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Diretor da Human Rights Watch lembra em artigo os seis anos do Massacre do Rio Abacaxis, no Amazonas, e denuncia impunidade

A Human Rights Watch enviou uma carta aos relatores da Organização das Nações Unidas e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, instando-os a pressionar as autoridades brasileiras a garantir justiça.

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Em um artigo sob o título ‘Terror na Amazônia’, César Muñoz, diretor no Brasil, Divisão das Américas, da Human Rights Watch (HRW), organização internacional não governamental que defende e investiga os direitos humanos em cerca de 100 países, lembrou o sexto ano do Massacre do Rio Abacaxis, nos municípios de Borba e Nova Olinda do Norte, no interior do Amazonas, e cobrou o julgamento dos responsáveis.

No artigo, publicado no site da instituição, ele diz que os órgãos internacionais deveriam pressionar por justiça.

Ele lembrou que no dia 3 de agosto de 2020, começou um pesadelo para indígenas e ribeirinhos que moravam em comunidades às margens do rio Abacaxis, na Amazônia. Naquele dia, três barcos particulares chegaram à cidade de Nova Olinda do Norte transportando dez policiais militares do estado do Amazonas à paisana; dez dias antes, alguém havia atirado contra um barco que pescava ilegalmente na região. Um secretário estadual , que estava a bordo, teria sofrido um ferimento leve. Testemunhas afirmaram que ele prometeu voltar para se vingar.

Recorda que as coisas não saíram como planejado. “Houve um tiroteio em uma das comunidades ribeirinhas, e dois policiais foram mortos. Segundo moradores locais, aqueles que efetuaram os disparos não sabiam que os homens nos barcos eram policiais. As autoridades do estado do Amazonas apresentaram uma versão diferente, alegando que um grupo de traficantes de drogas havia emboscado a polícia”.

Segundo o artigo, em resposta, o estado enviou 50 policiais militares. Moradores relataram que, nas semanas seguintes, os policiais passaram de comunidade em comunidade, queimando casas, torturando e matando pelo menos seis pessoas. “Outras duas continuam desaparecidas até o momento e são consideradas mortas”.

Ele disse que, na época, um procurador da República e a Human Rights Watch alertaram que estavam ocorrendo graves abusos, mas as autoridades estaduais e a Polícia Federal não atuaram para impedi-los.

Seis anos depois, afirma, ninguém foi responsabilizado e a Human Rights Watch enviou uma carta aos relatores da Organização das Nações Unidas e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos em 3 de agosto de 2026, instando-os a pressionar as autoridades brasileiras a garantir justiça e a proteger as vítimas e os ativistas locais.

A carta menciona o caso de um líder comunitário que afirmou que policiais o espancaram repetidamente na presença do então comandante da Polícia Militar do Amazonas. Eles também colocaram um saco plástico em sua cabeça e ameaçaram cortar seus órgãos genitais com um canivete, lembrou ele. Por fim, os policiais o soltaram com uma advertência: “se falar, tu vai morrer”. Mesmo assim, ele denunciou a tortura á Polícia Federal.

“Sua coragem, e a de outras testemunhas — incluindo um pai que relatou como os policiais colocaram seu filho de seis anos dentro de um freezer —, levou o Ministério Público Federal a apresentar denúncias em 2024 e 2025 contra o ex-secretário de Segurança Pública do Amazonas e 12 policiais”, lembra.

O diretor da Human Rights Watch informou que atualmente, os processos continuam paralisados devido a uma disputa jurídica sobre qual tribunal tem jurisdição para conduzir os julgamentos. E que, Enquanto isso, os sobreviventes vivem com medo.

Em 2025, a Polícia Federal (PF) concluiu as investigações sobre o Massacre do Rio Abacaxis, que resultou em oito assassinatos e diversos abusos cometidos por policiais militares estaduais contra ribeirinhos e indígenas, em agosto de 2020, no interior do Amazonas.

Em abril de 2023, o ex-secretário de Segurança Pública do Amazonas, coronel Louismar Bonates, e o coronel da Polícia Militar, Airton Norte, foram indiciados pelos agentes federais por envolvimento na chacina.

À época, Bonates era o secretário de Segurança Pública do Amazonas, quando os policiais militares fizeram a operação com mais de 50 homens na região de Nova Olinda do Norte.

A investigação da Polícia Federal concluiu que a tropa, sob o comando do coronel Norte, invadiu casas sem ordem judicial, torturou moradores e assassinou cinco pessoas, entre indígenas e ribeirinhos, na região do Rio Abacaxis.

Em julho de 2020, o então secretário executivo do Governo do Amazonas, Saulo Rezende Costa, foi baleado no braço após tentar entrar com uma lancha particular em uma área proibida para pesca esportiva, em Nova Olinda do Norte.

Dias depois, quatro policiais militares à paisana foram até o local na mesma lancha para prender os atiradores. Houve confronto e dois policiais morreram.

Na época, o Governo do Amazonas anunciou uma grande operação na região. Bonates e Norte foram a Nova Olinda do Norte com o objetivo de desarticular a quadrilha que aterrorizava os moradores.

Ao menos cem famílias de onze comunidades relataram ter sofrido tortura para revelar o paradeiro dos assassinos dos policiais.

Torturas, terror, esquartejamento, 8 mortos: relatório da Polícia Federal detalha ‘Massacre do rio Abacaxis’, no Amazonas


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