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Canetas emagrecedoras podem causar alterações no olfato e no paladar, mostra novo estudo
Pesquisa publicada na revista científica JAMA Otolaryngology–Head & Neck Surgery analisou dados de quase um milhão de americanos.
Os análogos de GLP-1, classe de medicamentos usada para diabetes e obesidade que ficou conhecida como “canetas emagrecedoras”, podem causar alterações no olfato e no paladar. É o que mostra um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel, publicado nesta semana na revista científica JAMA Otolaryngology–Head & Neck Surgery.
Os pesquisadores utilizaram registros do TriNetX, um banco de dados que reúne informações de prontuários eletrônicos de 113 milhões de americanos, provenientes de mais de 70 organizações de saúde dos Estados Unidos. Com isso, acompanharam dados de quase um milhão de pacientes adultos diagnosticados com diabetes tipo 2 sem histórico de distúrbios de olfato ou paladar disponíveis entre 5 de dezembro de 2017 e 20 de abril de 2026.
Os pacientes foram divididos em dois grupos com 438.474 indivíduos cada. O primeiro foi formado por pessoas que receberam uma prescrição para tratamento com um análogo de GLP-1 após o diagnóstico de diabetes. Já o segundo foi composto por aqueles que passaram a utilizar outros medicamentos para a doença. Os indivíduos foram pareados para equilibrar diferenças demográficas, clínicas e socioeconômicas entre os grupos.
Durante um período de dois anos, aqueles que iniciaram o tratamento com as canetas apresentaram um risco 48% maior de distúrbios gerais de olfato e paladar em comparação com o segundo grupo. Por sentido, o risco foi 81% aumentado em relação às alterações de olfato, e 52% para as de paladar. Ainda assim, desfechos do tipo foram considerados incomuns, acometendo menos de 0,5% dos pacientes.
“Esses resultados foram consistentes ao longo do período de seguimento. Os achados sustentam uma possível associação entre os análogos de GLP-1 e alterações na função olfativa e gustativa, o que pode sugerir envolvimento tanto de receptores sensoriais periféricos quanto de vias de processamento neural central”, escrevem os autores no estudo. Para eles, os achados “destacam a necessidade de monitoramento mais próximo e de maior conscientização em saúde pública”.
Ainda assim, os pesquisadores afirmam que mais estudos são necessárias para confirmar essa associação e explorar os mecanismos que podem explicar o efeito dos medicamentos. Citam de exemplo que, no caso do paladar, receptores do hormônio GLP-1 estão presentes nas papilas gustativas, sugerindo um papel na percepção e nas preferências de paladar.
“Estudos experimentais mostraram que o receptor de GLP-1 tem papel essencial na avaliação do sabor e na manutenção da sensibilidade gustativa a certos estímulos. Além disso, estudos indicaram que os análogos de GLP-1 podem induzir aversão condicionada a alimentos doces em animais, sugerindo possível influência no processamento do paladar. Ainda assim, o efeito global do GLP-1 na percepção gustativa não é totalmente compreendido”, escrevem.
As “canetas emagrecedoras”, muito conhecidas pelo Ozempic, Wegovy e Mounjaro, simulam a ação do hormônio GLP-1 no corpo. No pâncreas, essa interação estimula a produção de insulina, por isso os medicamentos são usados para diabetes tipo 2. Já no estômago, reduz a velocidade da digestão da comida e, no cérebro, ativa a sensação de saciedade, levando à perda de peso.
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