Brasil
Jair Bolsonaro diz ao Supremo que entregou arma a agente do GSI para manutenção
O documento foi encaminhado na tarde desta quarta-feira (17/6) ao ministro Alexandre de Moraes
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a pistola apreendida com um agente do GSI, no Distrito Federal, pertence ao ex-presidente e foi entregue ao segurança apenas para identificar uma falha mecânica.
O documento foi encaminhado na tarde desta quarta-feira (17/6) ao ministro Alexandre de Moraes, relator da execução penal de Bolsonaro no STF. Os advogados também anexaram ao processo o Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF), expedido pelo Exército em 2019, para demonstrar a regularidade do armamento.
Segundo os advogados, a arma estava sem condições de uso porque integrantes da equipe de segurança retiraram o “percussor” da pistola sem o conhecimento do ex-presidente. A medida, segundo a defesa, foi adotada em razão do uso de medicamentos psiquiátricos que poderiam afetar sua cognição. Os advogados citam como exemplo o episódio em que Bolsonaro tentou romper a tornozeleira eletrônica com um ferro quente.
A defesa sustenta que Bolsonaro percebeu um problema no funcionamento da arma e, sem saber que a peça havia sido removida, entregou o armamento ao agente para verificar o defeito e providenciar eventual manutenção.
“A remoção do percursor acaba por inviabilizar justamente o ‘engatilhamento’ da arma, o que por consequência deixa o gatilho ‘solto’, ‘frouxo’, sem rigidez ou tensão notadamente perceptível em comparação com a operação ou engatilhamento normal da arma quando com o percussor presente”, escreveu a defesa.
Os advogados prosseguem: “Sem conseguir identificar a causa do problema, contudo, o Peticionário entregou a arma ao Sr. Estácio Leite da Silva Filho, segundo-sargento do Exército e com experiência em armamentos, inclusive naquele modelo, para que verificasse o ocorrido”.
Segundo a manifestação, a entrega do armamento teve como única finalidade identificar a origem da falha e viabilizar o reparo da pistola.
A defesa também argumenta que, apesar da condenação imposta ao ex-presidente, não houve determinação de Alexandre de Moraes para entrega das armas registradas em seu nome nem para o cancelamento dos respectivos registros.
PCDF abre inquérito
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) informou que instaurou um inquérito para apurar por que uma pistola registrada em nome de Bolsonaro foi encontrada com um agente do GSI durante uma abordagem policial no Distrito Federal, na noite de segunda-feira (15/6).
A investigação ficará a cargo da 17ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Norte). A informação foi comunicada pela corporação ao ministro Alexandre de Moraes.
Em depoimento, o policial militar responsável pela abordagem relatou que o integrante do GSI afirmou trabalhar para Bolsonaro e, após questionamentos dos agentes, informou que a pistola pertencia ao ex-presidente.
Segundo o agente, a arma foi entregue a ele na própria segunda-feira para verificação de uma falha mecânica. A intenção, ainda de acordo com o depoimento, era concluir o serviço e devolver o armamento na terça-feira (16/6).
As informações são do Metrópoles.
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