Brasil
Deepfake caseiro: nova ameaça de golpes e fraudes financeiras miram parentes ou conhecidos, alerta pesquisa
Segundo pesquisa, casos que miram parentes ou conhecidos para tentar burlar aplicativos de bancos e instituições financeiras cresceram em 400%.
Tentativas de golpes com “deepfake caseiro” estão em alta no Brasil, com a popularização de ferramentas de geração de imagem por inteligência artificial (IA). De acordo com um levantamento feita pela Unico, empresa de verificação de identidade, a modalidade teve aumento de 400% no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado.
Os autores de deepfakes caseiros costumam ser pessoas comuns, que miram parentes ou conhecidos para tentar burlar aplicativos de bancos, instituições financeiras e lojas virtuais. O objetivo é tentar enganar os sistemas de prova de vida para saques, obtenção de empréstimos e realização de compras.
Entenda
Deepfakes são vídeos gerados por IA, que permitem sobrepor ou recriar rostos de pessoas de maneira digital. Nos últimos anos, apps do tipo se difundiram na web e se tornaram um desafio para empresas de todos os tamanhos.
“Nossas auditorias recentes revelam um novo perfil de fraudador: indivíduos comuns usando apps de deepfake para se passar por familiares e aprovar cadastros ou transações. É uma situação que abre espaço para o criminoso explorar a intimidade e o acesso aos dados da vítima”, explica Fernanda Beato, diretora-geral da Unico no Brasil.
Nos últimos anos, autoridades e especialistas vêm apontando para o problema dos deepfakes no país. A tecnologia é usada para violência sexual contra mulheres e menores, pulverização de desinformação e golpes financeiros variados.
ANPD
No final de julho, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) produziu um documento sobre o tema no qual diz: “Esse refinamento matemático e a automação do processo foram os grandes precursores para a disseminação massiva de mídias sintéticas altamente realistas na internet, pois permitiram que usuários sem conhecimentos técnicos profundos gerassem falsificações visuais e sonoras ultraconvincentes em larga escala, utilizando softwares com interfaces simplificadas que ‘escondem’ a complexidade matemática dessas tecnologias por trás de botões intuitivos”.
A evolução da tecnologia democratizou seus malefícios, permitindo que os deepfakes caseiros ultrapassassem golpes sofisticados com uso de IA. Segundo a Unico, as fraudes sofisticadas, que envolvem conhecimento avançado da tecnologia, além de conhecimento para encontrar e burlar falhas em software, correspondiam a 61% do total de ataques enfrentados pela companhia. Neste ano, o número caiu para 14% graças ao crescimento dos deepfakes caseiros, que são classificados como “golpes simples”.
Segundo o documento, o Brasil concentrou 39% dos casos de “deepfake” registrados na América Latina em 2025 e teve um aumento de 126% nos ataques que usam imagens, vozes e identidades falsas em relação ao ano anterior.
Pesquisa
Segundo uma pesquisa realizada pela Veriff, empresa de verificação de identidade digital, 80% dos brasileiros já se depararam com deepfakes no ambiente digital, acima da média internacional, que é de 60%. No entanto, apenas 29% conseguem apontar quando se trata de um vídeo falso e 35% identificam corretamente quando um vídeo é real.
No primeiro semestre, a Unico diz ter barrado R$ 19,6 bilhões em tentativas de fraude, crescimento de 23% em comparação com o mesmo período do ano passado. Ao todo, foram mais de 13 milhões de ataques fraudulentos contra 23 setores econômicos.
Em relação aos deepfakes caseiros, apesar do aumento de tentativas, a maioria tem problemas de sofisticação técnica, que acabam barradas em motores de prova de vida, como profundidade, textura e naturalidade da imagem. No entanto, isso não elimina o uso de deepfakes caseiros para engenharia social, como o vídeo de um filho que solicita transferência financeira.
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