova, a Brigada de Incêndios da unidade atua no local junto com as equipes do Corpo de Bombeiros e que não há registros de vítimas.
A Defesa Civil do Amazonas informou que a população deve permanecer em local aberto e bem ventilado, manter as portas e janelas abertas para favorecer a circulação do ar e desligar aparelhos que captem ar do ambiente externo, como ar-condicionado e sistemas de ventilação.
Quem estiver na área afetada ou em suas proximidades, a Defesa Civil também orienta que se afaste imediatamente do local do vazamento, deslocando-se para uma área segura, em outra região da cidade, além de evitar transitar pelo Distrito Industrial I e áreas próximas até nova orientação.
O prefeito orientou que moradores e trabalhadores das áreas próximas ao local do vazamento evitem circular na região afetada, utilizem máscara de proteção e sigam todas as recomendações das equipes técnicas. Conforme Renato, a exposição ao gás estireno pode provocar irritação nos olhos, na pele e nas vias respiratórias, além de outros sintomas, principalmente em pessoas mais sensíveis.
A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) reforçou o atendimento nas unidades de saúde próximas à área da ocorrência e que equipes municipais estão mobilizadas para prestar assistência à população dentro das escolas da prefeitura. Além disso, a prefeitura acompanha o trabalho dos órgãos competentes e cobra informações oficiais sobre a evolução da ocorrência.
Bombeiros
O vazamento de gás registrado na tarde desta quarta-feira (15) na Torre 4 da Innova, no Distrito Industrial de Manaus, foi provocado por um superaquecimento em um tanque de estireno, segundo confirmou a tenente Waldenise Santana, do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM). De acordo com a oficial, não houve explosão nem vítimas, e o gás liberado não representa risco letal à população.
Em coletiva concedida no local, a tenente explicou que o aquecimento do tanque fez o gás escapar pela válvula de segurança do próprio equipamento. “Aconteceu um superaquecimento no tanque, por isso que começou a vazar o gás pela válvula de segurança do próprio tanque. E não estourou nada, não explodiu nada”, afirmou.
Segundo Santana, as equipes trabalham no resfriamento do tanque para que o produto armazenado passe do estado líquido para o sólido, o que deve interromper definitivamente o vazamento. “A gente tá esperando chegar esse momento. O vazamento já tá controlado, então a gente só tá fazendo essa parte de rescaldo do tanque, de resfriamento, para evitar que haja mais vazamento”, disse a tenente, acrescentando que o resfriamento é feito com canhões de água do próprio sistema de combate a incêndio da empresa.
A tenente também descartou risco à saúde da população. Segundo ela, o odor sentido nas proximidades — semelhante a solvente, tinta ou verniz — é característico do gás liberado, mas não tem potencial de causar danos. Pessoas que sintam tontura, dor de cabeça ou enjoo devem procurar atendimento médico por precaução, embora, segundo a oficial, não se trate de um gás letal.
Questionada sobre um possível histórico de ocorrências semelhantes na empresa, Santana afirmou que o CBMAM não tem registro de casos anteriores nesse sentido e que as equipes permanecerão no local até a normalização total da situação. Ainda de acordo com a tenente, não há como estimar quando o processo será concluído, já que se trata de um tanque com grande volume de material, e o tempo necessário para o resfriamento completo ainda é incerto. Ela ressaltou, no entanto, que não houve rompimento de nenhum registro ou equipamento — apenas a atuação da válvula de segurança, como previsto em situações de superaquecimento.
À noite, por voltas das 21h30, o Corpo de Bomeiros informou que o vazamento havia acabado. “Não há mais vazamento”, declarou o coronel Orleilso Muniz, comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) à imprensa, em frente fábrica Innova.
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