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Brasil

CBF registra déficit de R$ 182,5 milhões em 2025 e atribui rombo a pagamento de R$ 80 milhões ao Icasa

Balanço divulgado pela própria entidade atribui resultado negativo ao aumento de despesas operacionais, investimentos estruturais e à quitação de passivos herdados de gestões anteriores.

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A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) aprovou por unanimidade, em Assembleia Geral Ordinária realizada nesta segunda-feira (27), as contas referentes ao exercício de 2025 com um déficit de R$ 182,5 milhões. Segundo o balanço divulgado pela própria entidade, o resultado negativo foi provocado principalmente pelo aumento de despesas operacionais e pelo pagamento de mais de R$ 80 milhões ao Icasa, clube cearense envolvido em uma longa disputa judicial iniciada em 2013.

Déficit da CBF ligado a despesas e Icasa

De acordo com a CBF, o crescimento das despesas operacionais em 2025 foi de 111% em relação ao ano anterior. A entidade afirma que boa parte desse montante está ligada ao encerramento da judicialização envolvendo o Icasa, além da regularização de passivos herdados de administrações anteriores.

Na mesma assembleia, também foi aprovada a previsão de receita de aproximadamente R$ 2,7 bilhões para o exercício de 2026. Segundo a atual diretoria, desde o início da gestão foi feita uma análise detalhada da situação financeira da confederação, com foco em reorganizar as contas e reduzir pendências acumuladas.

Previsão de receita e reorganização financeira

Além da ação judicial envolvendo o Icasa, a composição das despesas inclui o reforço de provisões para contingências cíveis e trabalhistas, com baixas e acordos que somaram R$ 17 milhões. Houve ainda a revisão da política de provisão para perdas de crédito, o que exigiu baixas e aportes no resultado no valor de R$ 55 milhões.

Também pesaram no balanço investimentos de R$ 27 milhões em despesas logísticas, impulsionadas pelo aumento de viagens da Seleção Brasileira masculina para jogos das Eliminatórias da Copa do Mundo e amistosos internacionais. A CBF ainda registrou aportes de R$ 13 milhões em marketing, R$ 9 milhões em tecnologia e R$ 22 milhões em serviços de consultoria institucional, esportiva, jurídica, de comunicação e outros serviços operacionais.

Gastos com logística, marketing e tecnologia

Outro fator apontado pela entidade foi a antecipação, em 2024, das receitas do maior contrato de patrocínio da confederação, firmado com a fornecedora de material esportivo Nike.

Apesar do déficit, a CBF sustenta que o balanço já apresenta reflexos positivos da nova administração, como o número recorde de patrocinadores: 12 ao todo.

“Assumimos com a clara intenção de desenvolver nosso futebol e deixar um legado. Organizamos a casa, investimos em pontos importantes e estruturais do futebol brasileiro, reconstruímos a imagem da CBF e a percepção disso tem sido muito positiva. Batemos recorde de patrocinadores pré-Copa do Mundo. Enfrentamos problemas e assumimos o compromisso de reorganizar finanças, regularizar dívidas trabalhistas e com clubes. Este investimento vai nos trazer frutos”, afirmou o presidente da CBF, Samir Xaud.

O diretor financeiro da entidade, Valdecir de Souza, também defendeu que o déficit atual representa uma etapa de reestruturação com foco em crescimento futuro.

“Fez-se necessário gastar para buscar eficiência na nova gestão: resultados futuros, receitas crescentes, para que possamos fazer o que é mais importante, que é investir no futebol. Durante a Assembleia, acho que todos perceberam este ambiente novo, essa nova gestão, a vontade de fazer acontecer, de ter uma CBF com modernidade comparável às grandes confederações, como a FIFA. É o protagonismo da CBF que precisamos retomar”, declarou.

Federações apoiam nova gestão da CBF

Antes mesmo da votação que confirmou a aprovação unânime das contas, presidentes de federações estaduais manifestaram apoio à nova condução administrativa da entidade.

O presidente da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, Rubens Lopes, destacou a descentralização da gestão e o aumento da participação das federações nas decisões.

“O novo modelo de gestão reposicionou tudo. Reincluiu as federações na importância do processo de uma gestão compartilhada. E isso, para nós, presidentes de federação, é fundamental. Houve uma correção da rota, podemos assim dizer, na gestão da CBF, e os resultados aparecem para todo mundo ver”, disse.

Já Reinaldo Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol, afirmou que a nova fase da CBF também recoloca a entidade em posição de maior protagonismo no cenário internacional e fortalece a relação com os torcedores.

“O que me entusiasma é ver que podemos enxergar algo melhor no futuro: na relação e na profissionalização das federações e dos clubes, na aproximação dos clubes com a CBF, na reconquista de espaços na CONMEBOL e na FIFA e, principalmente, por trazer de volta o torcedor, o coração do torcedor brasileiro”, afirmou.


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