Conecte-se conosco

Brasil

Ministro Gilmar Mendes segue o colega Zanin e também ordena à Polícia Federal remessa do conteúdo do celular de Vorcaro

O ministro André Mendonça se manifestou mais cedo de forma contrária ao compartilhamento do material.

Foto: Divulgação/STF

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou à Polícia Federal na noite deste domingo a remessa ao seu gabinete do conteúdo do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, seguindo a mesma manifestação de Cristiano Zanin.

O episódio é mais um capítulo do embate entre ministros às vésperas do julgamento que pode autorizar uma investigação sobre a conduta de Alexadre de Moraes. Mais cedo, o ministro André Mendonça enviou ofício ao presidente do STF, Edson Fachin, reforçando sua posição contrária ao
compartilhamento de todo esse material, alegando que poderia haver prejuízo a investigações em andamento. Também criticou a manifestação anterior do próprio Zanin que considera que o material
deveria se tornar público.

Em despacho enviado ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, Gilmar diz que o material é importante para análise por ser a origem das mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes.
Em relatório que será objeto de julgamento, a PF registra que Vorcaro envia mensagens ao ministro com pedidos de intervenção junto a autoridades às vésperas de sua prisão.
Gilmar lembra que há uma cópia do material no gabinete de Mendonça, também acautelada pela PF.

“Sem a verificação da mídia que se encontra no Gabinete do Ministro André Mendonça há mais de seis meses, não há como identificar omissões, obscuridades ou contradições no relatório, nem aferir a integralidade do que foi recuperado, o contexto das mensagens ou a
representatividade da seleção”.

Diferentemente de Zanin, Gilmar, por outro lado, não defende a publicidade do material. “Sobre o alegado risco para o êxito das investigações, suscitado pelo eminente Ministro André Mendonça, registro que não se cogita de qualquer levantamento de sigilo. O material permanecerá submetido a regime rigoroso de restrição, com acesso limitado a este Gabinete, nos mesmos termos do acesso de que dispõe o Relator desde 8 de março de 2026. O que se pede não é divulgação, mas apenas acesso interno, por quem está submetido ao mesmo dever de sigilo que vincula o Relator e a própria autoridade policial”.

Mendonça

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou em ofício neste domingo (13) que a possível retirada do sigilo das informações do celular de Daniel Vorcaro “contribuiria para tumultuar o julgamento”.

No documento, o magistrado pede que o presidente do STF, ministro Edson Fachin, determine que quatro delegados prestem informações sobre “eventuais constrangimentos sofridos ao longo das investigações”.

Mendonça reitera que “todo o material utilizado para o julgamento da próxima terça-feira encontra-se disponível, na íntegra, a todos os Ministros deste Tribunal” e diz que “dispõe exatamente do mesmo conjunto de elementos de informação franqueado aos demais pares que irão participar da referida sessão”

Por último, o ministro afirma que “a inserção de elementos adicionais, que não constam dos autos até o presente momento, o que inclui a abertura de todas as informações contidas no celular do senhor Daniel Vorcaro” poderia “contribuir para tumultuar o julgamento, bem como colocaria em risco todo o seguimento e êxito das investigações, dando ensejo à suscitação de questionamentos de toda ordem, para desviar o feito especificamente apregoado para julgamento de seu caminho natural”.

Mendonça também cita uma frase de Edson Fachin ao final do documento. “Nesse sentido, como bem enfatizou o eminente Presidente, ‘A gravidade dos fatos não autoriza atalhos’, mas também não tolera subterfúgios ou desvios de rotas, rumo a outros interesses que não os da Justiça”.


Clique para comentar

Faça um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

um × quatro =