Mundo
Trump intimida jornalistas do NYT para revelarem fontes de reportagens
Departamento de Justiça exigiu registros telefônicos de repórteres e familiares para rastrear fontes sobre o novo Air Force One
Foto: Reprodução/Youtube
O governo de Donald Trump ampliou o cerco contra jornalistas do New York Times ao exigir que empresas de telefonia entreguem registros de chamadas e mensagens de repórteres e de seus familiares. A ofensiva do Departamento de Justiça dos Estados Unidos busca identificar fontes de reportagens sobre falhas de segurança no novo Air Force One recebido do Qatar.
A dimensão da investida foi revelada em uma petição apresentada pelo New York Times e tornada pública nesta segunda-feira (20) pela Justiça federal em Nova York. A informação foi publicada no Brasil pela Folha de S.Paulo. As intimações atingem até a mãe de uma repórter e os cônjuges de outros dois jornalistas.
Trump manda vasculhar registros de familiares dos jornalistas
Os pedidos enviados às empresas telefônicas alcançam números associados aos profissionais do New York Times e buscam informações sobre chamadas e mensagens. A mãe incluída nas intimações trabalha na área de saúde mental e mantém relações confidenciais com pacientes. Um dos cônjuges atingidos ocupa um cargo jurídico de alto escalão em um escritório de advocacia.
Duas intimações exigem registros a partir de 1º de janeiro de 2026, mais de seis meses antes das reportagens publicadas em 8 e 9 de julho que motivaram a investigação. Para os advogados do jornal, o período mostra que o governo Trump tenta mapear de forma mais ampla as relações dos jornalistas com fontes confidenciais.
O New York Times acusa o Departamento de Justiça de agir de má-fé e usar o aparato estatal para intimidar profissionais da imprensa. O jornal também afirma que o governo ignorou regras internas destinadas a limitar investigações que atinjam o trabalho jornalístico.
O juiz federal Arun Subramanian suspendeu temporariamente o cumprimento das intimações. Uma audiência marcada para quinta-feira (23), em Manhattan, deverá analisar o pedido do jornal para anular as ordens.
Reportagens sobre Air Force One estão no centro do cerco
A ofensiva começou após o New York Times publicar reportagens sobre problemas de segurança no Boeing 747-8 doado pelo Qatar ao governo dos Estados Unidos. A administração Trump destinou cerca de US$ 400 milhões à adaptação e modernização da aeronave.
Segundo o jornal, o avião não possuía alguns dos recursos defensivos instalados no antigo Air Force One, entre eles capacidades antimísseis. Trump usou a aeronave em uma viagem à Turquia, mas deixou o país no modelo anterior após uma recomendação do Serviço Secreto.
Além dos registros telefônicos, três jornalistas foram intimados em 10 de julho a prestar depoimento perante um grande júri federal. As ordens buscam obrigá-los a fornecer informações que permitam identificar funcionários públicos apontados como responsáveis pelo vazamento.
A Fórum já havia mostrado que agentes federais foram às casas de jornalistas do New York Times para entregar as intimações. O jornal classificou a medida como uma tentativa de punir reportagens protegidas pela Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos.
Departamento de Justiça tenta justificar investida de Trump
O Departamento de Justiça afirma que os jornalistas não são alvos da investigação e que o objetivo seria identificar pessoas que divulgaram informações classificadas. Segundo a pasta, os números de familiares apareceram porque um banco de dados policial os relacionava aos repórteres.
O governo declarou que deixará de cobrar os registros caso conclua que os telefones não eram usados pelos jornalistas. Até a apresentação da resposta à Justiça, as empresas ainda não haviam entregado as informações solicitadas.
O Comitê para a Proteção dos Jornalistas classificou as intimações como uma escalada nas tentativas de Trump de ameaçar e intimidar veículos independentes. A entidade alertou para o efeito da ofensiva sobre jornalistas e fontes em todo o país.
A decisão do juiz Arun Subramanian definirá se o governo Trump poderá prosseguir com a cobrança dos registros e dos depoimentos ou se as intimações serão anuladas por violarem as proteções concedidas ao trabalho da imprensa e às fontes confidenciais.
Com informações do site Forum
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