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Operação da PF contra fraudes aponta 400 empresas falsas; firma de fachada usava endereço da Justiça Federal como ‘sede’

Esquema liderado por operador de Americana (SP), que ainda está foragido, usava identidades fictícias, corrupção de gerentes de bancos e estrutura ligada ao narcotráfico.

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A Operação Fallax realizada pela Polícia Federal da manhã desta quarta-feira, 25/3, para desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal revelou uma “estrutura de audácia impressionante”, segundo investigadores. O esquema era liderado por um operador de lavagem de dinheiro de Americana (SP), apontado como responsável por manter uma rede com centenas de empresas de fachada.

Embora 172 companhias já tenham sido formalmente identificadas, a PF estima que o total possa chegar a 400 firmas fictícias, utilizadas para obter empréstimos de alto valor que nunca eram quitados. O prejuízo causado a instituições financeiras como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Santander e Bradesco pode alcançar R$ 500 milhões.

— O negócio principal dele era construir uma rede de centenas de empresas de fachada, inexistentes de fato, em nome de laranjas, para negociar com instituições financeiras. Se passava por cliente, conseguia empréstimos e depois não pagava — afirmou o delegado Florisvaldo Neves, que participou da operação.

Esquema utilizava empresas fictícias e identidades falsas

Um dos pontos que mais chamou a atenção dos investigadores foi a ousadia do grupo. Uma das empresas de fachada foi registrada utilizando o endereço da Justiça Federal em São Paulo.

Para burlar fiscalizações, os criminosos não se limitavam a usar pessoas reais como laranjas. Segundo a PF, o grupo também criava identidades totalmente fictícias, com certidões de nascimento e CPFs falsificados para pessoas que sequer existiam.

De acordo com a investigação, a estrutura de empresas funcionava como uma “luva” para interesses do narcotráfico. O principal operador utilizava a movimentação financeira das contas para lavar dinheiro do chamado Bonde do Magrelo, grupo de Rio Claro apontado como um braço da facção criminosa Comando Vermelho no interior paulista.

Investigação atinge empresários e setor financeiro

A investigação também atingiu nomes do setor financeiro. Foram cumpridos mandados contra sócios-diretores do Grupo Fictor, que teriam recorrido à estrutura montada pelo operador de Americana para movimentar valores de interesse do grupo.

— A gente identificou como alvos três sócios diretores dessa empresa e mais um colaborador, A investigação não mira essa empresa especificamente, mas a gente conseguiu identificar que havia contato direto com o nosso alvo principal, com esses sócios diretores — disse o delegado Henrique Sousa Guimarães.

O CEO do Grupo Fictor, Rafael Góis, fundador e principal sócio da empresa, e seu ex-sócio Luiz Phillippe Gomes Rubin foram alvo de mandado de busca e apreensão. Em nota, a defesa de Rubini afirmou que não teve conhecimento prévio do processo e que irá se manifestar oportunamente. A defesa de Góis não foi localizada.

Organização corrompia gerentes e usava laranjas

Além de Góis, seu ex-sócio Luiz Phillippe Gomes Rubin, também foi alvo da operação. Em nota, a defesa de Rubini afirmou que não teve conhecimento prévio do processo e que irá se manifestar oportunamente.

Segundo a PF, a organização também cooptava gerentes de bancos por meio de corrupção, para facilitar a aprovação de crédito e contornar mecanismos de compliance. Enquanto os articuladores movimentavam milhões, os laranjas recebiam valores irrisórios, entre R$ 150 e R$ 200, para ceder seus nomes, diz a polícia.

Operação resulta em prisões e bloqueio de milhões

Até o momento, a operação resultou em 13 prisões e no bloqueio de aproximadamente R$ 47 milhões em bens, contas bancárias e criptomoedas.

O principal alvo da investigação e a sua esposa conseguiram fugir e são considerados foragidos. A polícia suspeita que eles tenham se escondido em Angra dos Reis (RJ), onde outros dois integrantes do grupo foram presos.


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