Amazonas
Manaus é a capital com maior crescimento das favelas, mostra estudo do Mapbiomas
Com 438 áreas classificadas como de risco geológico, Manaus é o município com o maior número de registros entre as 1.803 cidades mapeadas pelo SGB (Serviço Geológico do Brasil).
As favelas brasileiras cresceram e ocuparam uma área de 92,3 mil hectares nos últimos 40 anos, registra o Mapeamento Anual das Áreas Urbanizadas no Brasil, do Mapbiomas, divulgado nesta quarta-feira (04/03). Manaus foi a cidade brasileira em que as favelas mais cresceram em extensão se comparadas aos outros territórios urbanos nesse período. A área ocupada pelas favelas da capital amazonense aumentou 2,6 vezes.
De acordo com o estudo, as favelas quase triplicaram de tamanho em quatro décadas, e se tornaram 2,75 vezes maiores, enquanto as cidades, de forma geral, cresceram 2,5 vezes.
O aumento foi observado entre os anos de 1985 e 2024, quando a área urbana de favelas saltou de 53,7 mil hectares para 146 mil hectares.
O estudo revelou ainda que a dinâmica de crescimento das favelas foi mais intensa nas regiões metropolitanas do país, que em 2024, abrigavam 82% das áreas urbanizadas em favelas.
O geógrafo e coordenador do Mapiomas, Júlio Pedrassoli, considera que o crescimento mais acelerado das áreas de favelas em comparação com a média nacional e sua forte concentração em regiões metropolitanas sugerem uma tendência conhecida e preocupante.
“As metrópoles concentram muita riqueza, mas também intensificam problemas estruturais. Frente às mudanças climáticas em curso, se acende um sinal de alerta”, reforça Pedrassoli.
As regiões metropolitanas que abrigam as maiores áreas urbanizadas em favelas são as de São Paulo (SP), Manaus (AM) e Belém (PA), com territórios de 11,8 mil hectares, 11,4 mil hectares e 11,3 mil hectares, respectivamente.
No recorte por favela, o Distrito Federal abriga as que mais cresceram no período entre 1985 e 2024. Esse crescimento posicionou as favelas Sol Nascente e 26 de Setembro em primeiro e segundo lugares das maiores favelas do Brasil, com 599 hectares e 577 hectares.
Segurança hídrica
As cidades brasileiras também ocuparam mais áreas ameaçadas pela disponibilidade de água para abastecimento das populações nos últimos.
De acordo com os pesquisadores, 25% das áreas naturais que foram urbanizadas estão localizadas onde a capacidade de abastecimento hídrico é crítica. Essas áreas somam cerca de 167,5 mil hectares.
Ao todo, esse montante inclui territórios em 1.325 municípios brasileiros, sendo que a cidade do Rio de Janeiro é a que concentra a maior área urbanizada em condições mínimas de segurança hídrica.
Na capital fluminense 7,6 mil hectares a mais foram urbanizados em áreas nessas condições ao longo de 40 anos.
“Existe um descompasso entre o crescimento das cidades e a disponibilidade de água. O fato de 1.325 municípios terem ampliado sua mancha urbana nessas condições revela que o problema é estrutural e nacional. Não é apenas uma questão de risco”, conclui Pedrassoli.
O bairro Cidade de Deus/Alfredo Nascimento, na Zona Norte de Manaus, ocupa a quarta posição no ranking das maiores favelas do país em população, com mais de 55 mil moradores. A informação consta no Censo 2022, e foi pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O levantamento mostra que entre as 20 favelas mais populosas do Brasil, seis estão localizadas nas zonas Leste e Norte de Manaus.
O termo favela voltou a ser usado pelo IBGE após 50 anos. Para o instituto, favelas e comunidades urbanas são regiões em que há insegurança jurídica da posse, ausência ou oferta incompleta e/ou precária de serviços públicos, edificações, arruamento e infraestrutura geralmente feitos pela própria comunidade e localização em área com restrição à ocupação.
A capital amazonense concentra, de acordo com os dados do Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), seis das 20 favelas mais populosas do País. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 8. O bairro Cidade de Deus, na Zona Norte da cidade, é o bairro mais populoso dentre os outros citados em Manaus, com 55.821 moradores.
Dentre as 392 favelas e comunidades no País, as três maiores em número de habitantes estão em Manaus. Cidade de Deus e Alfredo Nascimento, na Zona Norte, somam 55.821 habitantes. A Comunidade São Lucas, no bairro Tancredo Neves, na Zona Leste, registrou 53.674 moradores. E o bairro Zumbi dos Palmares, também na Zona Leste, com 34.706 moradores.
Além dessas, também estão na lista os bairros Colônia Terra Nova, na Zona Norte da cidade, com 30.142 moradores, e Grande Vitória, também na Zona Leste, com 26.733 habitantes.
Áreas de risco
Com 438 áreas classificadas como de risco geológico, Manaus é o município com o maior número de registros entre as 1.803 cidades mapeadas pelo SGB (Serviço Geológico do Brasil). Os dados constam no painel “Risco Geológico” atualizado no dia 23 de fevereiro. Manaus aparece à frente de municípios como Ouro Preto (MG), com 313 áreas; Nova Friburgo (RJ), com 254; e Brusque (SC), com 199 registros.
Do total de ocorrências na capital amazonense, 362 são consideradas de risco alto e 76 de risco muito alto. Juntas, essas categorias representam 100% das áreas classificadas no município, sendo 82,65% enquadradas como risco alto e 17,35% como muito alto.
Segundo o levantamento, 112.104 pessoas vivem atualmente em áreas de risco em Manaus. O número de domicílios nessas localidades é de 28.026, conforme dados do Censo 2022 utilizados pelo SGB.
Entre os tipos de ocorrências identificadas na capital, os deslizamentos lideram com 295 registros. Também foram contabilizados 39 casos de erosão, 37 de alagamento, 32 de inundação, 31 de enchente e quatro classificados como outros tipos.
Considerando os 62 municípios amazonenses mapeados pelo SGB, o estado soma 800 áreas classificadas como de risco geológico. Manaus concentra 55% das áreas registradas no estado.
O segundo município com mais registros no estado é Maraã com 33 áreas, seguido por Carauari (18), Coari (17), Iranduba (16), São Gabriel da Cachoeira (14) e Manaquiri (14).
No comparativo nacional, Minas Gerais lidera com 3,6 mil áreas de risco, seguido por Santa Catarina (3 mil) e Rio Grande do Sul (2,4 mil). O Amazonas, com 800 registros, supera estados como Ceará (459), Maranhão (379) e Rio de Janeiro (346).
Em todo o país, os levantamentos do SGB identificaram 17,7 mil áreas de risco nos 1.803 municípios mapeados. Nessas localidades, cerca de 4,6 milhões de pessoas vivem em áreas classificadas como de risco geológico.
Assim como ocorre em Manaus, os deslizamentos são o principal tipo de ocorrência em âmbito nacional, com 8,8 mil áreas mapeadas. Em seguida aparecem os processos de inundação, que somam 5,7 mil registros em todo o Brasil.
O painel reúne informações de municípios mapeados pelo órgão federal e serve como ferramenta de monitoramento e prevenção de desastres naturais, auxiliando no planejamento de ações voltadas à redução de riscos e à proteção da população.
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