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Lula diz que Flávio trai a pátria ao pedir ‘intervenção’ de Trump no Brasil

Lula comparou Flávio a Joaquim Silvério dos Reis, conhecido na história por trair a Inconfidência Mineira (1788-1789).

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O presidente Lula (PT) acusou o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de “trair a pátria” por pedir que os Estados Unidos classificassem PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas.

Lula comparou Flávio a Joaquim Silvério dos Reis, conhecido na história por trair a Inconfidência Mineira (1788-1789). “Joaquim Silvério do Reis ficaria envergonhado se soubesse que tem um candidato a presidente indo aos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil”, declarou o petista durante evento em Sergipe no qual anunciou investimentos da Petrobras no estado.

Presidente disse que Flávio não tem “vergonha na cara de trair a nossa pátria”. Ele afirmou ter entregue ao presidente Donald Trump documento sobre organizações criminosas quando se reuniu com ele nos EUA, no início de maio, e acusou o secretário de Estado americano, Marco Rubio, de querer “ajudar” Flávio na disputa eleitoral. É Rubio quem assina o comunicado classificando PCC e CV como organizações terroristas.

Lula voltou a pedir que EUA entreguem ao Brasil criminosos que estão no país. Citou novamente o caso do dono da Refit, Ricardo Magro, considerado o maior sonegador de impostos do Brasil, e do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL), condenado por tentativa de golpe.

O Brasil está disposto a trabalhar para combater o crime organizado. Quer combater o crime organizado? Me entregue os nossos que estão lá nos Estados Unidos. Vamos começar por entregar o Ramagem, que tá condenado a 16 anos e está escondido lá. Começar pro entregar o maior contrabandista de combustíveis do Brasil, o Ricardo Magro, que está em Miami.

Nós não aceitamos ser tratado como moleque. Nós não aceitamos ser tratado como se fosse uma republiqueta. Eu tive três horas com o presidente Trump, três horas com ele. Entreguei quatro documentos para ele. Um deles era o combate ao crime organizado. O seu Marco Rubio não estava lá possivelmente porque ele estivesse preparado para ajudar o filho de um bolsonarista, que é candidato à eleição aqui nesse país, que não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria”, disse o Presidente Lula (PT).

Lula disse que PCC e CV são “terroristas” que atuam nas comunidades brasileiras. Por isso, na avaliação do presidente, deveriam ser combatidas dentro do país, e não pelos EUA.

“Esse tal de Comando Vermelho e esse tal de PCC, eles são terroristas para as comunidades brasileiras, para a sociedade brasileira. Para o povo da periferia desse país. Eles são terroristas porque incomodam as famílias. Eles incomodam o bairro, incomodam a cidade. Roubam tudo que tem direito do povo, o direito do povo viver livremente. Então, eles são terroristas e nós vamos combater eles aqui dentro”, disse.

Lula afirmou que o Brasil já tem uma Lei Antifacção para combater o crime organizado. Defendeu ainda a aprovação da PEC da Segurança Pública e disse que criará um ministério para a área, caso a proposta seja aprovada pelo Congresso Nacional.

Alckmin fala em criação de factoide. Mais cedo, o vice-presidente Geraldo Alckmin disse que Flávio “pensa mais em si que no país” e quer criar uma cortina de fumaça em relação ao escândalo do Banco Master. “Para sair desse tema do Banco Master, o maior caso de corrupção e sonegação de tributos, aí ficam gerando factoides, fatos novos para desviar a atenção da questão do Banco Master, que é gravíssima do ponto de vista de corrupção e de sonegação.”

Presidência da República também condenou a decisão dos EUA sobre o PCC e CV. Citando a família Bolsonaro, comunicado da Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência da República) disse que há tentativa de “manipular politicamente” o tema da segurança pública e acusa “falsos patriotas envolvidos com o crime organizado” de articular medidas contra o Brasil.

“A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos.

É deplorável que, mais uma vez, integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país.” Nota da Secom da Presidência da República.

O Planalto já havia declarado ver risco à soberania ao equiparar facções brasileiras a terrorismo. Integrantes do governo argumentaram recentemente que o rótulo abre margem, na prática, para ações e pressões de outros países sobre o Brasil, com base em normas e interpretações do direito internacional.

“Segurança pública é um tema fundamental para o desenvolvimento socioeconômico. Crime organizado é um mal que tem que ser combatido. Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção, é inaceitável”disse o Assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Celso Amorim, em nota.

Medida dos EUA atende a pedido de Flávio Bolsonaro

Governo dos EUA classificou as facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. A medida atendeu a um pedido do senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), que esteve com o presidente dos EUA, Donald Trump, e outros integrantes do governo esta semana na Casa Branca.

Documento foi assinado ontem pelo secretário de Estado, Marco Rubio. A medida entrará em vigor no dia 5 de junho, após notificação ao Congresso do país.

“O Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Seu alcance estende-se por toda a nossa região e chega ao nosso país (…) A Administração Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e negar financiamento e recursos a narcoterroristas”, disse Marco Rubio, em anúncio no X.

Lula não falou sobre o tema em reunião com Trump

Designação de PCC e CV como terroristas não foi tema do último encontro entre Lula e Trump. Presidente americano recebeu o brasileiro na Casa Branca no começo do mês. Em entrevista coletiva na sequência do encontro, Lula afirmou que o assunto não foi mencionado. Integrantes do governo disseram ao UOL que Lula estaria pautando a agenda bolsonarista se trouxesse o assunto.

Planalto teme sanções e efeitos econômicos com a classificação internacional. A avaliação é de que o enquadramento como terrorismo pode permitir ao Tesouro dos EUA sancionar empresas, fundos e bancos com supostas ligações com as facções, com impacto no setor financeiro.

Modelo aplicado a PCC e CV segue classificação usada para cartéis latino-americanos, apurou o UOL. A gestão Donald Trump já aplicou a medida a grupos como o Cartel de Jalisco, do México, e o Tren de Aragua, da Venezuela. No México, reportagens indicam que as designações provocaram sanções a ao menos três instituições financeiras e impacto econômico.

As informações são do site UOL.


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