Brasil
“Anuário do Audiovisual Brasileiro 2025” aponta expansão da infraestrutura e retração de público no cinema
O mercado cinematográfico contabilizou uma redução de 10% no seu público total em relação ao ciclo anterior, somando 112,8 milhões de ingressos vendidos.
A Ancine publicou na última sexta, 28, o estudo “Anuário Estatístico do Audiovisual Brasileiro – 2025”, que mensura os desempenhos das diferentes áreas do setor no Brasil. O documento descreve um cenário de dinâmicas contrastantes, evidenciando o crescimento da capacidade física dos cinemas e o avanço do conteúdo nacional na televisão por assinatura, em oposição à diminuição do número de espectadores nas salas e de acessos na TV paga.
O mercado cinematográfico contabilizou uma redução de 10% no seu público total em relação ao ciclo anterior, somando 112,8 milhões de ingressos vendidos. O faturamento acompanhou a tendência de queda, alcançando R$ 2,3 bilhões, o que representa um declínio de 7,6% em termos reais. Os longas-metragens brasileiros levaram 11,1 milhões de pessoas aos complexos, mantendo a fatia de mercado relativamente estável em 9,9%. Entre as produções nacionais mais assistidas, destacaram-se “O auto da Compadecida 2” e “Ainda estou aqui”. Apesar da retração na demanda de consumo, o parque exibidor do país sustentou sua ampliação e atingiu o recorde histórico de 3.544 salas ativas, operadas em 886 complexos.
A televisão por assinatura prosseguiu com a redução estrutural de sua base de clientes, perdendo 19,5% dos acessos e fechando o ano com 6,5 milhões de assinaturas. Vale destacar que o estudo não considera as bases de assinantes dos serviços de TV linear por streaming, analisando apenas a base do SeAC (Serviço de Acesso Condicionado). Em sentido inverso, a quantidade de canais credenciados e em funcionamento na autarquia subiu para 298. A participação de obras brasileiras nos canais de espaço qualificado registrou o maior índice de toda a série histórica, ocupando 22,6% do tempo total de programação veiculada. Nesse segmento, os formatos seriados lideraram a oferta de conteúdo, correspondendo a 79,5% do tempo reservado às produções nacionais.
A análise estrutural e econômica mostra que o setor estabilizou a geração de vínculos empregatícios formais, com 78.434 postos de trabalho computados. O volume de empresas empregadoras chegou a 4.554, estabelecendo a maior marca desde 2016. A remuneração mensal média da atividade foi de R$ 6.468. O estudo calculou também o multiplicador do valor adicionado da indústria, revelando que os desdobramentos da atividade audiovisual se estendem para outras esferas da economia. Os dados apontam que, no exercício de 2021, cada unidade de valor adicionada diretamente pelas atividades do segmento provocou a geração de 1,885 unidade no panorama total da economia brasileira.
A pesquisa também avaliou a participação das mulheres no mercado de trabalho da área audiovisual. A parcela feminina preenche 42,8% do total de empregos formais do ramo, convivendo com uma remuneração média 9% mais baixa em comparação aos profissionais do sexo masculino. No cenário dos cinemas, entretanto, houve avanço na presença feminina nos postos de liderança. A proporção de longas-metragens dirigidos de forma exclusiva por mulheres evoluiu de 16,8% para 21,3%. As mulheres também continuam compondo a maioria nas funções de direção de arte e de produção executiva dos filmes brasileiros avaliados.
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