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Brasil

Fazendeiro condenado por desaparecimento de empregado na Amazônia doa R$ 1,8 milhão a Flávio, diz O Globo

O operador de trator estava a serviço quando sumiu em Nova Progresso (PA).

A menos de uma semana para o segundo turno, o fazendeiro e pecuarista Wilson Francisco Rotta se juntou à turma do agro que robusteceu a campanha de Flávio Bolsonaro. Repassou R$ 1,8 milhão para o candidato do PL e tornou-se o segundo maior doador da campanha. As informações são da coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo.

No ano passado, Rotta e a Cooperativa Mista Vale do Jamanchim foram condenados pela Justiça do Trabalho a pagar uma indenização de R$ 150 mil à filha de um empregado que desapareceu na floresta amazônica em 2003. O operador de trator estava a serviço quando sumiu em Nova Progresso (PA). À época dos fatos, a menina tinha apenas seis anos.

Segundo o processo, o trabalhador atuava em uma região marcada por extração ilegal de madeira, conflitos fundiários e violência.

A decisão reconheceu que o empregado trabalhava em condições de risco extremo e que a empresa priorizou a recuperação do trator – segundo a companhia, a máquina teria sido furtada -, ignorando o sumiço do operador.

A Justiça do Mato Gosso destacou ainda a ausência de solidariedade com a família e a falta de colaboração com as autoridades, fatores que contribuíram para o valor da indenização.

O caso foi enviado ao MPT para monitorar possíveis violações de direitos humanos relacionadas ao desaparecimento.

Relatos reunidos no processo revelam que trabalhadores pobres e sem documentação eram aliciados por intermediários conhecidos como “gatos” e desapareciam ou morriam supostamente em acidentes de trabalho no momento em que deveriam receber seus pagamentos.

O ofício do TRT ao MP ainda aponta que a documentação policial produzida à época do desaparecimento foi destruída em um incêndio considerado suspeito e cita que a família do trabalhador busca justiça há mais de duas décadas. A declaração de morte presumida somente foi proferida em 2021 e o caso ainda tramita no TST, após recurso.


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