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Mendonça libera para plenário julgamento sobre Moraes; decisão é de Fachin

Fachin sinalizou que poderia mudar a pauta do Supremo para incluir o caso no plenário físico.

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça liberou para julgamento no plenário o caso envolvendo o colega Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Decisão sobre a data em que o plenário fará a análise cabe ao presidente do Supremo, Edson Fachin. Relatório da Polícia Federal, produzido a pedido de Mendonça, registrou conversas entre Vorcaro e Moraes.

Em uma mensagem antes de ser preso, Vorcaro teria pedido para reforçar com “Andrei e Paulo para não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem”. A referência, segundo investigadores, era a Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e Gonet, procurador-geral da República.

Com base nessa comunicação, Mendonça solicitou que a PF produzisse o relatório em 72 horas. O documento deveria conter todas as menções no material apreendido com Vorcaro a Alexandre de Moraes, Andrei Rodrigues e Paulo Gonet.

Na segunda-feira, Mendonça enviou o relatório à PGR (Procuradoria-Geral da República). O ministro pediu que a PGR se manifestasse sobre os elementos encontrados e sobre a possibilidade de abertura de uma investigação.

O ministro conversou com Fachin, após a Polícia Federal encaminhar o relatório. Mendonça queria levar o caso para julgamento no plenário da corte após a manifestação da PGR.

Na conversa, Fachin sinalizou que poderia mudar a pauta do Supremo para incluir o caso no plenário físico. Isso poderia obrigar os ministros a exporem suas posições sobre as relações suspeitas entre o banqueiro e o vice-presidente do STF, Alexandre de Moraes.

O documento reúne 52 mensagens enviadas pelo banqueiro a um número identificado pela PF como pertencente a Moraes. Elas foram encaminhadas entre 28 de outubro e 17 de novembro de 2025, dia em que Vorcaro foi preso pela primeira vez.

Nas conversas, o então dono do Master relata informações sigilosas sobre investigações contra o banco e pede ajuda para conter ou retardar ações da Polícia Federal e do Ministério Público. Vorcaro também pergunta se seria possível recorrer ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Dois dias antes de ser preso, ele teria consultado Moraes sobre a possibilidade de deixar o país: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Horas antes da prisão, voltou a perguntar se o ministro havia conseguido alguma informação ou “bloquear” a operação.

André Mendonça retirou o sigilo do relatório. O documento revelou que Vorcaro escrevia as mensagens no bloco de notas do celular, fazia capturas da tela e as enviava a Moraes como imagens de visualização única.

As respostas atribuídas ao ministro também eram enviadas nesse formato e não foram recuperadas pela PF. Por isso, o material mostra o que Vorcaro pediu, mas não permite saber, na maioria dos episódios, o que Moraes respondeu nem comprova que ele tenha atendido às solicitações.

No mesmo dia, Gonet pediu a anulação do relatório. Para o procurador-geral, Mendonça não poderia ter determinado diretamente à PF que aprofundasse a apuração sobre outro ministro sem autorização do plenário do STF ou iniciativa do Ministério Público.


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