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Figurantes de “Dark Horse” relataram cachês de R$ 100 e comida estragada

Documento elaborado por sindicato cita revistas invasivas e episódio de agressão; segundo o site Intercept Brasil, filme sobre Jair Bolsonaro recebeu R$ 61 milhões de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

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Figurantes do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), relataram terem passado por uma série de violações trabalhistas e abusos físicos durante as filmagens do longa-metragem que tem o ator Jim Caviezel (“A Paixão de Cristo“, 2004) como protagonista.

Os relatos dos artistas estão reunidos em 1 dossiê preparado pelo Sated-SP (Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões no Estado de São Paulo), em conjunto com o Sindicine e o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego).

Eis a íntegra do documento:


Entre os registros, destacam-se:

  •  revistas invasivas: trabalhadores disseram terem sido submetidos a “revistas íntimas“, incluindo toques em partes do corpo, ao chegarem para o trabalho;
  • confisco de celulares: câmeras dos aparelhos eram vedadas com fita ou os dispositivos eram retidos em guarda-volumes, dificultando a comunicação com familiares; agressão física;
  • 1 figurante registrou boletim de ocorrência após ser empurrado, levar um soco e uma rasteira de seguranças ao se recusar a entregar seu celular;
  • alimentação precária: relatos apontam o fornecimento de comida estragada em 30 de outubro;
  • tratamento desigual: equipe estrangeira tinha acesso a self-service, já os figurantes brasileiros recebiam apenas um “kit lanche” insuficiente para jornadas superiores a 8 horas.

De acordo com o jornal digital Intercept Brasil, a produção do filme recebeu R$ 61 milhões, repassados por Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Segundo a reportagem, o montante total negociado com o senador Flavio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho de Jair Bolsonaro, foi de aproximadamente R$ 134 milhões.

Mesmo não representando necessariamente o orçamento total de “Dark Horse”, os R$ 61 milhões noticiados pelo Intercept Brasil equivalem a cerca de 3 vezes o faturamento de bilheteria de “Sequestro internacional”, último trabalho conjunto do ator Jim Caviezel e do diretor Cyrus Nowrasteh. O longa arrecadou pouco mais de R$ 20 milhões (US$ 4 milhões), segundo o Box Office Mojo. O orçamento não foi divulgado.

O valor noticiado também bancaria duas vezes a produção do filme “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho. O longa brasileiro, estrelado por Wagner Moura, teve orçamento de R$ 28 milhões e concorreu a 4 Oscars em 2026.

Fraude trabalhista e cachês

Ao Poder, a vice-presidente do Sated-SP, Ângela Couto, afirma que a produtora Go Up Entertainment utilizou o regime de “pejotização” para evitar vínculos empregatícios. O sindicato considera como fraude à legislação trabalhista. Os valores dos cachês pagos também estão abaixo do padrão de mercado, diz o sindicato:

Figuração comum: R$ 100,00.
Elenco de apoio: R$ 170,00.
Taxa de transporte: Havia cobrança indevida de R$ 10,00 pelo uso de vans, valor descontado diretamente do cachê.

Segundo a convenção coletiva da categoria, firmada em dezembro de 2025 para 2026 e 2027, o piso diário para figuração cinematográfica de longa-metragem é de R$ 227,14, enquanto para elenco de apoio é de R$ 500,00.

Ângela destacou o descaso com a categoria: “Os profissionais eram maltratados no casting, no set de filmagem. A gente tem denúncia de que essas pessoas passavam por revistas abusivas“. Ela diz existem trabalhadores ainda não receberam os pagamentos ou enfrentaram atrasos sistemáticos.

Produção ainda não respondeu denúncias

As denúncias foram publicadas pelo portal Poder 360. O site entrou em contato com a assessoria de imprensa da Go Up Produções às 17h51 de 5ª feira (14.mai). Porém, os questionamentos não foram respondidos até a publicação desta reportagem. Caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital, a reportagem será atualizada.

O Poder360 também procurou o Ministério do Trabalho e Emprego, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem. Caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital, a reportagem será atualizada.

O longa-metragem é dirigido pelo cineasta norte-americano de ascendência iraniana Cyrus Nowrasteh, conhecido por produções de apelo cristão. O papel de Jair Bolsonaro é interpretado por Jim Caviezel, que viveu Jesus Cristo em “A Paixão de Cristo” e é conhecido também por protagonizar o sucesso conservador “O Som da Liberdade“.

O deputado Mario Frias (PL-SP), produtor-executivo do filme, negou que “Dark Horse” tenha recebido recursos de Daniel Vorcaro. O lançamento do filme é estimado para setembro de 2026.


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