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Em comunicado nesta terça-feira (02/06) ONU alerta para retorno do El Niño e risco de eventos climáticos extremos
Fenômeno tem 80% de probabilidade de se desenvolver entre junho e agosto e pode intensificar secas, chuvas fortes e ondas de calor em diferentes regiões do planeta.
Amazônia: bombeiro militar inspeciona área queimada em Curralinhos, no Pará. (Foto: Apolline Guillerot-Malick/SOPA Images/LightRocket via Getty Images)
Em um comunicado nesta terça-feira (2), a agência da ONU informou que os dados mostram que o El Niño, fenômeno que aquece as águas e afeta o clima pelo mundo, deve chegar nos próximos meses e há fortes indícios de que ele seja intenso. O último El Niño que, em 2024, provocou secas intensas na Amazônia , deixando rios na região Amazônica completamente secos.
“Precisamos nos preparar para um possível evento El Niño forte, que exacerbará a seca e as chuvas intensas e aumentará o risco de ondas de calor tanto em terra quanto no oceano”, afirmou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.
O El De acordo com os dados da WMO, que é autoridade no tema, há 80% a probabilidade de desenvolvimento do fenômeno El Niño entre junho e agosto deste ano. Ou seja, é certo que o fenômeno vai acontecer.
Embora ainda exista incerteza sobre sua intensidade máxima, a maioria dos modelos climáticos sugere que o evento deverá ser, no mínimo, moderado e pode atingir níveis considerados fortes. Ou seja, o mundo já não vamos ter uma versão mínima do evento. O alerta da ONU é de que é preciso se preparar para eventos extremos.
“Os impactos serão ainda mais severos, viajarão ainda mais longe e cruzarão fronteiras com velocidade devastadora. A única resposta eficaz é uma ação climática à altura da crise – acabar com a dependência dos combustíveis fósseis, acelerar a transição para as energias renováveis, proteger os mais vulneráveis e implementar sistemas de alerta precoce para todos”, disse António Guterres, Secretário-Geral da ONU.
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial central e oriental. Ele faz parte de um ciclo conhecido como Oscilação Sul do El Niño (ENSO), que alterna entre três fases: El Niño, La Niña e neutralidade.
O fenômeno costuma ocorrer a cada dois a sete anos e geralmente dura entre nove e doze meses. Seu pico costuma ser registrado entre o final de um ano e o início do seguinte, mas seus efeitos podem persistir por mais tempo e influenciar padrões climáticos em diversas regiões do planeta.
E o que pode acontecer?
No Brasil, o El Niño aumenta a tendência de seca na parte norte do país e de chuva na parte sul. Porém, mais do que isso, há um risco de aumento nos eventos extremos de forma generalizado — afetando todas as regiões.
Isso acontece porque o clima é sustentado por uma combinação de fatores que estão interligados. Com secas extremas no Norte, não temos a umidade da Amazônia e seus rios voadores que irrigam o restante do país. A consequência disso, é uma temporada mais seca também em outros estados.
O último El Niño que enfrentamos foi em 2024. À época o Brasil viu:
– Secas intensas no Norte, deixando rios na região Amazônica completamente secos;
– As enchentes do Rio Grande do Sul;
– O aumento das temperaturas, que elevou as ocorrências de incêndio, afetando os principais biomas do Brasil;
– Mudanças no regime de chuvas que derrubou os índices das represas.
O país ainda não se recuperou completamente desses desastres. No Rio Grande do Sul, ainda há cidades sendo reconstruídas. No Norte, há um risco de que, com novas secas intensas, isso crie estresse hídrico nos rios que fazem parte do coração das águas brasileiras.
Em seu comunicado, a ONU reforça: é preciso que os governos se preparem para o que está por vir.
No Brasil, na última semana o governo anunciou a criação de um gabinete de crise. Órgãos do governo federal e instituições de pesquisa vão passar a se reunir semanalmente para acompanhar os impactos do El Niño e coordenar ações de prevenção e resposta em todo o país.
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