Amazonas
Polícia Federal e ICMBio inutilizam 11 dragas e aplicam R$ 1,63 milhão em garimpo ilegal no Amazonas
O desmatamento impulsionado pelo garimpo de ouro tem aumentado ano a ano na Estação Ecológica de Juami-Japurá, na Amazônia, desde 2019.
A Polícia Federal (PF) informou que, em ação conjunta com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), concluiu a Operação Pirá’ákãg, realizada entre os dias 9 a 13/7, com o objetivo de combater o garimpo ilegal na Estação Ecológica Juami-Japurá, unidade de conservação federal localizada no interior do Amazonas.
Durante as ações, foram apreendidas ou inutilizadas 11 dragas, 3 rebocadores de metal, 3 botes de alumínio, 3 motores de popa, 2 embarcações, 1 embarcação regional de madeira, 1 embarcação para carga, 1 lancha, 1 balsa do tipo poitera, 3 motores a diesel, 2 geradores de energia e cerca de 48 mil litros de combustível.
Além da retirada de estruturas, foram lavrados três autos de infração ambiental, resultando na aplicação de R$ 1.622.800,00 em multas.
Invasão
O desmatamento impulsionado pelo garimpo de ouro tem aumentado ano a ano na Estação Ecológica de Juami-Japurá, na Amazônia, desde 2019, quando tomou posse o presidente Jair Bolsonaro (PL). As informações são de um relatório do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) obtido pelos sites InfoAmazonia e PlenaMata.
A Estação Ecológica de Juami-Japurá é uma unidade de conservação federal criada em 1983, localizada no município de Japurá, a 700 km de Manaus, próximo à fronteira do Brasil com a Colômbia. A área é gerida pelo Núcleo de Gestão Integrada – Tefé, órgão vinculado ao ICMBio, que produziu o relatório.
De acordo com o InfoAmazonia, o documento mostra que não havia registro de atividade garimpeira na região desde 2003, mas isso teria mudado pela falta de fiscalização e infraestrutura, assim como pela valorização do preço do ouro. Em 2019, quatro dragas — equipamentos usados no garimpo para cavar o leito do rio em busca de minério — foram identificadas na unidade de conservação.
Imagens de um sobrevoo da região feito em 17 de agosto de 2021 revelaram 31 dragas e cinco barcos associados à atividade ilegal. “[O] rio Juami se encontra comprometido ao longo de todo o seu trajeto, até bem próximo à sua cabeceira direita, apenas o afluente esquerdo que o forma se encontra, aparentemente, e até agora, livre do impacto garimpeiro”, diz um trecho do relatório.
O documento traz também registros de“membros infiltrados de grupos paramilitares da Colômbia, patrocinando a atividade do garimpo e achacando comunidades e extrativistas brasileiros”. Um servidor federal não identificado afirmou ao InfoAmazonia que “a situação se agrava a cada dia na região, onde há um conluio do crime organizado brasileiro e de países vizinhos”.
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