Brasil
Maioria de políticos citados no caso Master saem vitoriosos nas eleições
Jaques Wagner, Hugo Motta e Antonio Rueda estão entre os eleitos; Ciro Nogueira e ACM Neto perderam as disputas no Piauí e na Bahia.
A maioria dos políticos citados nas apurações sobre o Banco Master conquistou um mandato nas eleições deste domingo (4). Entre os eleitos estão Jaques Wagner (PT-BA), Hugo Motta (Republicanos-PB) e Antonio Rueda (União Brasil-RJ). Ciro Nogueira (PP), que tentava a reeleição ao Senado pelo Piauí, e ACM Neto (União Brasil), candidato ao governo da Bahia, ficaram entre os derrotados.
Também foram eleitos Hugo Motta (Republicanos-PB), Antonio Rueda (União Brasil-RJ) e Nikolas Ferreira (PL-MG) para a Câmara dos Deputados.
Os vínculos com o banco e seu ex-controlador, Daniel Vorcaro, têm naturezas diferentes: incluem contratos de prestação de serviços, contatos pessoais e suspeitas de favorecimento investigadas pela Polícia Federal. A menção a um nome nos registros não significa, por si só, que tenha cometido irregularidades.
Na Bahia, ACM Neto foi derrotado pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT), reeleito no primeiro turno. Durante a campanha, o ex-prefeito de Salvador foi cobrado por pagamentos do Master e da gestora Reag à sua empresa de consultoria. Ele afirmou que os valores eram lícitos e correspondiam a serviços prestados.
Jaques Wagner, por sua vez, conquistou um novo mandato após ter sido alvo de buscas na Operação Compliance Zero. A PF apura se ele recebeu vantagens em troca da defesa de interesses do banco, incluindo um apartamento e transferências para uma empresa ligada à sua família. O senador nega irregularidades.
A outra vaga baiana ficou com Rui Costa (PT), cujo nome apareceu até em uma proposta de delação de Vorcaro. A proposta foi rejeitada pela PF e pela PGR (Procuradoria-Geral da República) por falta de elementos suficientes para sustentar os relatos. Rui nega favorecimento ao banco.
No Piauí, Ciro Nogueira foi superado por Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD). Presidente nacional do PP e ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro (PL), ele foi alvo de buscas em maio, sob suspeita de receber vantagens para atuar em benefício do Master. A investigação reuniu também registros de viagens que teriam sido custeadas por Vorcaro. Ciro nega irregularidades.
Na disputa pela Câmara, Hugo Motta foi reeleito apesar da divulgação de mensagens com o empresário sobre encontros. Entre os diálogos estão referências a uma sociedade envolvendo um terreno em João Pessoa. O presidente da Casa negou irregularidades e afirmou que a interlocução com empresários faz parte da atividade parlamentar.
Antonio Rueda, presidente do União Brasil, conquistou uma cadeira de deputado federal pelo Rio de Janeiro. Escritórios ligados a ele receberam pagamentos do Master. Rueda nega irregularidades, e as alegações integram a proposta de colaboração rejeitada pelas autoridades.
Outro reeleito foi Nikolas Ferreira, que apareceu em um áudio pedindo ajuda a Vorcaro em uma questão relacionada a um ativo de mineração de interesse de um ex-assessor. O deputado mineiro confirmou o contato, mas negou qualquer ato ilícito ou repasse financeiro entre os dois.
Elmar Nascimento (União-BA) e Mario Frias (PL-SP) também renovaram seus mandatos. Elmar foi mencionado em reportagens sobre conversas com Vorcaro. Frias aparece em registros sobre o apoio do empresário ao filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, e nega irregularidades relacionadas à produção.
O financiamento do filme também envolve Flávio Bolsonaro (PL), que avançou ao segundo turno presidencial. O senador aparece em mensagens negociando recursos com Vorcaro e sustenta que solicitou patrocínio privado, sem oferecer contrapartidas. Ele nega irregularidades.
Ser citado no caso Master não impediu, portanto, a vitória de vários candidatos. Também não é possível afirmar que as revelações determinaram as derrotas de Ciro e ACM Neto. A apuração das suspeitas segue independentemente do resultado das urnas.
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