Brasil
Ministros Nunes Marques e Dias Toffoli se declaram impedidos em julgamento sobre Alexandre de Moraes
Com isso, o julgamento terá no máximo o voto de oito integrantes da corte.
O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, se declarou impedido, de votar no julgamento que vai decidir se uma investigação será aberta contra o colega Alexandre de Moraes. Já Dias Toffoli se declarou suspeito. Com isso, o julgamento terá no máximo o voto de oito integrantes da corte.
A decisão de Nunes Marques ocorre após a revelação de mensagens de Daniel Vorcaro. Em uma das conversas, o então diretor jurídico do Master, Luiz Rennó, menciona pagamentos de “R$ 500 mil por mês” ao advogado Kevin Marques, filho do ministro. Em outubro de 2024, Rennó enviou uma planilha com o nome e o telefone de Kevin e a legenda “Dominado aqui”. Em 2025, perguntou se o valor seria mantido e, depois, cobrou que faltava a Consult entre os “pagamentos essenciais”.
No plenário, o ministro negou que o filho tenha prestado serviços ao banco. “Não me sinto confortável para participar desse julgamento e afirmo meu impedimento”, disse Nunes Marques. Ele também declarou não ter trocado mensagens com o banqueiro. Na sequência, pediu para se retirar do plenário e deixou o local.
No caso de Toffoli, o ministro já se declarou suspeito nos casos do Banco Master. Em fevereiro, ele deixou a relatoria do processo após a Polícia Federal levar ao Supremo um relatório com 200 páginas mostrando as menções ao ministro encontradas no celular do banqueiro.
Hoje, ele disse, que sua decisão é por motivo de “foro íntimo, não impedimento”. Segundo Toffoli, ele busca evitar constranger o tribunal. No início do ano, o ministro admitiu que era sócio de um resort no Paraná, o Tayayá, que chegou a ser comprado por um dos investigados no caso Master, o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel.
Ao contrário de Nunes Marques, Toffoli ficou no plenário. “Declaro a minha suspeição para participar desse julgamento e não me retirarei, pelo direito de acompanhar a sessão, e também se necessário fazer uso da palavra, eu farei”, afirmou.
Os dois não votam, mas há diferenças na declaração de cada um. No caso de impedimento, o ministro Nunes Marques reconhece que existe uma circunstância que o impede de atuar no processo. Já a suspeição significa que o ministro tem relação próxima com alguém investigado na ação.
Entenda o que o STF está julgando hoje
Os ministros decidem se abrirão uma investigação contra Alexandre de Moraes. Primeiro, eles analisam o relatório da Polícia Federal que revelou conversas entre o ministro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A sessão foi convocada pelo presidente do Supremo. O ministro Edson Fachin decidiu restringir a pauta apenas ao caso de Moraes, deixando para 23 de setembro a análise de eventual conduta irregular atribuída a André Mendonça.
Esta é a primeira vez que a corte se reúne para deliberar sobre a abertura de inquérito contra um de seus membros. Ministros próximos a Moraes pressionavam pelo adiamento ou cancelamento da sessão extraordinária. O grupo argumenta que um pedido de apuração contra Mendonça deveria ser julgado conjuntamente na mesma data.
Horas antes do julgamento, diálogos de Vorcaro sobre outros ministros vazaram. Há conversas do ex-banqueiro com filhos de dois ministros da corte, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques, e um advogado próximo de um terceiro, Mendonça. As mensagens vieram à tona depois que o conteúdo do aparelho foi enviado aos gabinetes.
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