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Amazonas

Observatório da Torre Alta da Amazônia monitora efeitos do El Niño na floresta primária

Indicadores de precipitação, temperatura e umidade do solo apresentam alterações com apenas dois meses do fenômeno ativo.

Os pesquisadores da área de micrometeorologia do Observatório da Torre Alta da Amazônia (ATTO, na sigla em inglês) estão monitorando os efeitos do fenômeno El Niño sobre áreas de floresta preservada. Entre as variáveis monitoradas, cinco indicadores são acompanhados com atenção: precipitação, temperatura e umidade do ar, e temperatura e teor de água no solo. Os dados são coletados pelos instrumentos científicos acoplados à torre de 325 metros de altura.

O relatório de acompanhamento, publicado semanalmente, sinaliza a ação do El Niño como um fator de pressão adicional sobre a floresta localizada nos arredores da infraestrutura do ATTO. A área está situada a cerca de 150 km em linha reta a nordeste de Manaus (AM), dentro da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã.

A anomalia de temperatura na floresta em julho deste ano foi de 1,7oC a 2,1oC em agosto, e atingiu 2,4 oC na metade de setembro, comparado com a média dos últimos 14 anos para o período. A anomalia é o quanto a temperatura está mais quente em relação à média.

A precipitação reduziu 73% em julho, quando choveu somente 21 mm, comparado com a média de 92 mm. Em agosto, a chuva se manteve em 21mm, uma redução de 36,6% em relação à média histórica de 58 mm. Em setembro, até o momento foram apenas 2 mm de chuva, uma redução de quase 66%.

A umidade relativa do ar apresentou queda de 10,3% em agosto e 14,6% em setembro, quando ficou abaixo de 65%.

A temperatura do solo está acima da média histórica desde janeiro deste ano e aumentou mais 1,5oC em julho e manteve aumento de 1,2oC em agosto e setembro. A umidade do solo, na camada até 10 cm, também está baixa.

De acordo com o responsável pelo monitoramento e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Cléo Quaresma, a partir de julho, com o início da estação seca na região, as principais características do El Niño começaram a aparecer. Segundo ele, o monitoramento é realizado para compreender quais os possíveis efeitos da combinação de redução da precipitação e do aumento da temperatura no funcionamento da floresta preservada.

“O perigo está na proximidade de um possível tipping point, uma situação em que a floresta pode ultrapassar um limiar crítico e entrar em um novo regime de funcionamento. Nesse novo estado, processos fundamentais, como as trocas de CO₂ e água entre a floresta e a atmosfera, podem ser profundamente alterados”, explica o pesquisador. “O mais preocupante é que ainda não sabemos exatamente como essas mudanças ocorrerão, qual será sua magnitude e até que ponto poderão comprometer a capacidade da floresta de armazenar carbono, reciclar água e regular o clima regional”, complementa.

A influência do El Niño na floresta, onde está instalado o Observatório, foi monitorada em episódios anteriores do fenômeno, como 2015-2016 e 2023-2024.

O boletim de monitoramento mais recente está disponível para consulta neste link.


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