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Vazamento sem precedentes de produto químico em Manaus é considerado grave e mobiliza autoridades

Um grande vazamento de estireno foi registrado por volta das 17h30 numa unidade da Innova da Amazônia. À noite, por voltas das 21h30, o Corpo de Bomeiros informou que o vazamento havia acabado.

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O prefeito de Manaus, Renato Junior, classificou como grave o vazamento de gás estireno, registrado em uma indústria localizada no Distrito Industrial na tarde desta quarta-feira (15/07), e anunciou a instalação imediata de um Gabinete de Crise para coordenar as ações de resposta. Ele fez um apelo para que a população siga rigorosamente as orientações dos órgãos de emergência.

A Secretaria de Estado de Saúde informou que pelo menos 16 pessoas foram atendidas na rede estadual em função de terem respirado gases que vazaram da empresa.

“Manaus está, neste momento, em estado de alerta. Peço que a população evite circular nas proximidades da área afetada e acompanhe apenas os comunicados oficiais”, afirmou Renato Junior.
O gabinete de emergência é formado por uma foça tarefa que reúne as secretarias municipais de Saúde (Semsa), Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), Segurança Pública e Defesa Social (Semseg), Assistência Social e Cidadania (Semasc), Agricultura, Abastecimento, Centro e Comércio Informal (Semacc), Administração, Planejamento e Gestão (Semad), Educação (Semed) e Comunicação (Semcom), além da Defesa Civil de Manaus, do Centro de Cooperação da Cidade (CCC), do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) e do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), que atuam de forma integrada durante toda a ocorrência.

Um grande vazamento de estireno foi registrado por volta das 17h30 numa unidade da Innova da Amazônia, (antiga Videolar-Innova), indústria transformados de plásticos. O odor se espalhou por bairros do entorno e levou à evacuação de um shopping próximo ao local.

Moradores de bairros das zonas Sul, Centro Sul de Manaus, relataram sentir o cheiro forte parecido com tinta. O estireno sintético é uma matéria-prima usada na indústria para fabricação de plásticos e borrachas sintéticas. A substância pode irritar os olhos, a pele e as vias respiratórias. Em altas concentrações, a exposição pode afetar o sistema nervoso central e provocar perda de consciência.

Em nota, a empresa confirmou que um dos tanques de monômero de estireno, instalado na Unidade IV, sofreu reação química. De acordo com a Innova, a Brigada de Incêndios da unidade atua no local junto com as equipes do Corpo de Bombeiros e que não há registros de vítimas.

A Defesa Civil do Amazonas informou que a população deve permanecer em local aberto e bem ventilado, manter as portas e janelas abertas para favorecer a circulação do ar e desligar aparelhos que captem ar do ambiente externo, como ar-condicionado e sistemas de ventilação.

Quem estiver na área afetada ou em suas proximidades, a Defesa Civil também orienta que se afaste imediatamente do local do vazamento, deslocando-se para uma área segura, em outra região da cidade, além de evitar transitar pelo Distrito Industrial I e áreas próximas até nova orientação.

O prefeito orientou que moradores e trabalhadores das áreas próximas ao local do vazamento evitem circular na região afetada, utilizem máscara de proteção e sigam todas as recomendações das equipes técnicas. Conforme Renato, a exposição ao gás estireno pode provocar irritação nos olhos, na pele e nas vias respiratórias, além de outros sintomas, principalmente em pessoas mais sensíveis.

A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) reforçou o atendimento nas unidades de saúde próximas à área da ocorrência e que equipes municipais estão mobilizadas para prestar assistência à população dentro das escolas da prefeitura. Além disso, a prefeitura acompanha o trabalho dos órgãos competentes e cobra informações oficiais sobre a evolução da ocorrência.

Bombeiros

O vazamento de gás registrado na tarde desta quarta-feira (15) na Torre 4 da Innova, no Distrito Industrial de Manaus, foi provocado por um superaquecimento em um tanque de estireno, segundo confirmou a tenente Waldenise Santana, do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM). De acordo com a oficial, não houve explosão nem vítimas, e o gás liberado não representa risco letal à população.

Em coletiva concedida no local, a tenente explicou que o aquecimento do tanque fez o gás escapar pela válvula de segurança do próprio equipamento. “Aconteceu um superaquecimento no tanque, por isso que começou a vazar o gás pela válvula de segurança do próprio tanque. E não estourou nada, não explodiu nada”, afirmou.

Segundo Santana, as equipes trabalham no resfriamento do tanque para que o produto armazenado passe do estado líquido para o sólido, o que deve interromper definitivamente o vazamento. “A gente tá esperando chegar esse momento. O vazamento já tá controlado, então a gente só tá fazendo essa parte de rescaldo do tanque, de resfriamento, para evitar que haja mais vazamento”, disse a tenente, acrescentando que o resfriamento é feito com canhões de água do próprio sistema de combate a incêndio da empresa.

A tenente também descartou risco à saúde da população. Segundo ela, o odor sentido nas proximidades — semelhante a solvente, tinta ou verniz — é característico do gás liberado, mas não tem potencial de causar danos. Pessoas que sintam tontura, dor de cabeça ou enjoo devem procurar atendimento médico por precaução, embora, segundo a oficial, não se trate de um gás letal.

Questionada sobre um possível histórico de ocorrências semelhantes na empresa, Santana afirmou que o CBMAM não tem registro de casos anteriores nesse sentido e que as equipes permanecerão no local até a normalização total da situação. Ainda de acordo com a tenente, não há como estimar quando o processo será concluído, já que se trata de um tanque com grande volume de material, e o tempo necessário para o resfriamento completo ainda é incerto. Ela ressaltou, no entanto, que não houve rompimento de nenhum registro ou equipamento — apenas a atuação da válvula de segurança, como previsto em situações de superaquecimento.

À noite, por voltas das 21h30, o Corpo de Bomeiros informou que o vazamento havia acabado. “Não há mais vazamento”, declarou o coronel Orleilso Muniz, comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) à imprensa, em frente fábrica Innova.


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