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Economia

Páscoa salgada: preço do chocolate dispara e consumidor precisa caçar ofertas

Como o cacau é cotado em dólar, a desvalorização do real também pressiona os preços no Brasil.

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Com ovos de Páscoa mais caros em 2026 e variações de preços que ultrapassam 160% entre estabelecimentos, o consumidor carioca deve redobrar a atenção na hora de ir às compras. Mesmo diante do cenário de encarecimento, o comércio aposta em leve crescimento nas vendas, impulsionado por promoções, diversificação de produtos e estratégias para atrair diferentes perfis de clientes.
Para auxiliar na busca pelo preço mais barato nas compras, o site O DIA pesquisou promoções do e-commerce e especialistas em chocolate.

A poucos dias da Páscoa, considerada uma das datas mais importantes para o varejo, especialmente para o setor de chocolates, o consumidor encontra um cenário marcado por preços mais altos e grande diferença de valores entre lojas. Em 2025, a celebração foi em 20 de abril. Neste ano, vai cair em 5 de abril.

Consumo de chocolate cresce apesar da alta de preços

De acordo com a Euromonitor, plataforma de pesquisa de negócios global, o Brasil é hoje o quinto maior mercado consumidor de chocolates do mundo, atrás de Estados Unidos, Rússia, Alemanha e Reino Unido. Em 2025, o volume total de consumo atingiu 385 mil toneladas, alta de 3% sobre 2024. Em valor, ele foi ainda mais expressivo: R$ 36,7 bilhões, crescimento de 26% na comparação anual, impulsionado principalmente pelos preços mais elevados.

Segundo uma pesquisa da Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor (Sedcon) e do Procon-RJ, os preços dos produtos típicos da data subiram, em média, 16,85% em relação a 2025. Além disso, o levantamento identificou variações de até 160,32% para um mesmo item, evidenciando a importância da pesquisa antes da compra.

Realizado entre os dias 26 de fevereiro e 16 de março, o estudo analisou 70 produtos, entre ovos de Páscoa, barras de chocolate e caixas de bombons, em estabelecimentos físicos e plataformas digitais no Estado. A variação média geral foi de 63,37%, o que significa que o consumidor pode pagar muito mais caro dependendo de onde compra.

Diferença de preços chega a mais de 100% entre produtos

Um dos exemplos é a barra de chocolate com biscoito Choco Trio (90g), da Nestlé, encontrada por preços entre R$ 4,99 e R$ 12,99. De acordo com o levantamento, 58% dos produtos apresentaram variações entre 50% e 100%, enquanto apenas 8% tiveram diferença inferior a 25%.

O impacto no bolso já é sentido: o custo de uma cesta típica de Páscoa passou de cerca de R$ 200 em 2025 para R$ 233,70 neste ano.

Diante desse cenário, a orientação é clara. “Investir na informação é fundamental para garantir que o consumidor faça escolhas mais conscientes e econômicas. A pesquisa permite identificar diferenças expressivas de preços e contribui para o planejamento financeiro das famílias”, destacou o secretário de Estado de Defesa do Consumidor, Gutemberg Fonseca.

O estudo também avaliou produtos comercializados por lojas especializadas em chocolates. Nesse segmento, a Brasil Cacau apresentou redução média de 7,56% no preço por grama, passando de R$ 0,3156/g em 2025 para R$ 0,2911/g em 2026, enquanto a Lindt registrou queda de 4,82%, de R$ 0,5183/g para R$ 0,5030/g.

Por outro lado, a Kopenhagen teve aumento médio de 4,95%, passando de R$ 0,3896/g para R$ 0,4089/g, e a Cacau Show também registrou alta, de R$ 0,2813/g para R$ 0,2980/g, o preço por grama foi utilizado como referência para comparação, entre os produtos analisados.

Apesar da alta de preços, o comércio carioca mantém uma expectativa moderadamente positiva para a data. De acordo com um levantamento do Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDLRio) e pelo Sindicato dos Lojistas do Comércio do Município do Rio de Janeiro (SindilojasRio), a pedido do O DIA, a estimativa é de crescimento de 1% nas vendas em relação ao ano passado.

A pesquisa ouviu 250 lojistas de diversos segmentos — como vestuário, calçados, perfumaria, eletrodomésticos e brinquedos — e aponta que a Páscoa vem deixando de ser uma data restrita ao chocolate.

Para 70% dos comerciantes, o gasto médio por consumidor deve ficar em torno de R$ 150. Outros 20% acreditam em tíquete de até R$ 180, enquanto 10% projetam valores próximos de R$ 250. As principais formas de pagamento devem ser cartão de crédito e débito, além de Pix e dinheiro.

Segundo o presidente das entidades, Aldo Gonçalves, o varejo tem apostado na diversificação para atrair consumidores em um cenário econômico mais desafiador.

Alta do cacau explica encarecimento do chocolate

“A continuidade das condições do crédito caro, somada à diminuição do ritmo da economia e ao nível de endividamento das famílias, refletem a estimativa para a Páscoa. Ainda assim, os empresários estão inovando a cada ano, oferecendo não apenas chocolates, mas também brinquedos, pelúcias, joias, vestuário e outros produtos”, afirmou.

