Brasil
CIN e DNI adulterados apareceram em 23,1% das tentativas de fraude com documentos no 2º trimestre
Serasa Experian identificou mais de 18 modelos da Carteira de Identidade Nacional adulterados usados como ‘kit-laranja’.
Golpistas estão adulterando modelos da Carteira de Identidade Nacional (CIN) e do Documento Nacional de Identidade (DNI) em tentativas de validação de identidade, abertura de contas em nome de terceiros e contratação de serviços. Segundo a Serasa Experian, os dois formatos estavam presentes em 23,1% das 2,6 milhões de tentativas de fraude envolvendo documentos analisados no segundo trimestre de 2026.
Fraudes de identidade avançam no Brasil
Isso acontece em um cenário de alta nas tentativas de fraude durante processos de cadastro e validação de identidade. Segundo o Mapa da Fraude da Serasa Experian, o Brasil registrou 2,8 milhões de tentativas desse tipo no primeiro semestre do ano — o equivalente a uma a cada 5,5 segundos.
Os dois formatos de documentos registraram leve aumento no risco ao longo do primeiro semestre, sinalizando que as tentativas de adulteração começam a acompanhar a adoção desses documentos no país. Apesar disso, a CIN apresentou risco até 77% menor que o da CNH, enquanto o DNI registrou índice 88% menor.
Novos documentos exigem mais autenticação
— A evolução dos documentos traz avanços importantes para a identificação dos brasileiros, mas também exige que os mecanismos de prevenção acompanhem as novas formas de adulteração. Não basta avaliar um único elemento: é preciso combinar a análise documental com outras camadas de autenticação para identificar inconsistências e barrar tentativas de fraude sem prejudicar a experiência dos usuários legítimos — explica Leandro Bartolassi, diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian.
Criminosos usam esquema de “kit-laranja”
Entre maio e junho deste ano, a Serasa Experian identificou mais de 18 modelos adulterados da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN). Os criminosos usam esses modelos como uma espécie de “molde”, em um esquema chamado de “kit-laranja”.
Nele, a estrutura do documento é mantida, mas são trocadas nome, foto e outras informações para criar diferentes versões adulteradas. Na prática, em vez de produzir uma falsificação do zero a cada tentativa, os criminosos reaproveitam a estrutura dos modelos e modificam apenas os dados necessários. Segundo a Serasa Experian, a inteligência artificial pode tornar esse processo ainda mais rápido.
— Olhar apenas para a aparência do documento já não é suficiente diante da evolução das técnicas de fraude. É necessário avaliar a consistência das informações, os elementos documentais e outros sinais de risco ao longo da jornada — acrescenta o diretor.
Como evitar fraudes com documentos pessoais
- Não compartilhe fotos de documentos ou selfies com o documento em mãos por redes sociais, aplicativos de mensagem ou canais não oficiais;
- Forneça documentos e dados biométricos apenas em ambientes confiáveis e oficiais, como aplicativos e sites legítimos das empresas;
- Desconfie de pedidos inesperados de fotos ou reconhecimento facial, principalmente quando feitos por links recebidos por mensagem, e-mail ou QR Code;
- Não permita que desconhecidos fotografem seu rosto ou seus documentos, mesmo sob justificativas de cadastro, confirmação de identidade ou
atualização de dados; - Evite publicar imagens de documentos nas redes sociais, mesmo que parte das informações esteja coberta.
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