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Agência internacional de energia recomenda home office e carona para enfrentar crise energética
AIE diz que medidas são necessárias para lidar com a “maior interrupção de fornecimento na história do mercado de petróleo”.
A Agência Internacional de Energia(AIE), entidade que administra as reservas de emergência dos 32 países ricos da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), está recomendando que as pessoas reduzam a demanda por petróleo trabalhando mais em casa, voando menos e dirigindo mais devagar, enquanto a guerra com o Irã abala os mercados globais de energia.
A agência afirma que essas medidas, juntamente com ações como pegar carona e trocar os fogões a gás por elétricos, são necessárias para lidar com a “maior interrupção de fornecimento na história do mercado de petróleo”, que elevou o preço do barril para acima de US$ 100.
Cerca de 20% do suprimento global de petróleo normalmente passa pelo Estreito de Ormuz, via marítima que o Irã praticamente fechou com ataques a petroleiros. Na quinta-feira, depois que o Irã atingiu a maior instalação de gás natural liquefeito do mundo, no Catar, após um ataque israelense a um campo de gás iraniano, o mercado de gás entrou em frenesi.
Para tentar alivias a crise, os membros da AIE, que incluem Estados Unidos, Reino Unido e Japão, concordaram em liberar no mercado um recorde de 400 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas, enquanto os EUA também suspenderam algumas sanções ao petróleo russo.
Mas a AIE afirmou que “medidas do lado da oferta, por si só, não conseguem compensar totalmente a escala da interrupção”, acrescentando:
“Abordar a demanda é uma ferramenta crítica e imediata para reduzir a pressão sobre os consumidores, melhorando a acessibilidade e apoiando a segurança energética.”
Embora seja papel da AIE reforçar a segurança energética, recomendações desse tipo são raras. Durante a crise energética de 2021–2023, quando o fornecimento de gás russo à Europa foi reduzido, a agência recomendou que as pessoas diminuíssem o aquecimento e comprassem bombas de calor para substituir caldeiras a gás.
Mas o alerta mais recente é mais abrangente. De acordo com o jornal britânico Financial Times, o apelo remete aos anos 1970, quando os EUA e o Reino Unido reduziram os limites de velocidade em resposta ao embargo petrolífero árabe.
As recomendações da AIE não são obrigatórias, e cabe a cada governo decidir se quer impor restrições ou deixar a decisão a cargo das pessoas. A agência disse que a adoção generalizada de suas recomendações “ampliaria seu impacto global e ajudaria a amortecer o choque”.
Vários governos já adotaram medidas. Paquistão e Filipinas introduziram uma semana de trabalho de quatro dias para funcionários públicos, enquanto Tailândia e Vietnã estão incentivando o trabalho remoto.
Outras nações, no entanto, estão seguindo na direção oposta. A Itália, na quinta-feira, reduziu temporariamente os impostos sobre combustíveis em 20% na tentativa de amortecer o impacto dos preços disparados sobre os consumidores. O corte valerá inicialmente por 20 dias e depois será reavaliado. Economistas especialistas em energia criticaram a medida, afirmando que ela estimulará o consumo em vez da economia.
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