Brasil
Minerais críticos: plano do governo federal prevê elevar participação do Brasil na produção mundial
Entre os objetivos, está o aumento da participação do Brasil na produção mundial de minerais críticos de 8,3% para 12,2%, até 2050.
O Ministério de Minas e Energia informou que apresenta nesta quinta-feira ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) um plano com estabelecer políticas e metas para o setor mineral até 2050. Entre estes objetivos, está o aumento da participação do Brasil na produção mundial de minerais críticos de 8,3% para 12,2%.
O Conselho é presidido pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e serve como órgão de assessoramento à Presidência na formulação de políticas sobre o setor de energia. O colegiado é composto por diversos ministérios.
O Plano Nacional de Mineração (PNM) 2050 traz orientações de investimento, regulação, pesquisa mineral e sustentabilidade. O documento traz metas gerais para o setor. Um novo documento deve detalhar as ações para chegar nestes objetivos 180 dias após a publicação do PNM, que deve acontecer entre hoje e amanhã.
Segundo fontes do Ministério de Minas e Energia (MME), no campo dos minerais críticos, o dispositivo vai na mesma linha do projeto que foi aprovado na Câmara com apoio do governo. Dessa forma, o PNM visa aumentar a participação do Brasil na produção mundial de minerais críticos de 8,3% para 12,2%.
O cálculo levou em conta projeções da Agência Internacional de Energia (AIE) para a demanda por minerais críticos e o potencial de produção brasileiro, com base nas reservas conhecidas no país. O objetivo é compatibilizar a capacidade produtiva do setor com o volume dessas reservas.
São considerados críticos aqueles minerais essenciais para setores-chave da economia e cuja oferta está concentrada em poucos países ou sujeita a instabilidades. Entram nessa lista o lítio, o nióbio, o cobalto, o grafite e as próprias terras-raras.
No caso do lítio, fundamental para baterias de carros elétricos, o Brasil detém cerca de 8% das reservas mundiais. Já em nióbio, usado na produção de ligas metálicas de alta resistência para a indústria e para o setor aeroespacial, o país responde por 93,1% das reservas globais.
Contando com impulso dos minerais críticos, a ideia é gerar 2,8 milhões de empregos diretos no setor mineral até 2050, levando a um crescimento da participação do setor mineral no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil de 3,3% para 4,8%.
Um dos cinco objetivos estratégicos, inclusive, é “assegurar a soberania nacional e a segurança do suprimento mineral”, discurso que vem sendo repetido pelo presidente Lula no âmbito da regulação dos minerais críticos.
Projeto
Em maio, a Câmara dos Deputados aprovou a proposta que cria regras e busca incentivar a indústria nacional na exploração dos minerais críticos. O texto ainda aguarda votação no Senado.
O projeto prevê limitações à exportação de minerais brutos sem processamento e cria um sistema de incentivos fiscais progressivos. Ou seja, quanto mais a empresa avança nas etapas de beneficiamento dentro do Brasil, maiores os benefícios que recebe.
A proposta prevê créditos fiscais de até 20% dos valores pagos pelos projetos contemplados, com limite anual de R$ 1 bilhão entre 2030 e 2034. Como forma de incentivar o tratamento dos produtos no país, a concessão dos créditos terá percentual variável conforme o nível de agregação de valor promovido no país.
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