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Economia

Ações de petrolíferas americanas disparam até 10% após ataque dos EUA à Venezuela

Chevron, ConocoPhillips e Exxon têm forte alta nas negociações prévias à abertura das Bolsas em Nova York.

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As ações de empresas petrolíferas dos Estados Unidos subiram nas negociações prévias à abertura das Bolsas em Nova York nesta segunda-feira, depois que o presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos planejam “administrar” a Venezuela após a derrubada de Nicolás Maduro no fim de semana.

Os papéis da Chevron, a única grande petrolífera americana que atualmente opera no país sul-americano sob autorização especial dos EUA, chegaram a avançar até 10%, enquanto a ConocoPhillips subia 8,7% e a Exxon Mobil ganhava 3,4% às 4h10 da manhã (horário de Nova York).

Já os preços do petróleo recuaram nesta segunda-feira após a intervenção dos EUA na Venezuela e o anúncio de Washington de que pretende explorar os recursos petrolíferos do país. Por volta das 9h05 (horário local de Londres), o barril do Brent, referência mundial, para entrega em março recuava 1,12%, a US$ 60,07. Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, para fevereiro, caía 1,22%, a US$ 56,62.

O ouro à vista subiu mais de 2%, ultrapassando US$ 4.430 por onça, já que a intervenção na Venezuela aumentou os riscos geopolíticos, enquanto a prata saltou 4%. O Bloomberg Dollar Spot Index caminhava para seu maior ganho desde novembro.

O dólar e o ouro estão oferecendo um porto seguro para investidores que buscam proteção, em meio às incertezas sobre o que os eventos do fim de semana significam para a ordem global. Ao mesmo tempo, as ações demonstram pouca preocupação de que as tensões venham a interromper uma alta que levou os mercados globais ao maior ganho anual em oito anos.

— O impacto econômico do que aconteceu na Venezuela é pequeno demais para pesar sobre os mercados de ações — disse Christopher Dembik, consultor sênior de investimentos da Pictet Asset Management. — Isso também vale para o petróleo: as pessoas tiveram tempo de analisar os dados e, no cenário mais otimista, serão necessários dois ou três anos para haver um impacto significativo.

Incertezas sobre o que vem pela frente

Ainda há incerteza sobre o que vem a seguir. A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, pediu que os EUA trabalhassem com seu país, adotando um tom mais conciliador em relação ao governo Trump após sua indignação inicial com a captura de Maduro.

Enquanto isso, o presidente Donald Trump afirmou que os EUA precisam de “acesso total” e que empresas petrolíferas americanas investirão bilhões de dólares para reconstruir a infraestrutura energética em colapso da Venezuela.

A Chevron — que permaneceu na Venezuela após a nacionalização dos ativos estrangeiros de petróleo no início dos anos 2000 — é a empresa mais bem posicionada entre as gigantes globais do setor para se beneficiar imediatamente de um maior controle dos EUA sobre as maiores reservas de petróleo bruto do mundo.

A ConocoPhillips tem a receber mais de US$ 8 bilhões da Venezuela, e a Exxon ainda tem cerca de US$ 1 bilhão a receber, decorrente da nacionalização de seus ativos venezuelanos no começo dos anos 2000, conforme decidiram árbitros internacionais.

No passado, a Venezuela chegou a ser o maior fornecedor de petróleo dos EUA, antes de o governo de Hugo Chávez (1999-2013) nacionalizar e expropriar ativos de empresas estrangeiras do setor no começo dos anos 2000.

Não está claro até que ponto as grandes empresas globais de petróleo estariam dispostas a investir somadas substanciais em um país administrado por um governo temporário apoiado pelos EUA, sem regras legais e fiscais consolidadas.

A ConocoPhillips afirmou no fim de semana que é prematuro especular sobre futuras atividades de negócios. Em 2024, a empresa norte-americana, que já dominou a produção na Venezuela, recebeu uma série de licenças do governo dos EUA que a colocaram em melhor posição para recuperar parte ou a totalidade das perdas decorrentes da apreensão de ativos no país.

A Exxon avaliaria qualquer oportunidade potencial na Venezuela, mas adotaria cautela, já que seus ativos no país foram expropriados no passado, disse o diretor-executivo Darren Woods em entrevista em novembro.

Para a Chevron, que detém uma licença dos EUA para perfurar e exportar petróleo do país sancionado, as operações continuam na Venezuela, já que a empresa tem enviado petróleo mesmo após o governo Trump lançar um bloqueio marítimo parcial.

Analistas e operadores afirmam que podem ser necessários anos para que a infraestrutura crítica seja totalmente reparada e para que o petróleo volte a fluir livremente para fora da Venezuela, que atualmente responde por menos de 1% da oferta global, apesar de possuir as maiores reservas do mundo.

Em seu pronunciamento sobre o ataque à Venezuela e a derrubada de Nicolás Maduro no fim de semana, Trump disse que os EUA vão administrar o país diretamente, alegando que não podem correr o risco de deixar o país sul-americano ”ser dirigido por grupo que não mereça”.

O presidente americano disse que os EUA vão garantir que a Venezuela seja administrada de forma adequada, “justa e legal do ponto de vista jurídico”, acrescentando que os EUA só entregarão o poder após uma transição segura.

Trump também afirmou que controlará a produção de petróleo venezuelana, informando que uma petrolífera americana ajustará a infraestrutura de petróleo do país.


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