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Brasil

Amazônia e Pantanal: Brasil possui duas das dez regiões com mais secas prolongadas do planeta, aponta estudo

Pesquisa publicada na revista científica Science analisou mais de 13 mil eventos relacionados a megassecas nos últimos 38 anos.

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Indígenas Yagua transportam água devido ao baixo nível do rio Amazonas. (Foto: Luis Acosta/AFP)

Um artigo publicado na revista científica Science identificou mais de 13 mil eventos relacionados a secas prolongadas em todo o mundo. No estudo, que analisou dados de 1980 a 2018, o Brasil aparece em duas das 10 regiões que mais têm sido afetadas pelas megassecas — períodos de dois ou mais anos consecutivos de escassez de água. Os biomas brasileiros que mais têm registrado os longos períodos de seca são a Amazônia e o Pantanal.

O último relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) corrobora com os dados apresentados na publicação, em relação ao agravamento dos eventos de seca no mundo e, em especial, no Brasil. A estiagem registrada em 2024 no país, por exemplo, foi considerada a mais intensa registrada na história, afetando cerca de 60% do território.

O Pantanal, inclusive, conhecido pela sua abundância hídrica pantanosa, teve uma redução de cobertura de água de 61% em 2023. A média é a menor registrada em toda a série histórica, desde 1985.

Já a Amazônia Sul-Ocidental registrou estiagens intensas entre 2010 e 2018, com grandes incidências de incêndios florestais e redução do volume de rios importantes para a região amazônica. A região registrou um aumento de 2.000% em áreas afetadas pelas megassecas.

Apenas no ano passado, a Amazônia perdeu 3,6% da superfície de água em relação à extensão média de água no bioma. A seca extrema deixou a floresta por sete meses com os níveis de água abaixo da média histórica, de acordo com os dados do MapBiomas, divulgados na última sexta-feira (21).

O bioma, que tem mais da metade da superfície de água do Brasil (61%), teve quase dois terços (63% das 47 sub-bacias) de suas bacias hidrográficas registraram perda de superfície de água.

Em meio à seca extrema, os casos mais graves ocorreram em sub-bacias do Rio Negro, que apresentaram uma redução de mais de 50 mil hectares em comparação à média histórica, de acordo com o estudo.

A perda de superfície de água na Amazônia em 2024 foi de 4,5 milhões de hectares em relação a 2022, que foi o último ano de ganho de superfície no país. “Foram dois anos consecutivos de seca extremas na Amazônia, sendo que, em 2024, a seca chegou mais cedo e afetou bacias que não foram fortemente atingidas em 2023, com a do Tapajós”, afirma Carlos Souza Júnior, pesquisador do MapBiomas.


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