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Projeto de Flávio Bolsonaro para resorts em Angra beneficia amigo do senador alvo da PF, diz jornal

Empresas do advogado Willer Tomaz são donas de três casas no local . Ele já fez consulta sobre viabilidade de empreendimento turístico na cidade.

A facilitação de licenças ambientais para empreendimentos turísticos beneficiaria diretamente um amigo do candidato a presidente do PL, o advogado Willer Tomaz. Tomaz é alvo da PF (Polícia Federal) no inquérito que apura fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e possui três propriedades em Angra dos Reis. A informação é do jornal Folha de São Paulo.

Em 2025, ele consultou o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), do Rio de Janeiro, sobre o percentual de um terreno que poderia ser usado em operação turística, de acordo com documento obtido pela Folha.

Uma outra casa, que foi o centro de uma disputa com o jogador de futebol Richarlison, está em obras, como mostram imagens gravadas em 8 de julho de 2025 e obtidas pela reportagem. Um segundo andar está sendo construído, assim como quartos separados do edifício principal, característicos de empreendimentos turísticos.

O antigo proprietário da casa, Antônio Marcos da Silva, que havia vendido a propriedade para o jogador, afirma que Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro, em visita para conhecer o imóvel, se tratavam como sócios no negócio. A assessoria do senador afirmou que não existe, nem nunca existiu, sociedade, participação empresarial ou negócio em comum entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz.

As três propriedades estão em nome de duas empresas de Tomaz, a Friponor e a WT Administração de
Imóveis. Duas dessas propriedades ficam na Ilha Comprida e uma terceira na Ilha do José André.

Em ato de campanha em Angra dos Reis no dia 29 de agosto, Flávio Bolsonaro defendeu a revisão de planos diretores municipais para acelerar o licenciamento ambiental de condomínios, grandes empreendimentos e
resorts no local.

“Temos muitas obras de infraestrutura que podem ser trazidas para essa região, em especial destravar as questões ambientais que têm impedido o desenvolvimento de Angra de uma forma correta. Tem milhões de brasileiros que gastam milhares de dólares para ir para Cancún, para a Indonésia, e a gente podia fazer a mesma coisa na região de Angra, Mangaratiba e Paraty”, disse.

“Com a revisão de planos diretores dos municípios em parcerias com os prefeitos, para que as obras dos condomínios, grandes empreendimentos e resorts possam acontecer com segurança jurídica e de maneira rápida”, acrescentou o candidato.

Em nota, Tomaz disse que “é motivo de perplexidade que uma proposta de política pública para o turismo em Angra dos Reis, apresentada por um pré-candidato à Presidência da República, tenha sido transformada em suposto benefício direto” a ele.

“O raciocínio parte da premissa de que o município seria uma espécie de condomínio fechado, e não uma importante cidade do Rio de Janeiro com mais de 190 km² e milhares de proprietários igualmente
interessados no desenvolvimento do potencial turístico da região”, escreveu.

Além disso, afirmou que não participou da formulação da proposta, não foi consultado a respeito e não manteve qualquer tratativa com o candidato sobre o tema. “Associar uma coisa à outra, sem qualquer elemento concreto que estabeleça esse vínculo, transforma mera coincidência temática em insinuação de favorecimento pessoal sem qualquer base factual, que ele rejeita de forma categórica e inequívoca”, concluiu.

Procurada, a assessoria de Flávio Bolsonario não respondeu sobre a proposta dele de facilitar licenças ambientais para empreendimentos turísticos em Angra.

Tomaz é próximo de Flávio Bolsonaro. Em 1 de maio de 2025, por exemplo, o senador e sua família viajaram para a Flórida, nos Estados Unidos, com o advogado e sua esposa. A viagem foi no jatinho de Tomaz.

Em 2022, Flávio tentou emplacar o nome de Tomaz para o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) nos últimos meses de mandato do pai na Presidência da República , sem sucesso.

As ilhas costeiras como a Ilha Comprida são, em regra, bens da União. Quem vive nesses locais não é dono do terreno: detém apenas o direito de ocupação, registrado na SPU, (Secretaria de Patrimônio da União), do Ministério da Gestão e qualquer transferência depende de autorização federal e do pagamento de uma taxa, chamada de laudêmio.

O processo de transferência de uma propriedade em terreno de marinha costuma ser moroso, mas não foi esse o caso quando Willer Tomaz entrou em disputa por uma casa na Ilha Comprida.

Na época, o superintendente da SPU no Rio de Janeiro na época era o coronel Paulo Medeiros, indicado por Flávio. A reportagem não conseguiu contato com Medeiros. A SPU não respondeu aos questionamentos da reportagem.

A Folha teve acesso aos documentos do caso. O pagamento da taxa de transferência foi realizado na noite de 7 de julho de 2022, uma quinta-feira. Às 11h33 de 11 de julho de 2022, uma segunda-feira, foi protocolado o pedido de emissão manual da Certidão de Autorização para Transferência. A autorização saiu às 13h13 do mesmo dia — menos de duas horas depois.

Enquanto isso, um pedido da empresa de Richarlison esperava análise pela SPU desde 20 de setembro de 2021, de acordo com informações obtidas pelo deputado Rogério Correia (PT-MG) com a SPU. Questionada, a SPU não explicou a razão do tratamento diferenciado para os dois pedidos.


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