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Biden anuncia doação de 6 milhões de doses da vacina anti-Covid para América Latina, incluindo o Brasil

As doses para o Brasil virão através de consórcio da ONU e não diretamente. Governo americano detalhou a alocação de 25 milhões das 80 milhões de vacinas que prometeu doar até o fim de junho.

Biden anunciou que as doses serão distribuídas de acordo com “prioridades regionais” e parcerias. (Foto: Drew Angerer/Getty Images)

O governo dos Estados Unidos detalhou nesta quinta-feira,03/06, seu plano para a doação de 25 milhões de vacinas anti-Covid, a primeira parte de um lote de 80 milhões de injeções que será exportado até o fim de junho. Ao menos 19 milhões das doses serão alocadas pelo Covax, o consórcio da Organização Mundial da Saúde (OMS). Seis milhões delas serão doadas para países da América Latina, entre eles o Brasil.

O Brasil, contudo, ficou de fora do rol de nações que receberão doações diretas de Washington neste primeiro momento. As 6 milhões de vacinas que não serão entregues ao Covax serão distribuídas de acordo com “prioridades regionais” e parcerias. Os recipientes incluem a Índia, o epicentro global da crise sanitária, México, Canadá, Coreia do Sul e os territórios palestinos ocupados da Cisjordânia e de Gaza, onde o grupo Hamas travou uma guerra com Israel no início do mês.

De acordo com o governo americano, os critérios para a distribuição das vacinas são baseados em “estatísticas sanitárias” e informações científicas, sem levar em conta afinidades políticas ou tentativas de “assegurar favores de outros países”. Washington disse ainda que priorizará países com planos de vacinação já prontos que precisem de doses para imunizar trabalhadores na linha de frente e grupos de risco e conter crises sanitárias agudas.

As doações vêm em meio à pressão crescente sobre o governo americano, que impôs medidas protecionistas que de fato bloquearam a exportação de doses anti-Covid, obrigando as farmacêuticas a priorizarem o mercado americano. As regras, criadas ainda durante o mandato de Donald Trump, só foram parcialmente aliviadas pelo governo americano nesta quinta.

De acordo com o governo americano, a partir de agora a AstraZeneca, a Novovax e a Sanofi — nenhuma delas produtora de vacinas já autorizadas nos EUA — não precisarão mais priorizar o mercado americano. As doses da Pfizer BioNTech, da Moderna e da Johnson & Johnson, usadas nos EUA, continuarão limitadas pela Lei de Produção de Defesa, legislação da época da Guerra da Coreia que bloqueia a exportação de produtos-chave para o país.

Enquanto os EUA já imunizaram cerca de 51% da população americana com ao menos uma dose e começam a vacinar adolescentes, menos de 1% das doses aplicadas até o momento foram para países pobres. Há semanas, muitos estados vêm rejeitando as doses alocadas por Washington, já que o número de braços dispostos a tomá-las é inferior à oferta.

Até o momento, os EUA só haviam exportado 4 milhões de doses, em um “empréstimo” feito em março ao Canadá e ao México. Mesmo assim, foram doses da Universidade de Oxford-AstraZeneca, que sequer receberam o aval para uso em território americano. O país vinha ficando para trás na diplomacia da vacina: a China, por exemplo, já exportou 300 milhões de doses, em sua maior parte para países em desenvolvimento.

As informações são de O Globo.

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