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Brasil

Flávio anuncia Alfredo Gaspar como vice em chapa do PL à Presidência

Chapa só com PL expõe isolamento do candidato e afastamento do centrão.

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou hoje o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como seu vice na sua chapa à Presidência da República. A chapa pura mostra o isolamento de Flávio.

Elogio de Flávio. “A pessoa que tem que ser o meu vice é aquele vice que não volta pra cena do crime e dá mão pro criminoso”, disse o senador sobre o vice.

Alfredo Gaspar citou a ausência de Bolsonaro. “Sua Excelência escolheu uma pessoa simples, nordestina, uma pessoa com uma história de vida de muito trabalho e honrada. Estou aqui de cabeça erguida para dizer que ao seu lado marcharei para a gente transformar esse Brasil num local justo e decente. Me permita, presidente, dizer que eu sinto uma falta grande hoje de duas pessoas. Do meu pai, que está no céu, e do seu pai, que está em cativeiro.”

Valdemar disse que tinham escolhido o deputado “6 meses atrás”. “Não sei como não vazou isso.”

Flávio e Marinho fizeram um aceno aos integrantes de outros partidos que apoiam a chapa. O PL está isolado na corrida eleitoral. “Mais importante que posição de partidos é a posição das pessoas que aqui estão representadas”, afirmou Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio.

Flávio citou Michelle e falou em “honra” de ter a participação dela. “Nós temos o privilégio de ter tantos bons quadros, qualificados, que eu acho que por decisões ali pessoais, ou por entenderem que a missão é uma outra, pode jogar no mesmo time, ajudando a gente a ganhar esse jogo. A gente teve aqui a honra de contar com a Michelle, é lógico, a esposa do presidente Bolsonaro, ela vai ser eleita senadora, junto com a Bia Kicis, que é a nossa outra senadora”.

Ele agradeceu nominalmente Damares Alves (Republicanos) e Tereza Cristina (Progressistas) pelo apoio. Flávio tentou formar coligação com ambas as legendas, mas não conseguiu. Ele ainda citou nominalmente “algumas que foram cotadas para a vice”, agradecendo a Simone Marqueto, Daniella Marques e Renata Abreu.

Damares Alves diz que candidatas mulheres já estavam em campanha e passaria um recado errado para as bases. “Já trazer um homem que está disposto a enfrentar a segurança, eu acho que ficou perfeito.”

A senadora minimizou a ausência da ex-primeira-dama no evento de hoje. “Michelle está fazendo comida para o marido. Não tem cozinheira, não tem cuidador, não tem enfermeiro. É Michelle, Michelle, Michelle. Flávio e Michelle está tudo bem”, afirmou. “É um homem do Nordeste, íntegro. Assim conseguimos abraçar todo o Brasil”, disse o senador Carlos Portinho (PL-RJ), que vai disputar a reeleição.

Chapa só com PL expõe isolamento do candidato e afastamento do centrão. Partidos que foram considerados para indicar um vice na chapa, como Podemos, a federação PP e União Brasil e o Republicanos, acabaram optando pela neutralidade na disputa presidencial. Eles privilegiaram acordos estaduais em lugares onde investir na reeleição de Lula ou não declarar apoio valem mais a pena para conseguir se eleger a uma vaga.

Isolamento foi progressivo a partir das convenções. A perspectiva de que Flávio Bolsonaro formasse uma chapa “puro-sangue”, sem coligação com outro partido, passou a ser considerada cada dia mais real nas últimas semanas. Um a um, os partidos do centrão foram informando a Flávio que não estariam com ele na campanha presidencial e que optaram pela neutralidade.

Sem aliança com outra legenda, Flávio terá menos tempo de propaganda partidária em TV e rádio do que Lula (PT). Ele vai ter 20% menos tempo na TV do que o petista. Apesar da relevância das redes sociais, a propaganda na televisão e rádio ainda é vista como relevante pelas campanhas majoritárias, principalmente por atingir o eleitor de baixa renda.

Buscando driblar a rejeição entre o eleitorado feminino, a campanha de Flávio preferia uma mulher para o cargo de vice. Mas a costura não deu certo.

Flávio tentou convencer o Republicanos a lançar Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, como sua vice. A articulação foi descrita como “um erro perigoso” por aliados, que diziam que a estratégia enfraqueceria o PL nas negociações com outras legendas e não agregaria mais votos.

Quem é Alfredo Gaspar

Gaspar tem 55 anos e é ex-promotor de Justiça. Ele foi relator da CPMI do INSS e pediu o indiciamento de mais de 200 pessoas, inclusive de Fábio Luis, o Lulinha, filho do presidente Lula, mas o parecer foi rejeitado.

CPMI também rendeu acusação de estupro contra Gaspar. O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) acusam Gaspar de ter estuprado, oito anos atrás, uma adolescente de 13 anos, que teria engravidado e gerado uma criança desse relacionamento. A vítima hoje teria 21 anos, e a criança, 8.

Acusação inclui tentativa de suborno. Eles dizem ter encaminhado à Polícia Federal prints de conversas e “informações complementares” mostrando que um intermediador de Gaspar teria tentado comprar o silêncio da vítima.

Deputado negou acusação e falou em ataque. Ele disse que só foi acusado por causa do relatório final. Afirmou ainda que o caso tem a ver com um primo, não com ele, e se colocou à disposição para fazer teste de DNA. Ele acionou o STF (Supremo Tribunal Federal), a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal contra os parlamentares. O caso ainda aguarda parecer da PGR.

Deputado em primeiro mandato, se projetou na política após virar secretário de Segurança Pública do governo Renan Filho (MDB) em Alagoas. Ele foi nomeado pelo então governador para o cargo em 2015, em meio a altos índices de violência no estado.

Era pré-candidato ao Senado. Até ontem, ele disputaria uma vaga em Alagoas, onde já estão concorrendo Renan Calheiros (MDB) e Arthur Lira (PP). Duas vagas estão em jogo por estado nestas eleições.


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