Brasil
Brasil fica nas últimas posições no ranking da educação e atrás de seis vizinhos latino-americanos em matemática
Estável desde 2015, o desempenho do Brasil segue em patamar baixo: 43,8% dos alunos estão abaixo do nível mínimo em ciências, matemática e leitura ao mesmo tempo.
O Brasil repetiu em 2025 o desempenho que vem registrando desde 2015 no Pisa (sigla em inglês para Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), prova aplicada em 91 países e economias para avaliar alunos de 15 anos.
Os dados foram divulgados nesta terça-feira (8) pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
Esta edição avaliou quatro áreas: ciências — o foco principal —, matemática, leitura e, pela primeira vez, resolução de problemas por meio de ferramentas computacionais.
Como a prova digital é estreante, apenas as três primeiras podem ser comparadas com edições anteriores.
E nessas três áreas, o desempenho do Brasil permaneceu estatisticamente estável em relação a 2022. As variações registradas ficaram dentro da margem considerada pela OCDE e, portanto, não indicam uma mudança significativa no desempenho.
Esta edição do Pisa teve mais países e economias participantes: o total passou de 81, em 2022, para 91. Por isso, comparar apenas a posição no ranking entre uma edição e outra pode distorcer a leitura do desempenho, já que a entrada de novos participantes também altera a colocação dos países.
Essa estabilidade, no entanto, ocorre em um nível baixo. 43,8% dos estudantes brasileiros ficaram abaixo do nível mínimo de proficiência nas três disciplinas ao mesmo tempo, mais que o dobro da média da OCDE, de 19,7%.
No outro extremo, apenas 1,8% dos brasileiros tiveram alto desempenho em pelo menos uma das áreas, contra 11,9% na OCDE.
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MATEMÁTICA
É a disciplina mais crítica. Com 377 pontos, o Brasil ficou em 71º entre os 89 países com dados na área — atrás de seis vizinhos latino-americanos e empatado com o Líbano.
Na América Latina, o Brasil ficou atrás de Uruguai, Chile, México, Costa Rica, Peru e Colômbia. Já Argentina, Equador, El Salvador, República Dominicana, Paraguai e Guatemala tiveram notas menores.
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CIÊNCIAS
Ciências foi a área principal desta edição — a primeira vez desde 2015 que a disciplina recebe foco especial. Foi também onde o Brasil teve o melhor resultado relativo: 409 pontos, 67º lugar entre 90 países, empatado com o Azerbaijão e logo à frente de Jordânia e Peru.
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LEITURA
Com 408 pontos, o Brasil ficou em 52º entre 89 países, empatado com México e Albânia. É a área em que o país está mais próximo do resto do mundo.
A nota ficou dois pontos abaixo da registrada em 2022, mas, novamente, a diferença não é estatisticamente significativa.
Singapura liderou, com 535 pontos. Depois aparecem o conjunto de regiões chinesas de Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang, com 527; Taiwan, com 508; Japão, com 503; e Macau e Coreia do Sul, ambos com 501 pontos.
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B-S-J-Z (China) e Singapura tiveram os melhores desempenhos gerais, e países e economias como Japão, Coreia, Estônia, Macau (China), Taipé Chinês e Reino Unido também ficaram entre os dez primeiros nas três áreas tradicionais do Pisa.
Entre os países e economias com resultado em cada área, o Brasil ficou em:
71º em matemática, com 377 pontos;
52º em leitura, com 408 pontos;
67º em ciências, com 409 pontos.
Na comparação com 2022, o país aparece 8 posições abaixo em matemática, 1 em leitura e 6 em ciências. A mudança no ranking, porém, não significa piora do desempenho: as notas brasileiras permaneceram estatisticamente estáveis nas três áreas, e a edição de 2025 teve mais participantes.
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A queda no desempenho internacional não começou com a pandemia. A OCDE afirma que o enfraquecimento dos resultados já vinha de antes da Covid-19 e continuou em muitos sistemas de ensino.
Matemática segue como uma das áreas de maior preocupação. Na média dos países da OCDE, a nota caiu 22 pontos entre 2015 e 2025, o equivalente, segundo a organização, a pouco mais de um ano de aprendizagem.
Pela primeira vez, o Pisa também avaliou resolução de problemas com ferramentas computacionais. O Brasil marcou 406 pontos, abaixo da média da OCDE, de 500 pontos. A avaliação mede a capacidade de resolver problemas com recursos como modelagem e programação.
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