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Brasil

Confederação orienta Municípios a se prepararem para impactos do El Niño previsto para 2026 e 2027

Entidade alerta que a atuação antecipada das administrações locais é fundamental para minimizar perdas humanas, sociais, econômicas e ambientais.

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A Confederação Nacional de Municípios (CNM) publicou uma nota técnica com orientações aos gestores municipais para a preparação diante dos possíveis impactos do fenômeno climático El Niño nos anos de 2026 e 2027. O documento reúne recomendações para prevenção, elaboração de planos de contingência, comunicação de risco e fortalecimento das Defesas Civis municipais, com o objetivo de reduzir danos e proteger a população.

De acordo com as previsões climáticas, o El Niño poderá provocar eventos extremos em diferentes regiões do país, como chuvas intensas, tempestades, secas, ondas de calor e incêndios florestais. No Brasil, os efeitos tendem a aumentar o volume de chuvas na Região Sul, enquanto as regiões Norte, Nordeste e parte da área central do país podem enfrentar redução das precipitações.

confederacao-orienta-municipioA entidade alerta que a atuação antecipada das administrações locais é fundamental para minimizar perdas humanas, sociais, econômicas e ambientais em um cenário marcado pelo aumento da frequência e da intensidade dos eventos climáticos extremos. “O cenário evidencia a ausência de programas nacionais suficientemente estruturados, bem como de instrumentos de gestão e capacitação técnica capazes de atender às demandas dessas localidades”, destaca o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski.

Dados levantados pela Confederação mostram a dimensão dos desafios enfrentados pelos Municípios. Entre 2013 e 2025, os desastres causaram prejuízos de R$ 785,4 bilhões no país. No período, 95,1% dos Municípios registraram algum tipo de impacto, afetando moradias, infraestrutura, serviços públicos, atividades econômicas e milhões de pessoas.

Recomendações

Entre as medidas recomendadas pela CNM estão a atualização ou elaboração dos Planos de Contingência (Plancon), o mapeamento de áreas vulneráveis, a definição de rotas de evacuação e de abrigos temporários, o fortalecimento das equipes locais de Defesa Civil e a manutenção de sistemas permanentes de monitoramento e alerta.

A nota técnica também orienta os Municípios a organizarem canais oficiais de comunicação com a população, realizarem vistorias em áreas de risco, estruturarem compras emergenciais para situações de desastre e promoverem ações específicas para proteção de crianças, adolescentes, idosos, pessoas com deficiência e animais.

Os riscos variam conforme a região do país. No Sul, a preocupação maior é com chuvas intensas, inundações, enxurradas, alagamentos e movimentos de massa. Já nas regiões Norte e Nordeste, os impactos podem estar relacionados à estiagem, à seca agrícola, à redução da disponibilidade hídrica e ao aumento do risco de incêndios florestais. No Centro-Oeste e no Sudeste, o fenômeno pode comprometer a estação chuvosa, provocar ondas de calor, pressionar os reservatórios de água e ampliar os riscos de incêndios em biomas como o Pantanal e o Cerrado.

A CNM ressalta ainda a importância da articulação entre Municípios, Estados e União para garantir apoio técnico, acesso a informações atualizadas de monitoramento climático e maior agilidade na mobilização de recursos em situações de emergência. Para a entidade, a prevenção deve ser compreendida como uma responsabilidade compartilhada entre os entes federativos e a sociedade, especialmente diante do avanço dos eventos climáticos extremos.

Regiões

Segundo Estael Sias, mestre em Meteorologia pela Universidade São Paulo (USP), o El Niño 2026/2027 pode começar em junho e será diferente do fenômeno de 2023-2024. Os eventos extremos devem ocorrer nas regiões Sul, Norte e Nordeste.

“Para o 2º semestre, os modelos estão colocando mais umidade entre Mato Grosso do Sul e São Paulo, o que é diferente do padrão tradicional do El Niño, indicando essa possibilidade de chuva acima da média nestes estados. Já no Sul, teremos potencial de precipitações mais elevadas, com frequentes alagamentos e risco de enchentes”, explica a meteorologista Estael Sias.

O interior da região Norte e o Nordeste serão afetados por ondas de calor e escassez severa da chuva. Conforme a especialista, isso impacta os mananciais e bacias hidrográficas, prejudica a agricultura, além de favorecer queimadas e incêndios.

Eventos como tempestades, enchentes, chuvas torrenciais podem afetar diversas cidades do Sul. Isso ocorre porque o El Niño altera a circulação atmosférica e direciona correntes de umidade da Amazônia à região.

A junção da umidade com frentes frias retidas no Sul gera tempestades, inundações e enchentes na região. Em 2024, estes fatores climáticos, somados às vulnerabilidades locais, contribuíram para uma tragédia histórica: as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul.

Júlio destaca que a vulnerabilidade real de cada região depende menos do fenômeno em si e mais das condições pré-existentes de infraestrutura.

Para além das queimadas, a estiagem severa tem impacto direto na infraestrutura básica e no abastecimento de água potável das regiões Norte e Nordeste.

“O semiárido nordestino e a Amazônia ocidental combinam a maior dependência de infraestrutura sensível ao clima com a menor capacidade fiscal e institucional de resposta. A seca nessas regiões não rompe uma adutora, ela simplesmente esvazia rios e açudes gradualmente, em um colapso silencioso que só se torna visível quando a água já falta”, aponta o engenheiro ambiental Júlio César.


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