Conecte-se conosco

Brasil

‘Amazônia pode entrar em colapso já nas próximas décadas’, diz cientista brasileiro de painel da ONU

Pesquisador da USP participou da Rio Innovation Week, onde apresentou painel sobre mudanças climáticas.

amazonia-pode-entrar-em-colaps

O Brasil já é um dos países mais afetados pelas mudanças climáticas, com riscos de mais desastres naturais e impactos severos na agricultura previstos para as próximas décadas. A Amazônia, em particular, é uma das regiões mais ameaçadas do mundo e eventual colapso da floresta levará todo o planeta a uma aceleração sem precedentes de problemas ambientais.

“É fundamental evitarmos um colapso do sistema climático global”, diz o cientista climático Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo (USP), uma das maiores referências mundiais em aquecimento global, membro do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) das Nações Unidas (ONU).

Artaxo apresentou nesta quinta-feira, 6, a palestra A Amazônia e os desafios e incertezas no enfrentamento das mudanças climáticas na tarde desta quinta-feira, 6, na Rio Innovation Week, no Píer Mauá, no centro do Rio de Janeiro. A informação foi divulgada pelo jornal Estado de São Paulo.

Queima de combustíveis fósseis acelera destruição do plano, mesmo se parar desmate da Amazônia, diz Artaxo

“É fundamental evitarmos um colapso do sistema climático global”, afirmou o pesquisador. “O Brasil, por sua localização tropical, é um dos países mais afetados. Precisamos nos adaptar.”

Dados climáticos já consolidados há pelo menos dez anos sustentam que o colapso da floresta – ou seja, sua transformação em savana – acontecerá quando as temperaturas médias do planeta registrarem aumento de 4ºC ou o desmatamento já atingir 40% de sua área total.

Segundo Artaxo, ainda que todas as metas de redução de gases estufa do Acordo de Paris fossem cumpridas – o que hoje está longe de ser verdade – as temperaturas médias do planeta subiriam, em média, 2,8ºC. O Acordo de Paris é um pacto global, assinado por quase 200 países, para conter o aquecimento da Terra e evitar uma catástrofe global.

O aumento médio das temperaturas já está em 1,4ºC e a área desmatada da Amazônia equivale a 18% de seu território. Ou seja, a Amazônia pode já estar perto do que os cientistas chamam de ponto sem volta – um estágio em que o colapso é irreversível.

Segundo cientistas, a combinação de um desmatamento de 20% a 25% da área total da floresta com o aquecimento global pode levar à degradação irreversível antes mesmo de 2050, convertendo áreas do sul e do leste amazônico em vegetação mais seca. “A floresta pode entrar em colapso nas próximas décadas”, diz ele.

O colapso da floresta, por sua vez, potencializa as mudanças climáticas. Isso porque a Amazônia atua como um grande reservatório de carbono. Quando desmatada ou queimada, deixa de absorver o dióxido de carbono (CO2) e passa a emitir gases de efeito estufa, acelerando o aquecimento global.

“A Amazônia possui 120 bilhões de toneladas de carbono, o equivalente a dez anos de queima de todo o combustível fóssil do planeta”, lembrou Artaxo. “É muito carbono e, por isso, devemos evitar o máximo possível que o colapso ocorra.”

Segundo Artaxo, mesmo que o desmate da floresta seja zerado, se continuarmos lançando gases estufa na atmosfera o colapso é inevitável.

“A pergunta é: vamos continuar queimando combustíveis fósseis como se não houvesse alternativa?”, questiona Artaxo. “Temos o direito moral de comprometer a vida de quem está nascendo hoje ou ainda nem nasceu? Temos questões éticas tão importantes quanto as biofísicas para responder.”

Mas o cientista se mostra otimista. “Nosso atual sistema econômico é insustentável a curto prazo porque é baseado no aumento das desigualdades sociais e econômicas e no uso do maior volume possível de recursos naturais do planeta para lucro das empresas”, resume.

“Temos agora a oportunidade de fazer a transição para um sistema mais justo, que respeite os limites planetários.”


Clique para comentar

Faça um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

seis − cinco =