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Brasil

Levantamento mostra que um em cada cinco brasileiros já teve contato com imagens íntimas falsas criadas por IA

Estudo destaca que os conteúdos são mais acessados por homens; dados apontam que 37% da população está nos níveis alto ou muito alto de conscientização sobre violência contra mulheres.

Uma em cada cinco pessoas teve algum contato com imagens íntimas falsas geradas por Inteligência Artificial (IA) em 2025, aponta o Índice de Conscientização sobre Violência contra Mulheres, divulgado nesta terça-feira, pelo Instituto Natura e pela Avon. O estudo também mostra que, em 2026, 37% da população foi classificada nos níveis “alto” ou “muito alto” de conscientização em relação à violência contra as mulheres, o resultado é oito pontos percentuais acima do apurado em 2025. Entre as mulheres, 44% estão nesses dois níveis de conscientização, já entre os homens, 28%.

É a primeira vez que o levantamento aborda a percepção e a experiência da população em relação à violência digital contra as mulheres, incorporando o tema em um contexto de popularização da IA e a expansão dos chamados “Red Pill”, comunidades online que disseminam discursos de ódio contra as mulheres.

Os dados foram coletados com pessoas acima de 18 anos e mostram que o contato com imagens íntimas falsas produzidas por IA é mais frequente entre homens e jovens de até 25 anos. Foram realizadas 2.845 entrevistas de forma online, por meio de captação em redes sociais.

A psicóloga especialista em psicanálise, Cláudia Melo, explica que os discursos de comunidades Red Pill conseguem atrair principalmente homens jovens, que vivem rejeições e frustrações, que encontram no grupo um lugar que parece explicar tudo o que sentem.

— A questão começa a ficar preocupante quando eles encontram uma explicação pronta para o que está sentindo: “o problema são as mulheres”. Porque aí ele não precisa entrar em contato com a própria frustração. E, aos poucos, deixa de enxergar a mulher como uma pessoa e passa a representar aquilo que o frustrou. Quando isso encontra um grupo que reforça continuamente a mesma ideia, pode surgir muito ressentimento e hostilidade. Existe uma relação entre o consumo frequente de conteúdos Red Pill e a radicalização de determinadas percepções sobre gênero, a pessoa começa a enxergar o mundo por essa lente — analisa Melo.

Medo da própria vida

O levantamento também aborda dados sobre situações de violência vividas por mulheres. No estudo, metade das entrevistadas afirmou já ter sentido medo pela própria vida durante uma discussão ou confronto e seis em cada dez relataram já ter passado por situações em que suas opiniões, ideias ou sugestões não foram levadas em consideração, comportamento associado à violência psicológica.

Entre as mulheres que vivenciaram essas situações, 32% relataram já ter deixado de receber pensão alimentícia do ex-companheiro, situação que pode ser classificada com violência patrimonial contra a mulher.

Do total dos entrevistados, 81% acreditam que existem formas de violência contra as mulheres que vão além da física e da sexual, cada pessoa mencionou, em média, apenas 1,71 tipos de violência contra a mulher.


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