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Brasil

Os 1% mais ricos da Região Norte tiveram rendimento médio 28 vezes maior que os 50% mais pobres em 2025, aponta relatório

Os 1% mais ricos do país registraram rendimento médio 31,5 vezes superior ao dos 50% mais pobres, aumento de 1,3 ponto percentual em relação a 2024.

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Os 1% mais ricos da Região Norte do Brasil registraram rendimento médio 28 vezes superior ao dos 50% mais pobres em 2025, de acordo com dados do relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades de 2026, elaborado pelo Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades e divulgado nesta quarta-feira (12/08).

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De acordo com o estudo, a desigualdade de renda no Brasil permaneceu elevada em 2025. Os 1% mais ricos do país registraram rendimento médio 31,5 vezes superior ao dos 50% mais pobres, aumento de 1,3 ponto percentual e (p.p.) em relação a 2024.

Esse resultado indica que, embora o crescimento econômico e a melhora do mercado de trabalho tenham elevado a renda da população em geral, os ganhos foram apropriados de forma mais intensa pelos estratos de maior rendimento.

A maior diferença está na região Sudeste, onde o rendimento médio dos 1% mais ricos foi 30,3 vezes maior que o dos 50% mais pobres.

A menor razão foi registrada no Sul (21,8). A forte concentração dos rendimentos mais elevados, especialmente no Sudeste, combinada com a presença de grande parcela da população de baixa renda em todas as regiões — particularmente no Norte e Nordeste — amplia a distância entre os 1% mais ricos e os 50% mais pobres no conjunto do país.

Na comparação com 2024, o maior aumento da desigualdade ocorreu no Centro-Oeste, onde a razão passou de 25,0 para 29,3, seguido pelo Sudeste, que avançou de 27,4 para 30,3. No Norte, a razão passou de 27,5 para 28. Em contrapartida, Nordeste e Sul apresentaram redução da desigualdade.

A concentração de renda também pode ser observada quando se ampliam os grupos de comparação, revelando que a desigualdade não se restringe à distância entre uma pequena parcela muito rica e a população mais pobre, mas atravessa toda a estrutura de distribuição de renda do país.

A razão entre o rendimento médio domiciliar per capita dos 10% mais ricos e dos 40% mais pobres passou de 13,2 para 13,8, indicando que o grupo de maior renda recebeu, em média, quase 14 vezes mais do que os segmentos de menor renda. Embora esse patamar permaneça inferior ao observado em 2022 e 2023, parte da redução da desigualdade registrada em 2024 foi revertida.

O aumento ocorreu em quase todas as grandes regiões. O Centro-Oeste apresentou a maior elevação, passando de 11,7 para 13,0, seguido pelo Sudeste (12,0 para 12,6), Norte (12,0 para 12,4) e Nordeste (12,9 para 13,1). O Sul foi a única região em que a desigualdade permaneceu estável, mantendo a menor razão do país (10,0).

As disparidades regionais seguem reproduzindo esse mesmo padrão. Norte e Nordeste concentram os maiores percentuais de pobreza, homicídios registrados de jovens, insegurança alimentar, analfabetismo, mortalidade infantil, gravidez na adolescência e menor acesso à creche.

Em contraste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste apresentam, em geral, melhores indicadores de renda, educação e condições de vida. A persistência dessas discrepâncias mostra que o território continua sendo um importante fator de produção das desigualdades

Dados do relatório  indicam que o Brasil registrou avanços importantes em diversas áreas. Dos 48 indicadores monitorados pela iniciativa, 71% tiveram melhora. Os avanços são em áreas como combate ao desmatamento, desemprego, redução da pobreza, homicídios entre jovens, segurança alimentar e educação.

Outros 13% indicadores permaneceram em nível estável, sem mudanças significativas. E 16% dos registraram piora. O principal retrocesso foi no número de pessoas que vivem em áreas de risco de deslizamento e tragédias climáticas. Problemas históricos como a concentração de renda persistem no país em nível elevado.

