Brasil
Lula diz a Trump em ligação que Brasil não precisa classificar facções como terroristas para combater o crime organizado
Telefonema durou mais de uma hora, segundo o governo brasileiro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou na manhã desta sexta-feira (21/8) para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou o Palácio do Planalto. Lula disse a Trump na ligação que o Brasil não precisa classificar as facções como terroristas para combater o crime organizado. Em maio deste ano, os EUA decidiram classificar as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, num revés para o governo, que buscava evitar isso.
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) afirmou em nota que a conversa ocorreu em “tom amistoso e cordial” e teve duração de uma hora e vinte minutos.
Segundo o informe, as duas autoridades conversaram também sobre a imposição de novas taxas pelo governo americano aos produtos brasileiros e conflitos internacionais. Na chamada, Lula reforçou o interesse de uma cooperação entre os dois países no combate ao crime organizado e rejeitou que grupos criminosos no Brasil podem ser considerados terroristas.
Lula rejeita classificação de facções como terroristas
“Lula argumentou que grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas. Afirmou que o Brasil tem instrumentos para enfrentar essas organizações sem precisar de classificação especial para designá-las”, diz a nota.
A avaliação do governo é que as medidas tomadas pela gestão Trump têm motivação política. Eles falam na atuação de adversários do petista, sobretudo a família Bolsonaro, para impor essas sanções ao país. O governo enxerga nessa classificação margem para ataques à soberania brasileira e prejuízos financeiros ao país.
Governo cita atuação da família Bolsonaro nos EUA
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos e tem a simpatia do secretário de Estado americano, Marco Rubio. Eduardo e o senador Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula nas eleições deste ano, se reuniram com Trump em maio e reforçaram o pedido para classificar as facções como organizações terroristas. Dias depois, o governo americano oficializou a decisão.
Ao longo dos últimos meses, o governo brasileiro empreendeu esforços para evitar que os Estados Unidos optassem pela classificação. O governo brasileiro defende que o combate ao crime organizado deve ocorrer pela via da cooperação entre os dois países, com compartilhamento de informações e ações coordenadas.
Lula cita ações contra o crime organizado
Ainda na ligação, o presidente brasileiro falou de ações do governo para “asfixiar financeiramente a criminalidade”, além da intenção de transformar 138 presídios em prisões de segurança máxima. Segundo a nota, Lula também falou da aprovação do projeto de lei Antifacção e da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública —a segunda está parada no Senado, ainda precisa ser votada.
Os dois projetos foram apresentados pelo governo federal ao Congresso como bandeiras da gestão na área da segurança pública e após cobranças de que o Executivo não tinha avançado nesse tema nos últimos anos.
A Secom disse que Trump “se dispôs a reforçar a cooperação bilateral e indicou que mobilizaria funcionários de alto escalão para dar seguimento aos entendimentos nessa área”.
Lula contesta tarifas impostas pelos Estados Unidos
Sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, segundo o Planalto, Lula enfatizou que as alegações que basearam a medida (desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado) “são infundadas”.
“Ao observar que as tarifas afetam negativamente tanto o Brasil, quanto os Estados Unidos, afirmou que seguir na mesa de negociação é a melhor opção para os dois países. Reiterou a importância de trabalhar juntos para que os Estados Unidos continuem sendo um dos principais parceiros comerciais do Brasil. O presidente Trump concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível”, afirma a nota do governo.
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