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Publicação da igreja católica oferece reflexões sobre cidadania a partir do voto consciente nas eleições 2026
A Igreja Católica deseja orientar para que os cristãos exerçam sua cidadania escolhendo seus representantes de maneira consciente.
Com a proximidade das eleições em âmbito estadual e nacional (deputado estadual e federal; senador, governador e presidente da República), a Igreja Católica deseja orientar os cristãos para a importância do exercício da cidadania através do voto consciente. Para tanto, a Arquidiocese Metropolitana de Manaus, através do Conselho de Leigos/as, preparou a cartilha “Fé e Política” que traz, a partir de círculos bíblicos (encontros de reflexão e oração), a iluminação para um diálogo que transforma e a ação que constrói o bem comum.
A Igreja de Manaus preparou a cartilha que propõe a realização de encontros com reflexões que contribuirão para unir a Fé com a vida na sociedade, sobretudo neste tempo difícil para muitas pessoas que se encontram em situação de vulnerabilidade social, sem oportunidade de emprego que lhes garanta vida digna.
Com isso, a Igreja Católica deseja orientar para que os cristãos exerçam sua cidadania escolhendo seus representantes de maneira consciente, refletindo sobre diversos pontos que podem clarear sua decisão, visando o bem de todos, melhorando a qualidade de vida dos mais pobres e modificando para melhor a realidade brasileira.
A proposta é promover subsídio para que os cristãos sejam “semeadores da proposta da Igreja no reconhecimento da política como bem comum a serviço de toda a humanidade e com uma das mais altas expressões da caridade”.
De acordo com a Arquidiocese, partir do que apontava São João Paulo II, ainda no ano de 1988, com a Exortação Apostólica Christifídeles laici, “Os fiéis leigos não podem de maneira nenhuma abdicar de participar na ‘política’, ou seja, na multíplice e variada ação econômica, social, legislativa, administrativa e cultural, destinada a promover de forma orgânica e institucional o bem comum” .
Na encíclica Fratelli Tutti, Papa Francisco, nos explicou que a caridade está na boa política que deve sempre promover o bem comum a todos, em especial aos que mais necessitam, e exemplificou isso com muita clareza.
“Ajudar um idoso a atravessar um rio é caridade primorosa; mas o político constrói-lhe uma ponte, e isto também é caridade. É caridade se alguém ajuda outra pessoa fornecendo-lhe comida, mas o político cria-lhe um emprego, exercendo uma forma sublime de caridade que enobrece a sua ação política”, afirmou o Papa (Fratelli Tutti, n. 182).
A palavra “política” é derivada do termo grego “politikos”, que designava os cidadãos que viviam na “polis” (cidade/sociedade organizada). À origem do termo remonta à participação na comunidade, à vida coletiva. Onde houver duas ou mais pessoas, haverá a necessidade de definir regras de convivência, limites de ação e deveres comuns. À vida em comunidade pressupõe desafios e necessidades que devem nos orientar para a promoção e defesa da vida e da dignidade de todos os seres. Envolver-se com a política é importante para que se expresse a vontade de Jesus: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância” (João 10, 10). E nisso a Igreja tem muito o que colaborar e ensinar!
Conforme apresenta a cartilha, é importante ajudar a “refletir de forma crítica e sensível sobre como conhecer e envolver-se na política desde os valores apontados pelo Evangelho. Essa referência é chave para que, especialmente por meio do nosso voto, possamos aliar os nossos interesses e demandas com interesses e demandas de toda a sociedade, escolhendo representantes que priorizem: a dignidade da pessoa humana, a fraternidade, o bem comum, a ecologia integral e a justiça. Que tragam e efetivem propostas favoráveis ao coletivo e demonstrem compromisso com as mulheres, jovens, idosos e grupos vulneráveis, bem como a própria democracia”
Também se deseja esclarecer o que de fato é corrupção, visto que não se resume apenas suborno, mas que ela “nasce da cobiça, do orgulho e do desejo de se aproveitar do outro. Identificamos no dia a dia formas de corrupção, tais como: pequenas mentiras e falsas desculpas, furar filas, desonestidade no trabalho, entre outras atitudes. […] ela é um problema que está presente no coração humano, gerado pela cobiça e egoísmo”.
“A participação consciente e comprometida de cristãos e cristãs em diferentes espaços da política é de fundamental importância para que possamos vencer as divisões, desigualdades e injustiças, e fortalecer os valores do Reino apontados por Jesus na construção de um mundo mais justo e fraterno”, apresenta a Cartilha Fé e Política.
Que nosso voto não se deixe comprar nem enganar, mas seja expressão de nossa fé e compromisso com o bem comum. Dá-nos discernimento para reconhecer a verdade, coragem para defender a justiça e amor para servir o próximo, especialmente os mais vulneráveis da nossa Querida Amazônia. Amém.
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