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Surto de Ebola no Congo é de duas a quatro vezes maior do que a escala oficial, segundo a OMS

Doença já matou mais de 700 pessoas, e autoridades alertam para grande subnotificação de casos no país africano.

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta terça-feira que o surto de Ebola na República Democrática do Congo pode ser até quatro vezes maior do que os números oficiais indicam. Segundo a entidade, a modelagem feita por seus especialistas aponta que muitos casos ainda não foram identificados, o que sugere uma disseminação mais ampla da doença.

De acordo com os dados oficiais do governo congolês, a febre hemorrágica já infectou mais de 1.960 pessoas e provocou mais de 700 mortes desde que o surto foi detectado, há dois meses.

O diretor de emergências da OMS, Chikwe Ihekweazu, disse a jornalistas em Genebra que as estimativas da organização indicam que “a escala do surto é pelo menos duas a quatro vezes maior do que o número de casos que encontramos”.

Segundo os dados oficiais, este já é um dos maiores surtos de Ebola já registrados, com o vírus se espalhando em ritmo sem precedentes.

— Este é agora o terceiro maior surto de Ebola de todos os tempos, e registramos o crescimento mais rápido em um único mês desde o início do surto entre todos os episódios de Ebola que já administramos — afirmou Ihekweazu.

O 17º surto de Ebola na República Democrática do Congo foi declarado em 15 de maio, após uma série de mortes na província de Ituri, no nordeste do país, região rica em minerais e marcada pela atuação de grupos armados.

Até o momento, casos da doença — transmitida pelo contato próximo com pessoas infectadas ou com seus fluidos corporais — foram registrados em cinco províncias congolesas e também na vizinha Uganda. Mais de 90% das infecções, porém, continuam concentradas em Ituri, segundo a OMS.

Após retornar de uma viagem de uma semana à região, Ihekweazu classificou a situação como “profundamente preocupante”.

O atual surto é causado pela rara variante Bundibugyo do vírus Ebola, para a qual ainda não há vacina nem tratamento aprovados. Segundo o diretor da OMS, a epidemia “continua a superar os esforços de resposta das autoridades nacionais, dos parceiros internacionais, incluindo a OMS, e das comunidades mais afetadas”.

Ele afirmou que a descoberta mais preocupante foi constatar que muitos dos casos recentemente registrados correspondem a pessoas que morreram em suas comunidades sem jamais terem chegado a uma unidade de saúde.

Apesar do cenário, Ihekweazu disse ter observado avanços na capacidade de resposta. Segundo ele, a rede de atendimento já conta com mais de 700 leitos e segue em expansão, a capacidade dos laboratórios foi ampliada significativamente e o rastreamento de contatos já alcança cerca de 80%.

O diretor também destacou que, nos últimos dias, foram registrados alguns dos maiores números diários de novos casos desde o início do surto.

— Há alguns dias, registramos mais de 80 casos confirmados em um único dia. Isso é, na verdade, uma boa notícia, porque mostra que menos casos estão passando despercebidos. É um sinal de uma resposta mais madura — afirmou.


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