Brasil
Mendonça atende pedido de Fachin e retira sigilo de parte do caso Master
Também foram tornadas públicas investigações sobre “A Turma” e “Os Meninos”. Supostos núcleos tecnológicos voltados a ataques cibernéticos e derrubada de perfis em redes sociais de adversários de Vorcaro.
O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), levantou o sigilo de 15 procedimentos envolvendo o caso do Banco Master que estão sob sua relatoria.
Mendonça liberou os procedimentos que ele entende terem relação com o ministro Alexandre de Moraes (o contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro); do BRB-Master, e do vazamento de dados sigilosos, que envolvem servidores do Banco Central.
Também foram tornadas públicas investigações sobre “A Turma” e “Os Meninos”. “A Turma” é a suposta milícia que seria encarregada de ameaças a pessoas consideradas adversárias ou ligadas às apurações contra o Master e que buscava acesso clandestino a informações de Estado. “Os Meninos” era o suposto núcleo tecnológico voltado a ataques cibernéticos e derrubada de perfis em redes sociais.
Investigação sobre influenciadores contratados para disseminar uma narrativa favorável a Daniel Vorcaro e ao Master e contrária ao Banco Central também foram liberadas. A apuração da PF é sobre quem participou dessa estrutura, quem a financiou e se a atuação configura organização criminosa ou outros delitos.
Outros processo não foram liberados, como o caso que envolve o filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Também não foram tornados públicos os braços das investigações que envolvem políticos — como os casos em que aparecem os nomes dos senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Jaques Wagner (PT-BA), por exemplo.
Por que Mendonça derrubou o sigilo
A decisão foi assinada na noite de ontem (10) e atende a uma solicitação do presidente do STF, ministro Edson Fachin. Mendonça tirou o segredo de Justiça da Petição 15.556, que resultou na prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e de outros 14 procedimentos relacionados ao caso.
Entre os processos liberados estão dois inquéritos e petições em andamento. A liberação inclui os inquéritos de número 5.026 e 5.035. A pedido de Fachin, Mendonça também irá enviar o material em HD próprio para o gabinete do presidente da corte e dos demais ministros.
“Em harmonia à solicitação formulada pelo eminente Presidente, Ministro Edson Fachin, promovo o levantamento do sigilo dos autos da PET nº 15.556 e dos procedimentos contidos ou relacionados”, disse o Ministro André Mendonça do STF.
Na noite de ontem, Edson Fachin solicitou ao ministro André Mendonça que levantasse o sigilo de todo o caso Master, tornando todos os procedimentos públicos. As exceções serão apenas para diligências cujo sigilo seria “imprescindível”.
Conversas de Moraes e Vorcaro
Na semana passada, Mendonça já havia levantado sigilo de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. A decisão instalou uma crise no Supremo após tornar público o relatório da PF com mensagens extraídas do celular de ex-banqueiro. O material mostra que o dono do Banco Master tinha proximidade com Moraes, com quem conversava frequentemente.
Relatório reúne 52 mensagens enviadas pelo ex-banqueiro a um número identificado pela PF como pertencente a Moraes. Elas foram encaminhadas entre 28 de outubro e 17 de novembro de 2025, dia em que Vorcaro foi preso pela primeira vez. Mendonça também pediu manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República) nesse inquérito.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, apontou dupla nulidade do processo de Mendonça. Segundo o PGR, Mendonça não poderia ter determinado diretamente à PF que aprofundasse a apuração sobre outro ministro sem autorização do plenário do STF ou iniciativa do Ministério Público.
Moraes pede investigação de Mendonça
Confronto ganhou dimensão institucional quando Moraes pediu que Mendonça fosse investigado. O ministro protocolou a solicitação no inquérito das fake news, relatado por ele próprio. Na última sexta-feira, Fachin retirou o pedido desse inquérito e cobrou explicações dos envolvidos.
Afastamento de diretores da PF escalou ainda mais a crise. Nesta semana, Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada, além da abertura de investigações sobre a atuação dos dois. Ontem, o ministro Flávio Dino reintegrou os dois ao cargo. Fachin suspendeu as duas decisões, o andamento do processo relatado por Mendonça e tirou o inquérito das fake news do gabinete de Moraes.
Fachin determinou que todas as decisões envolvendo os ministros do STF devem passar pela presidência. Ele marcou a análise do processo de Mendonça, que envolve Moraes, para ser analisada pelo plenário em sessão extraordinária no dia 15 de setembro (próxima terça-feira), às 10h.
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