A estratégia inclui ampliar o público-alvo da data, que tradicionalmente era voltada para crianças. Agora, casais e adultos também entram no foco das campanhas, com opções de presentes variados.

Por trás desse cenário, no entanto, há fatores estruturais que ajudam a explicar a alta dos preços. De acordo com o professor e coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), Ahmed El Khatib, o encarecimento do chocolate não é pontual nem exclusivamente sazonal.

Crise global do cacau impacta preços no Brasil

Dados do IPCA mostram que chocolates em barra e bombons acumulam alta de 24,77% em 12 meses até janeiro de 2026, bem acima da inflação geral de 4,44%.

“Antes mesmo do efeito Páscoa, o chocolate já vinha encarecendo forte no Brasil. Isso revela que o problema é estrutural, envolvendo matéria-prima, energia, frete e embalagens”, explicou.

O principal fator por trás da alta foi a disparada histórica no preço do cacau em 2024, quando a cotação internacional ultrapassou US$ 10 mil (cerca de R$ 52 mil, na cotação atual) por tonelada — mais que o triplo da média histórica. A crise teve origem em quebras de safra na África Ocidental, especialmente na Costa do Marfim e em Gana, responsáveis por cerca de 60% da produção mundial.

Por que os preços ainda não caíram para o consumidor

“Doenças nas lavouras, eventos climáticos extremos associados ao El Niño e envelhecimento dos cacaueiros reduziram drasticamente a oferta global. Como o cacau representa entre 30% e 40% do custo industrial do chocolate, o repasse foi inevitável”, afirmou o especialista.

Mesmo com a recente queda dos preços internacionais para cerca de US$ 5 mil (aproximadamente R$ 26 mil, na cotação atual) por tonelada, o consumidor ainda não percebe alívio.

“A indústria trabalha com contratos futuros e estoques. Muitas empresas travaram preços quando o cacau estava muito caro. O reflexo na gôndola ocorre com defasagem”, explicou.

Dicas para economizar nas compras de Páscoa

Além disso, como o cacau é cotado em dólar, a desvalorização do real também pressiona os preços no Brasil. Na prática, o consumidor sente esse impacto de diferentes formas.

“Pode ser pelo aumento direto do preço, pela redução da gramatura ou por promoções mais seletivas. O varejo tende a segurar preços em alguns produtos e compensar em itens premium”, disse Ahmed.

Outro fator que encarece os ovos de Páscoa é a própria estrutura do produto. “O consumidor não paga apenas pelo chocolate, mas também por embalagem especial, marketing e logística. É um produto sazonal, com custos adicionais”, ressaltou.

Pequenos produtores enfrentam aumento de custos

Diante dos preços altos, o especialista recomenda planejamento. Comparar o preço por grama, avaliar alternativas como barras e caixas de bombons e pesquisar em diferentes canais — como supermercados, atacarejos e e-commerce — pode fazer diferença no orçamento.

“Muitas vezes, combinar produtos sai mais barato do que comprar um ovo grande. E, em um cenário de preços elevados, planejar deixou de ser apenas uma boa prática e passou a ser uma necessidade. A última semana antes da Páscoa costuma ser emocionalmente mais cara”, concluiu.

Com a chegada da Páscoa, a demanda cresce significativamente e exige reforço na produção.

Produção cresce, mas lucro depende de adaptação

“A Páscoa é a data mais doce do ano, então é o momento de nós confeiteiras. A produção aumenta bastante. No ano passado, produzimos mais de 100 ovos de colher na cozinha da nossa casa, isso sem contar as lembracinhas”, disse.

Apesar do aumento nas vendas, o cenário de custos mais altos também impacta diretamente os pequenos produtores.

“Sem dúvidas o que mais encareceu esse ano foi o chocolate, seja em pó que usamos para os recheio ou em barra para as cascas dos ovos. Desde 2024 estamos passando por uma crise do cacau que vem afetando até hoje. Um chocolate em pó de 1 kg que costumávamos pagar R$ 32 no máximo ano passado, esse ano estamos comprando à R$ 57,99”, revelou.

Segundo a empreendedora, foi necessário encontrar alternativas para equilibrar preço e qualidade.

“Foi um equilíbrio difícil pois precisamos manter a qualidade e também o preço. Mas para manter sempre o melhor, calculamos todas as quantidades, fizemos algumas adaptações nos tamanhos para termos opções com o preço reduzido também e sem perder a qualidade. Em geral, nossos produtos tiveram um pequeno aumento para manter o padrão e não ter prejuízo”, afirmou.

A expectativa para este ano é de crescimento no faturamento, impulsionado pela demanda da data. Ela relata que ano passado foram mais de R$ 13 mil no apartamento. Esse ano espera chegar aos R$ 18 mil de faturamento.

Para Melo, mais do que o preço, o que pesa na decisão do consumidor é a experiência completa.

“Com certeza, o sabor e qualidade. Mas é um conjunto, priorizamos a qualidade desde o atendimento para que o cliente tenha uma experiência literalmente do início ao fim, já que durante o pedido temos o primeiro contato. Assim o cliente percebe o cuidado em cada etapa, atendimento, retirada e sem dúvidas quando prova os nossos ovos de páscoa. Quando ele sente que recebeu algo especial, o valor faz sentido”, concluiu.


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