Veja alguns dos principais avanços:

Área de desmatamento. O país registrou uma redução expressiva no desmatamento. Após atingir um pico de 2,1 milhões de hectares desmatados em 2022, a área desmatada caiu para 984,8 mil hectares em 2025, uma redução de 53,4% em relação ao maior nível da série histórica, segundo dados do Mapbiomas.

Emissão de gases de efeito estufa por uso de terra e florestas. O volume de emissões decorrente desses usos teve uma redução de 32,5% entre 2023 e 2024, o dado mais recente, passando de 1,34 bilhão de toneladas de CO2 para 905,6 milhões, de acordo com informações do Observatório do Clima.

Insegurança alimentar. A proporção de brasileiros que vivem em domicílios com insegurança alimentar moderada ou grave caiu de 9,5% em 2023 para 7,7% em 2024. A queda foi mais expressiva entre a população negra, com diminuição de 12,2% para 9,7% para homens negros e de 12,5% para 10% entre mulheres negras, de acordo com o IBGE.

Homicídios entre jovens de 15 a 29 anos. Os homicídios entre jovens caíram de 49,7 casos a cada 100 mil habitantes para 41,9, entre 2021 e 2024, uma redução de 15,7%, segundo dados compilados pelo Observatório.

Desemprego. A taxa de desocupação no país caiu de 6,6% em 2024 para 5,6% em 2025. A queda foi mais acentuada entre as mulheres, saindo de 8,1% para 6,9% no mesmo período. Os dados, no entanto, mostram que as taxas de desemprego entre a população negra são mais críticas. O nível de desemprego entre mulheres negras, por exemplo, foi registrado em 8,5%, enquanto entre homens não negros era de 3,8%, de acordo com dados do IBGE.

Destaques negativos

População exposta a risco geológico. O número de pessoas vivendo em áreas com risco de deslizamentos e tragédias climáticas cresceu no país. Em 2025, foram registrados 4,36 milhões de pessoas nessas condições, enquanto em 2026 o número subiu 7%, chegando a 4,67 milhões, de acordo com o Serviço Geológico do Brasil.

Os dados revelam ainda que houve uma expansão das áreas de risco existentes, e não um adensamento em áreas já existentes. Hoje, o país conta com 17 mil áreas de risco geológico, a maioria delas ocupadas por pessoas em situação de vulnerabilidade.

Mortalidade materna. Após queda no pós-pandemia, os óbitos maternos subiram, passando de 52,2 casos a cada 100 mil nascidos vivos em 2023 para 55,5 em 2024. O cenário mais crítico foi registrado em Roraima, com 132,3 mortes a cada 100 mil nascidos, de acordo com dados do Ministério da Saúde.

Concentração de renda. O rendimento médio da faixa do 1% mais rico do Brasil era, em 2024, 30,2 vezes maior que o dos 50% mais pobres. Esse indicador aumentou para 31,5 vezes em 2025, de acordo com dados do IBGE.

O documento também aponta “desafios persistentes” no cenário brasileiro dentro dos indicadores que apresentaram melhoras. O rendimento médio mensal dos brasileiros, por exemplo, apresentou melhora de 5,3% entre 2024 e 2025, atingindo R$ 3.376.

Dentro desse dado, no entanto, o rendimento das mulheres negras cresceu abaixo da média nacional e em um ritmo inferior ao crescimento da renda dos homens não negros. As mulheres negras seguem tendo os menores rendimentos médios do país, com R$ 2.184 no ano passado.

Sobre os indicadores que permanecerem estáveis, como a escolarização no ensino fundamental, a taxa de feminicídio, o acesso à internet e a progressividade da tributação de renda, os pesquisadores ressaltam a necessidade de políticas públicas mais consistentes para que essas áreas produzam mudanças significativas.

“Em conjunto, os resultados mostram que o país avançou na ampliação das condições de vida da população, mas ainda encontra dificuldades para reduzir as desigualdades que estruturam a sociedade brasileira. O crescimento do emprego, da renda e do acesso a direitos foi acompanhado pela manutenção — e, em alguns casos, pelo agravamento — das disparidades de renda, raça, gênero, moradia e território”, diz o Observatório.


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