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Boto-cor-de-rosa e tartaruga-da-Amazônia são citados em relatório da ONU sobre declínio populacional
Entre as espécies citadas no relatório que vivem ou passam pelo Brasil estão o boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis), o tucuxi (Sotalia fluviatilis) e a tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa).
Boto é uma das espécies indicadas em risco de extinção.(Foto:Reprodução)
Um novo relatório das Nações Unidas aponta que quase metade das espécies migratórias do planeta está em declínio populacional, incluindo animais que vivem ou transitam pela Amazônia e pelo litoral brasileiro. Entre as espécies citadas no relatório que vivem ou passam pelo Brasil estão o boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis), o tucuxi (Sotalia fluviatilis) e a tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa).
Todas dependem da conectividade dos rios da bacia amazônica para seus deslocamentos sazonais e enfrentam ameaças como barragens, degradação de habitats e pressão da pesca.
Divulgado antes da conferência global da Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS), que ocorrerá em Campo Grande entre 23 e 29 de março, o relatório “State of the World’s Migratory Species, Interim Report 2026” mostra que 49% das espécies avaliadas apresentam queda populacional. Ao mesmo tempo, 24% já são consideradas ameaçadas de extinção, aumento em relação aos 22% registrados em 2024.
A queda populacional indica que o número de indivíduos de determinado animal vem diminuindo ao longo do tempo, sinalizando uma tendência de declínio. Já o risco de extinção corresponde a uma classificação científica que mede a probabilidade de a espécie desaparecer da natureza, levando em conta fatores como tamanho da população, velocidade da redução e distribuição geográfica.
Assim, uma espécie pode estar em queda populacional sem ainda ser considerada ameaçada, mas declínios prolongados aumentam a chance de que ela passe a integrar as categorias de maior risco no futuro.
A avaliação abrange cerca de 1.200 espécies incluídas no tratado internacional, que reúne mais de 130 países e busca coordenar a proteção de animais que dependem de rotas migratórias entre diferentes territórios.
O litoral brasileiro também é ponto estratégico para aves migratórias que percorrem milhares de quilômetros entre o Ártico e a América do Sul. Entre elas estão o maçarico-acanelado (Calidris subruficollis), o maçarico-desobre-branco (Calidris fuscicollis), a batuíra-de-bando (Charadrius semipalmatus), o trinta-réis-boreal (Sterna hirundo) e o maçarico-de-bicocurvo (Numenius phaeopus), que utilizam praias e estuários brasileiros como áreas de descanso durante as migrações.
O levantamento mostra que, das espécies avaliadas, 284 já são consideradas globalmente ameaçadas. Entre elas estão 74 classificadas como criticamente ameaçadas, 80 ameaçadas e 130 vulneráveis. Outras 96 são consideradas quase ameaçadas, enquanto 812 permanecem na categoria de menor preocupação. Entre 386 espécies reavaliadas recentemente, 34 mudaram de categoria de risco: 26 passaram para níveis mais graves de ameaça e apenas sete apresentaram melhora em seu estado de conservação.
No total, 592 espécies — quase metade das avaliadas — estão em declínio populacional. Outras 152 apresentam crescimento, 307 permanecem estáveis e 149 têm tendência desconhecida. Peixes e tubarões entre os grupos mais afetados Um dos cenários mais críticos envolve os peixes migratórios de água doce. As populações monitoradas desse grupo caíram 81% desde 1970 no mundo, e o declínio chega a 91% na América Latina e no Caribe.
Barragens, degradação de rios e pesca excessiva são apontadas como principais causas. Tubarões e raias também apresentam quedas acentuadas. As populações globais desses animais diminuíram cerca de 50% desde 1970, principalmente por causa da sobrepesca e da captura acidental.
Entre as famílias mais ameaçadas estão os tubarões-martelo, os peixes-serra e as raias-diabo. Já as tartarugas marinhas representam uma rara tendência positiva. A proporção de populações consideradas de baixo risco aumentou de 23% para 40% entre 2011 e 2024, e mais da metade delas apresentou melhora no status de conservação. Ainda assim, continuam ameaçadas por pesca acidental, poluição plástica, urbanização costeira e mudanças climáticas.
Segundo o relatório, as pressões sobre esses animais se acumulam ao longo de suas rotas. Entre os principais fatores estão perda e fragmentação de habitats, poluição, caça, mudanças climáticas e a expansão de infraestruturas como estradas, cercas e barragens, que interrompem trajetos essenciais.
A análise também identificou 16.589 áreas-chave para a biodiversidade no mundo. Dessas, 9.372 são consideradas importantes para espécies migratórias. Mesmo assim, apenas 52,6% dessas áreas contam atualmente com proteção oficial. Evento global no Brasil Os dados servirão de base para as discussões da COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias, que será realizada em Campo Grande (MS).
O encontro reunirá representantes de governos, cientistas e organizações internacionais para discutir novas medidas de conservação. O relatório também lembra um alerta simbólico: a provável extinção do maçarico-de-bico-fino, ave migratória que não é registrada desde 1995. Para os pesquisadores, o caso ilustra os riscos enfrentados por espécies que dependem de rotas internacionais complexas e reforça a necessidade de cooperação global para evitar novas perdas.
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